Bombeiros são a instituição mais importante de Pinhal Novo

A maioria dos inquiridos, no âmbito de um estudo sobre a identidade social de Pinhal Novo, realizado por uma investigadora polaca, elege a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo como a instituição mais importante da vila.

O ponto de partida foi logo interessante. Uma autora de nacionalidade polaca, a residir há alguns anos em Pinhal Novo, desenvolveu um estudo sociológico sobre a vila, no âmbito do projeto europeu “Capital do Futuro”, que resultou no livro intitulado “Culturas Habitadas. Modos de ser e ver. O caso de Pinhal Novo”. A obra foi editada em versão bilingue (polaco e português), no final de 2005, pela Associação Juvenil “Odisseia”. A investigadora chama-se Aleksandra Chomicz e nela reside a maior lacuna do livro: a de nada revelar sobre a sua autora.

A publicação revela, todavia, visões curiosas, polémicas e, às vezes, antagónicas sobre a perceção que os pinhalnovenses têm da sua localidade, «através do buraco da fechadura». As opiniões foram recolhidas através de um inquérito, realizado entre maio e julho de 2005, em vários locais de Pinhal Novo (incluindo o quartel-sede dos Bombeiros Voluntários), que acabou por abranger 238 habitantes. Simultaneamente, a autora realizou cinco entrevistas individuais a residentes na vila, pré-selecionados em função da sua intervenção pública (Álvaro Amaro, Presidente da Junta de Freguesia de Pinhal Novo, foi um dos entrevistados) ou cultural. É a autora, desde logo, quem alerta para «o subjetivismo e relativismo das visões apresentadas nas entrevistas, as quais constituem só algumas das possíveis críticas e reflexões sobre as temáticas apresentadas».

Mas foi assim que Aleksandra Chomicz descobriu que os Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo surgem à cabeça da lista das instituições locais consideradas mais importantes, pelos inquiridos. «A falta de hospital e outros órgãos de primeiros socorros abertos durante 24 horas, aliada à própria dimensão tradicional e histórica dos Bombeiros Voluntários, reforça ainda mais a sua posição especial e específica na vila», explica a investigadora. Só depois dos Bombeiros, aparecem referenciadas a Biblioteca Municipal e a Junta de Freguesia.

Outra conclusão interessante deste estudo: o motivo ferroviário assume-se como o símbolo mais relevante da identidade pinhalnovense, seguindo-se, nas respostas ao inquérito, a referência a José Maria dos Santos e aos pinheiros. É também o grande agricultor a personalidade referenciada como a mais importante para a identidade da vila. Logo depois é enunciado um antigo presidente da Direção dos Bombeiros (1969, 1970, 1971), o médico Manuel Veríssimo da Silva.

Neste domínio, é curioso que também tenham sido assinaladas personagens com um perfil marcado por «traços de irrealidade», mas que a autora considera terem «um lugar específico na construção do imaginário e memória coletiva de Pinhal Novo», como é o caso do popular José Lopa. Chomicz realça o facto deste nome ter sido mais citado pelos inquiridos mais jovens, e explica: «O seu [de José Lopa] comportamento e modo de estar desviado dos hábitos e normas sociais informalmente estabelecidos e aceites pela sociedade, concentra a atenção social, pertencendo, assim, à imagem do lugar por um motivo original e carácter próprio».

Também no que se refere à oferta cultural da vila, o papel dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo é mencionado no estudo, por a sua sede dispor de um dos principais locais – o salão – destinados a acontecimentos culturais e artísticos.

”Convite para a conversa…”

O desenvolvimento do Pinhal Novo está sempre relacionado com as vias de comunicação. Ninguém vinha para aqui morar, se não tivesse acessos para outros sítios onde trabalha. (…) há vida própria não só nas comunidades rurais em torno da grande urbe, mas dentro da urbe também há espaços, que não estão fechados naturalmente, as pessoas que vivem nesses locais não vêm apenas cá dormir… vivem ali, vão aos cafés, saem com os seus filhos, levam-nos à escola, convivem…” (Álvaro Amaro, presidente da Junta de Freguesia de Pinhal Novo)

Nós não impomos naturalmente esta ideia de que há aqui uma cultura caramela ou uma cultura de gente ferroviária, porque tudo isso está hoje em grande mutação. Não impomos nada a ninguém. Os contributos das pessoas que para cá vêm morar são importantes para construir esta identidade, feita da multiplicidade ou da multiculturalidade (…)” (idem)

