Quando soou a sirene para o exercício na escola EB1/JI nº 1 de Pinhal Novo, a primeira ação foi evacuar as crianças. Dezenas de alunos “passaram com distinção” no teste, em que foram sujeitos a técnicas de evacuação e avaliada a sua capacidade de resposta.
A intervenção especializada junto das crianças e adultos (educadores e encarregados de educação) centrou-se na implementação de técnicas de evacuação e foi conduzida pelo Gabinete de Psicologia de Catástrofe dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, cuja responsável colaborou no exercício realizado em Pinhal Novo, no Sábado, 19 de maio. Face a um cenário de suspeita de fuga de gás (o exercício testou ainda os cenários de ameaça de bomba e incêndio na escola – Ler Notícia), o objetivo foi organizar e acalmar “as vítimas”, «fazendo o momento de espera até à posterior evacuação do local em linha de segurança», conforme explicou a psicóloga Sandra Coelho (na foto), Adjunta de Comando do Quadro de Especialistas dos BVS.
As crianças acabariam por ser evacuadas para o recinto do campo de jogos do Clube Desportivo Pinhalnovense. Até lá, a gestão do tempo de espera no exterior do edifício da escola concentrou as atenções da psicóloga, à frente de uma equipa que incluiu os jovens voluntários de Proteção Civil, formados pelos Bombeiros de Pinhal Novo em colaboração com a Junta de Freguesia. «O objetivo foi realizar o exercício numa hora quente [13:30h], para avaliar a capacidade de resposta dos intervenientes e a tolerância a vários fatores, como a sede, o calor e o pânico», explicou Sandra Coelho.
A técnica utilizada passou por dividir as crianças em sub-grupos, identificados por uma fita de cor própria atada ao pulso de cada criança. Foi também aplicada uma fita delimitadora de cada grupo, «para haver resguardo e delimitar um perímetro de segurança, que tem um efeito estabilizador importante, nomeadamente para combater a ansiedade e evitar o pânico», como explica a psicóloga. Neste tipo de cenário, os educadores e professores «funcionam como o elemento neutro e acolhedor», ou seja, desempenham o papel de mediador entre a equipa de socorro e as crianças. A estratégia passou, depois, por envolver as crianças em atividades que lhes são familiares e com as quais se identificam, como cantar ou correr para a frente e para trás.
No final, feita a avaliação da capacidade de resposta de todos os adultos e crianças, Sandra Coelho considerou os objetivos do exercício amplamente atingidos, já que «as crianças revelaram uma elevada tolerância à frustração». Por outro lado, «toda a gente estava muito motivada e cooperante», sublinhou a psicóloga, realçando o papel dos jovens voluntários que participaram no exercício. «Achei excelente e dou os parabéns à Junta de Freguesia de Pinhal Novo pela criação deste grupo», afirmou, considerando que «a melhor forma de manter o grupo coeso é fazendo com que os elementos continuem a ter formação».
A psicóloga dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, que trabalha também com os Sapadores da cidade, confirma que a integração da Psicologia nos corpos de bombeiros é cada vez mais necessária e requisitada, a três níveis: para apoio psicológico e clínico individual aos bombeiros, para formação do corpo de bombeiros e para saída do psicólogo nas ambulâncias, quando ativado pelo chefe de serviço.
«O psicólogo tem de ser multifacetado», conclui Sandra Coelho, fazendo questão de sublinhar que a sua função está integrada numa hierarquia de Comando. Isso mesmo ficou bem evidenciado neste exercício, quando a psicóloga se recusou a prestar esclarecimentos à comunicação social local antes de terminar o seu trabalho e, mesmo depois, só o fez após obter autorização expressa do comandante operacional no local (no caso, o Comandante dos BVPN).
O Corpo de Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo vai participar hoje, 19 de maio, às 13.30 horas, num exercício em que, pela primeira vez, vai ser simulada uma ameaça de bomba, com intervenção da Equipa de Inativação de Engenhos Explosivos da GNR. O exercício terá lugar na Escola Básica do 1º Ciclo e Jardim de Infância nº 1 de Pinhal Novo e integra também os cenários de fuga de gás e incêndio na escola.