(…) eu considero que, embora haja sempre muito trabalho para fazer, a oferta cultural de Pinhal Novo tem crescido e tem-se diversificado.” (idem)

A identidade não é a reconstrução do passado, ela constrói-se também com o presente. Não é um objecto acabado. É uma representação simbólica, que cada um constrói, numa relação própria com o seu sítio, que nem sempre é mesma de pessoa para pessoa… (…) Há pessoas que têm a motivação para viver em Pinhal Novo e intervir. (…) Cada pessoa tem de facto uma relação de pertença. Para mim é satisfatório quando as pessoas dizem: “Eu moro em Pinhal Novo, eu sou de Pinhal Novo”. Há alguns anos atrás ninguém queria ser tratado por caramelo. Hoje, o caramelo tem uma conotação positiva, porque nos remete para um local em que as pessoas têm orgulho de pertencer (…)” (idem)

A cultura Caramela é ligar o passado ao presente, para fazer o futuro; mas nesta terra com poucas referências percetíveis do passado, quando se vem de fora, a única ligação visível da qual tomamos logo conhecimento é a sopa Caramela, o resto fica uma interrogação.” (Joaquim António Gonçalves Borregana, artista plástico sob o nome Kim Prisu)

Falta [na oferta cultural do Pinhal Novo] um museu sobre o desenvolvimento local. Este poderia dar-nos uma ideia da identidade desta localidade dita Caramela, que passou de um meio agrícola a um dormitório.” (idem)

“[Pinhal Novo] É uma vila que cresceu muito depressa nestes últimos anos, na qual o pouco que têm do passado se está a apagar. (…) As novas construções apresentam uma arquitetura sem caracterização própria, exemplo disso é a nova estação (…) Também o edifício do Santa Rosa se encontra ao abandono. Isto leva-nos a pensar que têm medo do passado e provavelmente deles próprios.” (idem)

“[Os símbolos atuais deste sítio] Eram os três pinheiros imponentes que se situavam mesmo no coração da vila” (idem)

“[Ser do Pinhal Novo] Significa ter sentimentos fortes para com a localidade e os habitantes (…)” (Flávio Andrade, fotojornalista)

(…) uma das grandes lacunas do Pinhal Novo é a nível cultural. A cultura no e do Pinhal Novo é mais o café e a bebedeira social. O cinema na biblioteca, por exemplo, a maior parte das vezes está às moscas. A situação cultural é mais zero. Falta disponibilidade política para o fazer e vontade empresarial para pôr em prática. Pois, porque sem dinheiro não se pode fazer grande coisa. (…) O que falta concretamente é qualidade, porque ‘gosto’ ou ‘gostos’ existem, existe é um défice de bom gosto (…)” (idem)

(…) o Pinhal Novo descaracterizou-se todo praticamente, primeiro pela grande e desenfreada construção imobiliária que ainda hoje se mantém, com a agravante da falta de critérios a nível estético desses mesmos imóveis (…)” (idem)

Fonte: Helena Rodrigues, c/ o especial obrigado a Flávio Andrade, pela oferta do livro

EN252 fez primeira vítima deste ano em Pinhal Novo

Um choque entre um ligeiro e um motociclo, no cruzamento de acesso à A-12, na manhã de Quinta-feira, 26 de janeiro, provocou um morto. Foi a primeira vítima da Estrada Nacional 252, este ano, em Pinhal Novo.

A vítima tinha 39 anos. Conduzia o motociclo, no sentido Pinhal Novo – Montijo, e foi colhido pelo veículo ligeiro de passageiros, que circulava no sentido contrário e ia virar no cruzamento de acesso à auto-estrada. O acidente ocorreu às 7h50m e tudo indica que se terá ficado a dever ao desrespeito do sinal de paragem obrigatória, por parte do condutor do ligeiro.

Foi, praticamente, um embate frontal. O condutor do motociclo sofreu um traumatismo de grande gravidade e, apesar de todos os esforços, não foi possível aos bombeiros transportá-lo com vida ao hospital.

No local, estiveram a ambulância do INEM instalada no Corpo de Bombeiros de Pinhal Novo e o veículo de salvamento e desencarceramento da corporação (VSAT), com um total de 6 homens. Ao local do acidente foi ainda chamada a VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação) de Setúbal.

Para quem, àquela hora da manhã, passou pelo local do acidente – e é intenso o tráfego rodoviário na EN252, sobretudo para Lisboa, via ponte Vasco da Gama, e no sentido contrário, para Setúbal –, o cenário não augurava nada de bom. O veículo ligeiro – um Audi A3, cinzento claro, de uma escola de condução de Setúbal – ficou «todo partido à frente», segundo o relato de uma testemunha. A mesma testemunha ocular recorda – ainda antes da chegada dos veículos de socorro – a imagem da vítima, no chão, sem o capacete de proteção que, provavelmente, não estaria bem colocado.

Fonte: HR c/ VM; Fotos de António Oliveira

Salvamento em cenário verdejante

O último curso de Salvamento e Desencarceramento realizado pelos Bombeiros de Pinhal Novo beneficiou já do novo VETA (Veículo com Equipamento Técnico de Apoio), que permitiu transportar duas viaturas acidentadas para o cenário onde decorreu o exercício final.

Num local inacessível às viaturas de socorro, onde o verde era a cor predominante, os dez bombeiros que participaram no curso foram encontrar dois veículos sobrepostos, com vítimas encarceradas. O cenário – Ver outra foto – foi montado numa ravina da ponte de acesso à auto-estrada A12, onde foram estrategicamente sobrepostas duas viaturas, com duas alegadas vítimas, encarceradas e em estado grave: uma com traumatismo craniano e outra em situação de paragem cardio-respiratória.

A corporação beneficiou da circunstância de já possuir meios próprios e adequados para transportar as viaturas desde o sucateiro até ao local das operações – Ler Notícia. «Este exercício só foi possível graças à viatura VETA 01, equipada com uma grua extensível de três toneladas, que permitiu colocar os veículos sinistrados no local», explica o Comandante Fernando Pestana.

Aí, o cenário pôde ser meticulosamente montado, de forma a surpreender os formandos – que «desconheciam o local e as condições do cenário», explica Fernando Pestana – e avaliar a sua capacidade de reação à situação.

A primeira dificuldade com que se depararam terá sido o facto da ravina ser inacessível às viaturas de socorro: o VSAT, com uma guarnição de cinco bombeiros, e duas ambulâncias. «O grau de dificuldade foi acrescido pela necessidade de retirar o grupo energético e todos os equipamentos do VSAT necessários à execução das operações de desencarceramento e socorro», descreve o Comandante.

Tudo acabou em bem

O simulacro decorreu num Domingo (18 de Dezembro), e teve a duração de 45 minutos. Foi o culminar de uma acção de formação, com início em 9 de Dezembro último, e em que participaram dez elementos da corporação: os Sub-Chefes João Francisco Pacheco Silva e Luís Sousa; o Bombeiro de 2ª Classe Rui Jorge Silva; e os Bombeiros de 3ª Classe Carlos Sousa, Nuno Domingues, Sandro Patraquim, Ludgero Bento, Luís Silva, Tiago Oliveira e Ricardo Braga.

Todos concluíram a ação com aproveitamento [Parabéns!]. Realizado no quartel-sede de Pinhal Novo, o curso foi ministrado pelo formador José Eduardo Raimundo, Segundo Comandante dos Bombeiros Voluntários do Seixal e formador da Escola Nacional de Bombeiros.

A expectativa da corporação parece ser, agora, a de que um próximo curso de Salvamento e Desencarceramento já possa ser dado por um formador do próprio Corpo de Bombeiros de Pinhal Novo. O Bombeiro de 1ª Classe Luís Filipe Pinto Neto concluiu, também em Dezembro, na ENB, o curso de formador na área do Salvamento e Desencarceramento [Parabéns, Neto!].

Fonte: Helena Rodrigues

Toque prolongado da sirene em dia de Ano Novo…

Ao contrário do que é hábito, a sirene dos Bombeiros não ecoou em Pinhal Novo às zero horas de 1 de Janeiro. A hora era de tristeza para a corporação, que se despediu hoje do bombeiro auxiliar Adalberto Pinto, falecido em 31 de dezembro, após doença prolongada, dois dias depois de ter completado 62 anos. Em sua homenagem, soaram, na vila, 5 toques prolongados da sirene, na primeira tarde de 2006.