O exercício, inicialmente previsto para as 17.00 horas, no âmbito da programação das comemorações do Dia Municipal do Bombeiro no concelho de Palmela, foi antecipado para as 13.30 horas, de forma a ser integrado no Exercício Nacional “PROCIV II 2007”, no âmbito do qual serão testados vários cenários operacionais, em todo o país, entre os dias 18 (tarde) e 19 e 20 (manhã) de maio.
O exercício em Pinhal Novo vai conjugar três cenários: em 1º lugar, uma suspeita de fuga de gás na escola, que conduzirá à ativação do Plano de Evacuação da Escola; em 2º lugar, uma ameaça de bomba na escola, que implicará a intervenção da Força de Segurança competente neste tipo de ocorrência; em 3º lugar, o deflagrar de um incêndio no refeitório da escola, com a consequente realização, por parte dos bombeiros, das operações de combate adequadas.
Operacionalizado ao nível distrital, através do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Setúbal, nomeadamente no que toca à articulação com todos os agentes envolvidos, o exercício vai contar com a participação do Serviço Municipal de Proteção Civil, Junta de Freguesia de Pinhal Novo e Equipa de Inativação de Engenhos Explosivos da GNR.
O exercício integrará também uma intervenção especializada na área do apoio psicológico às vítimas, que será assegurada em colaboração com os Bombeiros Voluntários de Setúbal e que se dirige, em particular, às crianças, professores e encarregados de educação, que constituem a população afetada pelos cenários simulados [Ler Notícia].
O Exercício “PROCIV II 2007” tem como finalidade o treino da estrutura operacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) e a sua articulação, em ambiente operacional, com os Agentes de Proteção Civil (APC) e Entidades que cooperam nesta matéria, bem como dos sistemas de apoio à decisão, no quadro de intervenções em caso de diversas ocorrências no âmbito da Proteção Civil. O planeamento e condução dos vários exercícios distribuídos pelo país estão a ser operacionalizados ao nível distrital, designadamente a articulação com todos os agentes, em que se incluem a GNR, PSP, ICN, Forças Armadas, INEM, Cruz Vermelha, DGRF, Radioamadores e CNE. ……………………………………………………………
A sirene soou em Pinhal Novo para o arranque do exercício às 13:45 h. Entraram em campo os Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo, o grupo de voluntários de Proteção Civil da Junta de Freguesia de Pinhal Novo com a responsável do Gabinete de Psicologia de Catástrofe dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, o responsável do Serviço Municipal de Proteção Civil e a GNR, para criação de um perímetro de segurança à volta da escola.
Feita a evacuação das crianças e o resgate das “vítimas” da “fuga de gás”, a quem foram prestados os cuidados de emergência pré-hospitalar necessários, passou-se ao 2º dos cenários testados, o de ameaça de bomba na escola, com atuação da Equipa de Inativação de Engenhos Explosivos da GNR. Em poucos minutos, o cão de busca encontrou o engenho estrategicamente colocado numa das casa-de-banho da escola. Às 15:45 h soou o estrondo provocado pela desativação de outro engenho explosivo. Aos bombeiros coube o contacto com os habitantes das residências à volta, no sentido de proceder à sua evacuação.
Por fim, iniciou-se o 3º cenário, de incêndio no refeitório, em que participaram meios operacionais dos corpos de bombeiros voluntários de Palmela (VUCI 04, ABSC 01, VCOT 01), Águas de Moura (VUCI 01), Montijo (VTTU 01), Moita (VUCI 01) e um autotanque dos Bombeiros Voluntários do Barreiro – Corpo de Salvação Pública.
O comando operacional no local foi assegurado pelos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo – a que se juntou, no 3º cenário, o Comando Distrital de Operações de Socorro –, em linha direta de comunicação e coordenação com o Comando Nacional, no âmbito do Exercício Nacional “PROCIV II 2007”, o que explicou os longos momentos de pausa impostos aos operacionais no terreno. O exercício só foi dado por concluído depois das 18 horas, ultrapassando as 4 horas de duração.
Fonte: H.R. com Fernando Pestana; Foto do cartaz oficial do Dia Municipal do Bombeiro
«Às mulheres, é-lhes exigido um percurso brilhante; aos homens, apenas o seu género», afirmou a Comandante dos Bombeiros Voluntários da Vidigueira, uma das intervenientes nas II Jornadas da Mulher Bombeira, promovidas pelos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo no passado Domingo, 13 de Maio, no âmbito do programa que assinala o Dia Municipal do Bombeiro no concelho de Palmela. Outras e outros oradores convidados, entre os quais a Presidente da Câmara Municipal, sublinharam as diferenças e dificuldades sentidas pelas mulheres nos seus percursos ascendentes em sectores tradicionalmente masculinos. Como o dos Bombeiros.