Adalberto Carlos Rodrigues Pinto, nascido em 29 de dezembro de 1943, natural de Lisboa, ingressara no Quadro Auxiliar dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo em 29 de julho de 2002, por influência do seu filho, bombeiro da corporação. No ano seguinte, frequentou, no CB, o curso de Tripulante de Ambulância de Transporte (TAT), ministrado pela Escola Nacional de Bombeiros.

Foi como motorista, a sua profissão, que desenvolveu a sua atividade de voluntário. Nos últimos anos, foi o elemento mais requisitado para, nas épocas dos fogos florestais, fazer deslocar a viatura VGEO para qualquer ponto do país, para coordenação estratégica das operações de combate aos incêndios.

Na corporação, era um elemento querido e respeitado. Foram muitos os elementos do Corpo de Bombeiros que hoje se revezaram na Guarda de Honra que lhe foi prestada, na igreja de Pinhal Novo. As viaturas da corporação integraram, depois, o cortejo fúnebre, com passagem pelo quartel, onde foi prestada continência à bandeira da Associação, colocada a meia haste.

O Sr. Adalberto foi a sepultar no cemitério do Terrim, em Pinhal Novo, sob pingos de chuva e raios de sol, ao som de cinco toques prolongados da sirene dos Bombeiros.

A Associação apresenta, por mais esta via, sentidas condolências à família e, em particular, ao bombeiro Paulo Pinto.

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UM DIA

Um dia, mortos, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.

O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados, irreais,
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.

Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais, na voz do mar,
E em nós germinará a sua fala.


Sophia de Mello Breyner Andresen, Dia do Mar

Fonte: HR. Foto do Arquivo dos BVPN

Fogo em lar obriga a evacuar idosos

Um incêndio no lar “Amigos do José Maia”, em Areias Gordas, concelho de Palmela, durante a tarde desta quarta-feira, obrigou à transferência de cinco idosos que aí residiam para o Hospital de S. Bernardo, em Setúbal, dado apresentarem problemas respiratórios devido à inalação de fumos.

O alarme foi dado às 16.58 horas por um popular que telefonou para os Bombeiros de Pinhal Novo.

De acordo com o Centro de Coordenação Operacional de Setúbal (CDOS), sete idosos foram transportados para outro lar, nas imediações, visto as instalações terem ficado bastante destruídas. “Por enquanto, o lar não apresenta condições para continuar a abrigar os seus residentes habituais”, avançou uma fonte do CDOS.

Ao local acorreram os Bombeiros de Pinhal Novo e de Palmela, num total de nove viaturas e de 21 homens. Estiveram ainda no lar sinistrado a GNR e a Segurança Social.

Fonte dos bombeiros adiantou, ao JN, que “o incêndio teve início no quadro elétrico da cozinha, alastrando pela instalação elétrica, o que provocou muito fumo”. Este facto, aliado ao pó dos extintores dos bombeiros, terá provocado problemas respiratórios em cinco dos 18 idosos que se encontravam no interior do lar.

Face ao sucedido, as corporações de Palmela e do Pinhal Novo lamentaram o facto “do lar não ter qualquer sistema de alarme ligado aos bombeiros, nem sequer a uma empresa de segurança privada, o que é muito comum neste tipo de instituições”.

Alguns dos utentes do lar, segundo apurou o JN, vão ser recebidos por familiares, enquanto outros vão ficar à responsabilidade da Segurança Social, até ser encontrada uma solução.

O Corpo de Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo mobilizou para o local da ocorrência um total de seis viaturas: o Veículo Urbano de Combate a Incêndios (VUCI 02), a ambulância do INEM (ABSC 03) e mais quatro ambulâncias de Socorro e de Cuidados Intensivos da corporação.

Paulo Morais / Jornal de Notícias; Foto de Flávio Andrade (Arquivo BVPN)

Mecânicos, pintores, serralheiros, bate-chapas… bombeiros!

Este quartel está cheio de “artistas”, com jeito para múltiplas atividades. A prová-lo está o “novo” veículo multiusos da corporação. De uma das viaturas DAF, oferecidas pela firma SOPOL, fizeram os bombeiros o seu novo VETA (Veículo com Equipamento Técnico de Apoio), equipado com um guincho e uma grua.