Quando Judite Joaquim – pinhalnovense, bombeira de 1ª classe dos Voluntários Cruz Verde de Vila Real e socorrista do INEM no Porto – iniciou a sua intervenção, explicou que não estava ali para apresentar qualquer trabalho científico, mas apenas para falar da sua história de vida nos Bombeiros; em que a sua condição de mulher e mãe não impediu a profissional de conquistar o respeito dos seus pares e afirmar-se na sua área de eleição, o socorrismo.
E, a seguir, começou logo a pôr “o dedo na ferida”: «Quando entrei para os Bombeiros, em 1995, fui a primeira mulher numa corporação com 112 anos de existência. E tive de mostrar que fui para os Bombeiros para fazer algo pelos outros, e não para arranjar homem…», afirmou Judite, explicando: «Foi difícil provar que era digna de respeito. E tive de provar que merecíamos ter as cerca de 40 mulheres que a minha corporação tem atualmente, no corpo ativo e de aspirantes».
A tónica geral das intervenções produzidas ao longo das Jornadas foi a de que, em regra, às mulheres se exige mais do que aos homens para que consigam afirmar-se em funções de reconhecimento público. Por um lado, como notou a Presidente da Câmara Municipal de Palmela, porque «as mulheres continuam a acumular o trabalho com as mesmas funções familiares de sempre, seja no apoio às crianças ou aos idosos». Por outro lado, como sublinhou a Comandante dos Bombeiros Voluntários da Vidigueira, porque «as instituições reproduzem as diferenças de género e os preconceitos sociais» e os Bombeiros não são exceção.
«Qual é o verdadeiro estímulo das mulheres bombeiras?», perguntou-se a Presidente da Câmara Municipal de Palmela
Neste sentido, e referindo-se especificamente à sua área – a Política –, a autarca de Palmela (ver foto) reconheceu que «a forma como a Política é realizada é fruto da forma de estar dos homens na sociedade e na organização de toda a atividade produtiva». Ana Teresa Vicente exemplificou com um caso concreto: «É universalmente aceite que um homem tenha de sair mais cedo de uma reunião para ir buscar o carro à revisão, mas não que uma mulher diga que tem de sair mais cedo para ir buscar o filho à escola».
A Presidente considerou, assim, que «não faltarão razões práticas e objetivas para as mulheres passarem ao lado da Política», ao contrário do que afirmou estar a presenciar no sector dos Bombeiros. Ana Teresa Vicente regozijou-se por ver tantas mulheres nas fileiras mais jovens das corporações e perguntou-se: «Valia a pena pensar numa explicação para isto… Porque é que os jovens se sentem motivados para esta causa? Qual é o verdadeiro estímulo das mulheres bombeiras?» A autarca arriscou, enfim, uma resposta e um elogio: «Penso que o vosso estímulo é poder servir e ajudar o próximo. E quero dizer-vos que a vossa escolha é uma opção de grande valor!»
A resposta mais aprofundada à questão da Presidente da Câmara viria a ser dada por Nuno Domingues, sociólogo e bombeiro de 2ª classe do CB de Pinhal Novo, cuja intervenção – não prevista no programa inicial das Jornadas – se centrou nos resultados de um inquérito sobre o perfil das mulheres bombeiras, aplicado nas corporações do distrito de Setúbal. Relativamente ao que traz as mulheres aos corpos de bombeiros, o estudo apurou a prevalência de três motivações: em 1º lugar, o exercício da cidadania e uma forma de ajudar o próximo; em 2º lugar, os laços familiares e de amizade (isto é, o facto de se ter alguém conhecido nas corporações é apontado como motivação para integrar o grupo); e, em 3º lugar, o gosto pela atividade e a importância dos sonhos de criança.