Os trabalhos decorreram no quartel, com mão-de-obra 100% caseira, e o resultado é um autêntico hino à reciclagem mecânica. É difícil contabilizar quantos pares de mãos (de bombeiros, mas também de outros amigos da associação) andaram de volta da viatura de mercadorias, especialmente aos fins-de-semana, para a transformarem num veículo com múltiplos usos para a operacionalidade do corpo de bombeiros. Neste momento, já ninguém diz que não se trata de um verdadeiro carro de bombeiros: já tem uma cabina vermelha, pintada pelos próprios bombeiros, e – conta um dos “mecânicos” – «já tem rotativos, rádio de comunicações e as luzinhas todas bonitas».

A viatura original – uma das três DAF oferecidas à associação (Ler Notícia) – já vinha equipada com uma grua telescópica. Todavia, a cabina e a caixa de carga estavam bastante degradadas e já não são as originais, tendo sido substituídas por outras, reaproveitadas de carros militares da mesma marca (cedidas pelo depósito de material do Exército português, situado no Entroncamento).

À “nova” viatura foi ainda acoplado um guincho mecânico que, segundo os bombeiros, pode servir, por exemplo, para retirar uma árvore caída na estrada ou para rebocar um carro atolado ou caído numa ravina. O veículo também servirá, noutro exemplo, para transportar viaturas desde o sucateiro até aos locais mais adequados para os bombeiros exercitarem operações de desencarceramento, em ações de formação.

Para chegar até aqui, passou-se por operações de desmontagem e montagem de peças, recauchutagem de pneus, montagem da cabina, pinturas, verificação dos circuitos pneumáticos, e até foi preciso descobrir porque é que o motor «não dava mais de 30 km/hora» e, de seguida, resolver esse problema. Foram muitas horas, muitas artes e outras tantas boas vontades. E, para assinalar à volta da mesa o convívio passado no quartel-oficina, também já se fez um almoço de cozido com grão e sopas de pão, à alentejana, num dos sábados de azáfama mecânica.

A mão-de-obra voluntária voltou-se agora para a outra viatura DAF, que os bombeiros desejam transformar em auto-tanque. Cabina e chassis estão prontos. Recentemente, os trabalhos consistiram em alterar a posição do escape («Era longitudinal e agora vai ficar na vertical, atrás da cabina», explica o elemento da Direção responsável pelo “pelouro” das viaturas). Portanto: o auto está pronto; já “só” falta o tanque.

Fonte: Helena Rodrigues c/ José Vinagre e Vasco Marto

«É uma menina muito bonita…»

Apesar de ser uma ocorrência comum nas corporações, ajudar a nascer continua a ser um momento especial na vida dos bombeiros. Esta tarde de São Martinho trouxe ao mundo uma menina, às mãos dos bombeiros de Pinhal Novo. O parto ocorreu numa residência da Lagoa da Palha, cerca das 14 horas.

Foi o 3º parto realizado por Vasco Marto, subchefe dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo, que contou com o apoio do bombeiro de 3ª classe Cristóvão Vinagreiro. O nascimento ocorreu em casa, e só depois de prestados os cuidados adequados à mãe e à bebé é que ambas foram transportadas ao hospital.

Fruto da experiência e da formação profissional recebida – Vasco concluiu, em Setembro deste ano, o curso de Tripulante de Ambulância de Socorro (TAS), ministrado pelo INEM, e os dois operacionais possuem também formação de TAT (Tripulante de Ambulância de Transporte) –, os bombeiros encaram este tipo de ocorrência como «um fenómeno natural», quando se completam as semanas de gestação e o bebé se apresenta na posição normal. No fundo, a mãe é que tem o trabalho essencial. «Nós, técnicos, só auxiliamos e depois é que é preciso ter certos cuidados com o bebé e com a mãe», explica Vasco Marto, acrescentando que boa parte do papel do técnico de emergência passa por transmitir à parturiente a confiança necessária para que o final seja feliz.

Esse capital de confiança que o técnico consegue incutir nos doentes, e nas pessoas que os rodeiam, afigura-se essencial. Esta manhã, o mesmo bombeiro acorreu a uma situação de uma menina de 4 anos, com uma crise convulsiva, e relata que o mais difícil foi «tentar acalmar os pais para que deixassem que fôssemos nós a pegar na criança, para os podermos ajudar».