Aqui, o sociólogo sublinhou que os bombeiros ainda são representados como «pessoas de grande coragem» e que continua a estar-lhes associada a ideia de herói: «Ainda não temos a heroína… está p’ra chegar», comentou Nuno Domingues. Um sinal nesse sentido poderá ser o facto de o prémio de “Bombeiro de Mérito” ser este ano, pela primeira vez, atribuído a uma mulher (Fátima Antunes, 34 anos, dos Bombeiros Voluntários da Ericeira), o que tem sido amplamente destacado pela Comunicação Social nacional (todavia, a distinção foi também atribuída ex aequo ao bombeiro António Serrano, dos Voluntários de Soure).
Segundo o estudo apresentado pelo bombeiro, a média de mulheres nos corpos ativos do distrito de Setúbal é de 17%. Mas, como acrescentou, há muitas mulheres que participam nas corporações integradas noutros quadros, nomeadamente no de Especialistas e Auxiliares (incluindo as fanfarras), o que também «denuncia o seu encaminhamento para funções de ordem secundária». Nuno Domingues reconheceu que «ainda persiste a ideia de que determinadas funções são da competência dos homens» e que «o aumento de mulheres nos CBs é um facto relativamente recente», como se conclui da idade maioritariamente jovem das bombeiras do distrito.
«Ser Comandante no feminino não é fazer melhor; é fazer diferente», considerou a Comandante dos BV Vidigueira
Também a recém nomeada Comandante dos Bombeiros Voluntários da Vidigueira (ver foto) realçou que «a integração das mulheres nos corpos de bombeiros é tardia e pouco inclusiva», em consequência da tendência das instituições para reproduzirem as diferenças de género e os preconceitos socialmente aceites. Em algumas corporações «os horários noturnos continuam a ser interditos ao género feminino e por aqui se vê como há diferenças», exemplificou Noémia Ramos.
A este propósito, na intervenção precedente, Maria Manuela Rodrigues, 71 anos, há 21 no Quadro Auxiliar dos BVPN – que sublinhou a sua participação nas Jornadas também na qualidade de «mulher, mãe e sogra de bombeiros» – já tinha afirmado a sua disponibilidade para ajudar «as mais novas» a lutarem por uma camarata feminina no seu quartel, que ainda não existe.
«Os regulamentos dos CBs não fazem referências sexistas e discriminatórias, mas há os estereótipos sobre quem domina e quem é dominado», disse ainda a Comandante da Vidigueira, para quem «as regras podem ser quebradas e os lugares tradicionalmente masculinos podem passar à esfera feminina», mas com uma única diferença: «Às mulheres, é-lhes exigido um percurso brilhante; aos homens, apenas o seu género», afirmou a actual única Comandante do país.
De resto, Noémia Ramos garantiu não estar a sentir qualquer problema ao nível da aceitação junto do seu CB e recordou as palavras proferidas no seu recente discurso de tomada de posse: «O poder é algo efémero; tanto mais rápida é a sua morte quanto pior for a sua utilização». A alentejana mostrou-se, sempre, segura das suas capacidades – «Eu sou eu e não preciso de muitas apresentações…» – e confortável na sua farda de Comandante (há dois meses, a imprensa dava conta da dificuldade em encontrar farda para a sua baixa estatura: ler notícia).
«Ainda hoje eu fecho os olhos e consigo vê-las [as vítimas]», contou a bombeira Judite Joaquim, sobre um acidente que a marcou
No programa das Jornadas coube, em exclusivo, a Judite Joaquim o relato, na 1ª pessoa, das experiências de uma bombeira do Quadro Ativo. A engenheira de formação recordou como «uma paragem cardio-respiratória presenciada» e um acidente no IP4 com duas vítimas – «Ainda hoje eu fecho os olhos e consigo vê-las», confessou – a fizeram aperceber-se das limitações dos bombeiros no socorro pré-hospitalar e interessar-se pelo socorrismo, em especial. Já depois de ter concluído o curso de Tripulante de Ambulância de Socorro (TAS), numa turma com apenas duas mulheres em 16 formandos, Judite relatou as dificuldades em criar no seu corpo de bombeiros um grupo especializado na área da saúde, a começar pela «dificuldade em convencer o Comandante dessa necessidade».