Percebe-se, entretanto, que um parto bem sucedido, no currículo de um bombeiro experiente, é sempre um momento especial, até porque não acontece todos os dias. E que deixa marcas:

É uma sensação maravilhosa, não há palavras para descrever o espírito com que ficamos. É lógico que só acontece de tempos a tempos, por isso a sensação é especial. Quando as coisas correm lindamente é maravilhoso, mas o pior também já me aconteceu: não conseguir fazer nada para salvar a vida a duas crianças, ambas com 18 meses, e aí sentimo-nos muito mal mesmo, impotentes e com um sentimento de revolta.
Mas temos de ser fortes para conseguir ultrapassar estes obstáculos. É para isso que somos bombeiros e temos amor ao que fazemos. E, depois, quando tudo corre bem, damo-nos conta de que fazemos falta e somos úteis em alguma coisa: é a nossa recompensa.

Fonte: Helena Rodrigues (Texto), c/ testemunho de Vasco Marto e imagem captada por Cristóvão Vinagreiro

Pinhal Novo trouxe meios de socorro para a rua

Os Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo aderiram à ação nacional de protesto deste Domingo, convocada pela Liga dos Bombeiros Portugueses, e colocaram viaturas e meios humanos na Praça da Independência. O socorro pré-hospitalar foi, assim, acionado a partir do centro da vila. À vista de todos.

«O socorro está na rua» foi o nome dado à jornada nacional de luta «em defesa da missão dos Bombeiros no domínio do Socorro Pré-Hospitalar». Ao colocar na rua o veículo de salvamento e desencarceramento, o veículo de comando tático e a ambulância de socorro instalada pelo próprio INEM no Corpo de Bombeiros de Pinhal Novo, pretendeu-se, simbolicamente, mostrar que os bombeiros têm orgulho em ser uma parte fundamental do sistema de emergência pré-hospitalar em Portugal e que não prescindem de continuar a desempenhar esse papel. Sem os bombeiros não há socorro, foi o que se pretendeu mostrar.

O objetivo desta ação foi, assim, o de demonstrar que os Bombeiros são a principal rede de socorro qualificado e abrangente, existente em todo o país. No caso concreto de Pinhal Novo, o Corpo de Bombeiros, além de operar com uma ambulância de socorro do INEM (além de outras propriedade da associação), possui meios humanos qualificados com os cursos de TAS(Tripulante de Ambulância de Socorro) e TAT (Tripulante de Ambulância de Transporte), que lhe permitem assegurar, 24 horas por dia, o funcionamento do serviço de emergência pré-hospitalar (com direção técnica a cargo de um médico, elemento do Quadro de Especialistas da corporação).

Em causa têm estado as difíceis relações com o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) acusa de estar a impor procedimentos às corporações, sem ouvir nem respeitar as posições dos Bombeiros, que são, desde há 23 anos, parceiros do INEM no Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM).

Por exemplo, o encaminhamento obrigatório para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (do INEM, que funciona em Lisboa) de todos os pedidos de socorro feitos diretamente para os quartéis (muitas vezes, as pessoas ligam diretamente para o quartel de bombeiros, em vez de acionarem o nº 112), tem sido entendido pelas corporações como uma medida que põe em causa a capacidade dos bombeiros para avaliar os pedidos e decidir sobre o envio dos meios de socorro adequados, além de fazer atrasar a chegada da ajuda às vítimas.

Liga aprovou “carta reivindicativa”

No dia anterior à instalação simbólica das ambulâncias nas principais praças do país, dirigentes e comandantes de associações e corpos de bombeiros estiveram reunidos, em Santarém, para aprovar uma carta reivindicativa para o socorro pré-hospitalar, a entregar ao Presidente da República, Governo, Assembleia da República, Autarquias e Juntas de Freguesia. Nos termos do documento aprovado, se até 16 de Novembro não houver uma resposta do Ministério da Saúde, a LBP admite rescindir os acordos para prestação de serviços de transporte de doentes e de emergência pré-hospitalar.

Na carta reivindicativa, os Bombeiros defendem a criação de Centrais Integradas de Emergência, através da fusão entre os atuais Centros de Orientação de Doentes Urgentes do INEM (tutelado pelo Ministério da Saúde) e Centros Distritais de Operações de Socorro (do Serviço Nacional de Bombeiros e Proteção Civil, tutelado pelo Ministério da Administração Interna).

No que respeita à formação dos bombeiros no domínio da emergência médica, as corporações pedem a criação da carreira de «bombeiro especialista em socorro pré-hospitalar» – que enquadre a atividade profissional dos cerca de 1900 bombeiros portugueses com formação de TAS – e a execução de um plano de contingência, que permita formar mais 200 TAS, no prazo de um ano.

Para já, e de acordo com informações veiculadas pela imprensa de hoje, a Liga já conseguiu que ficasse agendada para o próximo dia 14 de Novembro uma reunião com o Ministério da Saúde, o que acontece nas vésperas do 39º Congresso Nacional da LBP, que se realizará de 16 a 20 de Novembro, em Viseu.

Fonte: HR (Texto; c/ LBP e Imprensa); FP (Foto)

Governo da freguesia ganhou um bombeiro

É só atravessar a rua para sair do quartel e entrar na sede da Junta, ou vice-versa. Além da vizinhança histórica, os dois edifícios passam agora a ter um “inquilino” em comum. O Adjunto de Comando dos BV Pinhal Novo já tomou posse como membro do executivo da Junta de Freguesia.

A tomada de posse do novo executivo da Junta de Freguesia e dos membros da Assembleia de Freguesia de Pinhal Novo, eleitos nas últimas eleições autárquicas, teve lugar na Sexta-feira, 21 de outubro, na presença de muitos pinhalnovenses.

Raúl Prazeres, Adjunto de Comando dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo, assumiu, assim, formalmente, o seu lugar como membro da equipa liderada por Álvaro Amaro, presidente da Junta de Freguesia. O executivo é ainda constituído por Mário Brinca (a segunda cara nova na Junta, além de Raúl Prazeres), Isabel Costa e Armando Dias (que transitam do mandato anterior, também da CDU).

Mas não se pense que o “contributo” dos Bombeiros para o governo dos pinhalnovenses se fica por aqui. Na mesma ocasião, tomaram posse dos seus lugares na Assembleia de Freguesia: Helena Joaquim (Adjunta de Comando Equiparada), eleita pelos restantes deputados locais para o cargo de primeiro secretário da Assembleia; e Manuel Cachado (atual presidente da Assembleia Geral dos BVPN), que foi o cabeça de lista do Partido Socialista à Assembleia de Freguesia.

A nova Assembleia de Freguesia, saída das eleições do passado dia 9 de outubro, completa-se com os nomes de Manuel Lagarto (presidente da mesa), Joaquim Ricardo (segundo secretário) – ambos da CDU -, Carlos Vitorino (o cabeça de lista do PSD), José Cardoso Capão (PS), João Cabrita (CDU), Andreia Pereira (CDU), Ana Luísa Santos (que encabeçara a lista do Bloco de Esquerda) e Júlio Fulgêncio (CDU).

«Trabalhar até à exaustão para não defraudar as expectativas dos pinhalnovenses» foi, de acordo com a comunicação social local, a promessa deixada pelo presidente da Junta, no seu discurso de tomada de posse. Álvaro Amaro realçou ainda a vontade de apostar fortemente nas áreas da cultura, requalificação dos espaços verdes, acessibilidades e equipamentos desportivos, e reforçou a intenção de continuar a trabalhar ao lado da população.

Fonte: Helena Rodrigues (Texto); Foto gentilmente cedida pela Junta de Freguesia de Pinhal Novo

Missão cumprida!

O Grupo de Primeira Intervenção (GPI) dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo terminou a sua função em 30 de setembro, último dia da Fase “Bravo” do combate a incêndios. Mas o SNBPC decidiu prolongar a época de incêndios até 15 de outubro.

Trinta bombeiros do distrito de Setúbal – num total de 690 a nível nacional – integram esta fase, batizada como “Charlie”. A Fase “Charlie” começou sob o signo das elevadas temperaturas e do regresso das chamas à região Centro, levando o Serviço Nacional de Bombeiros e Proteção Civil (SNBPC) a mobilizar, esta Segunda-feira, o Veículo de Gestão Estratégica de Operações (VGEO), do Corpo de Bombeiros de Pinhal Novo, para o concelho de Tábua. Em agosto, a viatura fora já utilizada para apoio à coordenação das operações de combate aos grandes incêndios da Pampilhosa da Serra, Coimbra e Penela.

Esta fase, com a duração de 15 dias, integra, no distrito de Setúbal, um Grupo de Reforço Rápido (GRR) constituído por 6 GPI (num total de 30 bombeiros), distribuídos pelos Corpos de Bombeiros de Sesimbra, Almada, Barreiro, Trafaria, Alcochete e Seixal.