O testemunho da bombeira de 1ª classe dos Voluntários Cruz Verde de Vila Real transmitiu, por outro lado, a convicção de que a uma mulher não há, à partida, funções vedadas. «Trabalhei na ambulância até aos 7 meses de gravidez», contou, confessando que só por vontade do seu Comandante terminou a gravidez ao serviço da central de comunicações. Depois, dada a dificuldade em exercer o direito às horas de amamentação previstas na lei, a sua bebé passou a ir com ela para o quartel e a ter um espaço próprio na camarata. Judite revelou como o quotidiano do quartel de bombeiros se adaptou à presença da sua filha – «A menina está a dormir…», pronunciavam os colegas, apelando ao silêncio – e, concluiu, «por isso é impossível não fazer com que a minha filha goste dos Bombeiros». E nem seria preciso vê-la fardada de bombeira a passear-se pelo palco do auditório da Associação, onde decorreram as Jornadas, para acreditar que o futuro das mulheres nas corporações está assegurado. «A menina é bombeira desde que nasceu; não há nenhum dia em que a Diana não vá aos Bombeiros», contou Judite Joaquim.
A bombeira confessou ainda o seu fascínio pelas brigadas heli-transportadas de combate a incêndios – «Quando chegava o Verão deixava de ser socorrista e tornava a ser bombeira» – e pelo apelo da sirene, enquanto estudante da Universidade de Trás-os-Montes: «A época de fogos florestais coincidia com a época de exames, o que sempre considerei uma grande injustiça», contou, lembrando as vezes em que largou os livros para acorrer ao toque da sirene.
Atualmente, Judite presta serviço no INEM, incluindo na moto de emergência, no Porto, e percorre os CBs da região fazendo formação de Tripulantes de Ambulância de Transporte (TAT). «Os CBs deviam reconhecer um bocadinho mais o trabalho que nós fazemos, porque, com algumas atitudes, acabam por fazer com que nos afastemos», desabafou.
E coube à sua irmã Helena, enfermeira e Equiparada a Adjunto de Comando dos BVPN – que acabou o dia a desempenhar o papel de “anfitriã” e “mestre de cerimónias” das Jornadas –, o encerramento dos trabalhos, com recurso a estas palavras de Madre Teresa de Calcutá, num incentivo à capacidade de resistência das mulheres: «Continua, quando todos esperam que desistas!»
«Para uma mulher ou para um homem, é uma honra estar nos Bombeiros», afirmou o presidente da LBP
Nestas II Jornadas da Mulher Bombeira – as primeiras a serem contabilizadas decorreram, no ano passado, em Santiago do Cacém, e as próximas poderão realizar-se em Óbidos (pelo menos, foram as representantes dos Bombeiros Voluntários de Óbidos [na foto acima] a aceitarem o repto lançado por Helena Joaquim para a organização da próxima edição) –, as corporações de Óbidos e Oliveira de Azeméis, cada uma com 5 participantes, foram as mais representadas na assistência. Da Azambuja vieram até ao Pinhal Novo quatro bombeiras. No encontro fizeram-se ainda representar os corpos de bombeiros de Loures, Moita, Sul e Sueste, Barreiro, Sesimbra, Santo André, Santiago do Cacém, Palmela e Pinhal Novo. Estiveram também presentes os presidentes das associações congéneres de Águas de Moura e Palmela, bem como os responsáveis do Serviço Municipal de Proteção Civil, Paulo Pacheco e Carlos Caçoete.
Convidado para a mesa de abertura – partilhada com o Comandante Distrital Alcino Marques e o presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Setúbal, Aníbal Reis Luís, para além do presidente da Mesa da Assembleia Geral da AHBVPN –, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses fez questão de saudar as «mulheres de combate» presentes, em especial as presidentes da Câmara Municipal de Palmela e da Direção dos BVPN, assim como a Comandante dos Voluntários da Vidigueira. Segundo os dados que apresentou, referentes ao ano de 2006, o número total de mulheres nas corporações do país é de 4150. Nos corpos gerentes das associações, são 92 as dirigentes em funções efetivas, das quais 9 são presidentes de direção, entre as quais a de Pinhal Novo, como realçou Duarte Caldeira.
O presidente da LBP sublinhou que «as mulheres introduziram dinâmicas diferentes» nas corporações, mas que, no essencial, o que caracteriza a missão dos Bombeiros não depende do sexo: «Esta é uma missão de honra, dever, partilha e serviço. É, então, para uma mulher ou para um homem, uma honra estar nesta estrutura», afirmou Duarte Caldeira.