De 1 de julho até 30 de setembro, o Corpo de Bombeiros de Pinhal Novo integrou a Fase “Bravo” do dispositivo, com cinco elementos afetos ao GPI e ao Grupo de Apoio Permanente (GAP). Estes grupos permanentes estiveram envolvidos em dezenas de operações de combate e vigilância na Área de Atuação Própria do CB (na foto) e no distrito de Setúbal; a situação mais grave em que intervieram ocorreu na Serra da Arrábida (Ler Notícia).

Elevado risco de incêndio justifica prolongamento

No próprio dia do termo da Fase “Bravo”, o SNBPC anunciou a decisão de prolongar a época de prevenção de incêndios até 15 de outubro, devido ao elevado risco de incêndio que se mantém. «O risco continua a ser mais elevado do que costuma ser nestas alturas do ano, tendo em conta o período de seca que o país atravessa», explicou, durante uma conferência de imprensa, o comandante nacional de Operações de Socorro, Gil Martins.

Assim, durante a primeira quinzena de outubro, 449 corpos de bombeiros de todo o país serão reforçados com 690 homens, que contarão com o apoio de 17 meios aéreos: nove helicópteros e oito aviões. No que toca à fiscalização, 150 brigadas vão manter-se no terreno, com 500 elementos para tratar da fiscalização e apuramento das causas dos incêndios.

Ao contrário do que tem acontecido, este ano o período de prevenção foi antecipado 15 dias, tendo começado a 15 de maio com a fase “Alpha”, e prolongado mais 15 dias, com a fase “Charlie”. No entanto, este é, até agora, o segundo pior ano de incêndios verificado no país, só ultrapassado pelo Verão de 2003.

O Ministério da Administração Interna já anunciou, entretanto, que Portugal vai deixar de ter uma época oficial de incêndios florestais, passando a estar o ano inteiro em alerta.

Os números (provisórios)

Segundo os dados oficiais divulgados pela Direção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF), desde o início do ano, registaram-se quase 33 mil incêndios, responsáveis pela morte de 18 pessoas – 11 das quais bombeiros – e por uma área ardida de 286.383 hectares.

O último balanço da DGRF, com dados ainda provisórios, indica que até 25 de setembro foram registados 7.214 incêndios florestais e 25.339 fogachos, o que totaliza 32.553 ocorrências. Os maiores valores de área ardida foram registados nos distritos da Coimbra (43.474 hectares), Leiria (33.126), Vila Real (28.790) e Santarém (26.902). O maior número de ocorrências verificou-se nos distritos do Porto (7.101), Braga (4.409) e Aveiro (4.004).

Relativamente aos incêndios com área superior a 100 hectares, encontram-se apurados 273, dos quais 92 apresentam uma área superior a 500 hectares, representando 207.514 hectares de área ardida.

Em 2004, arderam em Portugal cerca de 129.529 hectares de floresta e, em 2003, o pior ano das últimas duas décadas, a área destruída pelo fogo rondou os 425.000 hectares.

«Fogos controlados» e outras medidas de prevenção

A DGRF anunciou também que vai recorrer a fogos controlados nas matas nacionais e perímetros florestais que tutela, como medida de prevenção de incêndios. «É um método que tem sido pouco utilizado, mas que julgo ser importante como medida de prevenção. É uma técnica que já é bem dominada», declarou à agência Lusa o diretor-geral dos Recursos Florestais.

A par desta medida, a DGRF vai promover ações de limpeza, desbastes e intervenções nos caminhos e pontos de água e proceder à reorganização das equipas de sapadores florestais, incentivando a formação e a criação de sinergias geográficas.

A DGRF anunciou ainda que, além do estudo técnico do Plano Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios, estão a ser tomadas medidas para mitigar o efeito dos fogos. «Foi feito um acordo relativo à utilização de madeira de áreas ardidas que envolveu toda a indústria, produtores e empresas florestais e entidades bancárias. O objectivo é que os incêndios não sejam aproveitados para especular em torno do preço da madeira, criando um quadro de transparência para a recolha do material e incentivando boas práticas florestais», sublinhou o diretor-geral.

Fonte: Helena Rodrigues, c/ Agência Lusa; Fotos: Leonel Barradas