O programa das Jornadas contemplou ainda a integração das mulheres noutros sectores, como o da Medicina (tema abordado pela cirurgiã Cláudia Galrão) e o meio militar (interveio a soldado Dulcília Carona, da GNR), bem como uma retrospectiva sobre a evolução do Direito português no tratamento da mulher e na promoção da igualdade jurídica entre os sexos, a cargo de Mário Cunha, Magistrado do Ministério Público.
A encerrar as II Jornadas da Mulher Bombeira, as vozes femininas alentejanas tomaram conta do auditório da Associação, com o Grupo Coral Feminino “Estrelas do Alentejo”, que veio de Santa Vitória (Beja), localidade de onde é natural Aurora Serrão, presidente dos BVPN. Por razões de saúde, a presidente viu-se impedida de assistir às Jornadas e à atuação do coral da sua terra que, por isso, lhe foi especialmente dedicada.
«Às mulheres, é-lhes exigido um percurso brilhante; aos homens, apenas o seu género», afirmou a Comandante dos Bombeiros Voluntários da Vidigueira, uma das intervenientes nas II Jornadas da Mulher Bombeira, promovidas pelos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo no passado Domingo, 13 de maio, no âmbito do programa que assinala o Dia Municipal do Bombeiro no concelho de Palmela. Outras e outros oradores convidados, entre os quais a Presidente da Câmara Municipal, sublinharam as diferenças e dificuldades sentidas pelas mulheres nos seus percursos ascendentes em sectores tradicionalmente masculinos. Como o dos Bombeiros.
Quando Judite Joaquim – pinhalnovense, bombeira de 1ª classe dos Voluntários Cruz Verde de Vila Real e socorrista do INEM no Porto – iniciou a sua intervenção, explicou que não estava ali para apresentar qualquer trabalho científico, mas apenas para falar da sua história de vida nos Bombeiros; em que a sua condição de mulher e mãe não impediu a profissional de conquistar o respeito dos seus pares e afirmar-se na sua área de eleição, o socorrismo.
E, a seguir, começou logo a pôr “o dedo na ferida”: «Quando entrei para os Bombeiros, em 1995, fui a primeira mulher numa corporação com 112 anos de existência. E tive de mostrar que fui para os Bombeiros para fazer algo pelos outros, e não para arranjar homem…», afirmou Judite, explicando: «Foi difícil provar que era digna de respeito. E tive de provar que merecíamos ter as cerca de 40 mulheres que a minha corporação tem atualmente, no corpo ativo e de aspirantes».
A tónica geral das intervenções produzidas ao longo das Jornadas foi a de que, em regra, às mulheres se exige mais do que aos homens para que consigam afirmar-se em funções de reconhecimento público. Por um lado, como notou a Presidente da Câmara Municipal de Palmela, porque «as mulheres continuam a acumular o trabalho com as mesmas funções familiares de sempre, seja no apoio às crianças ou aos idosos». Por outro lado, como sublinhou a Comandante dos Bombeiros Voluntários da Vidigueira, porque «as instituições reproduzem as diferenças de género e os preconceitos sociais» e os Bombeiros não são exceção.
«Qual é o verdadeiro estímulo das mulheres bombeiras?», perguntou-se a Presidente da Câmara Municipal de Palmela
Neste sentido, e referindo-se especificamente à sua área – a Política –, a autarca de Palmela reconheceu que «a forma como a Política é realizada é fruto da forma de estar dos homens na sociedade e na organização de toda a atividade produtiva». Ana Teresa Vicente exemplificou com um caso concreto: «É universalmente aceite que um homem tenha de sair mais cedo de uma reunião para ir buscar o carro à revisão, mas não que uma mulher diga que tem de sair mais cedo para ir buscar o filho à escola».
A Presidente considerou, assim, que «não faltarão razões práticas e objetivas para as mulheres passarem ao lado da Política», ao contrário do que afirmou estar a presenciar no sector dos Bombeiros. Ana Teresa Vicente regozijou-se por ver tantas mulheres nas fileiras mais jovens das corporações e perguntou-se: «Valia a pena pensar numa explicação para isto… Porque é que os jovens se sentem motivados para esta causa? Qual é o verdadeiro estímulo das mulheres bombeiras?» A autarca arriscou, enfim, uma resposta e um elogio: «Penso que o vosso estímulo é poder servir e ajudar o próximo. E quero dizer-vos que a vossa escolha é uma opção de grande valor!»
A resposta mais aprofundada à questão da Presidente da Câmara viria a ser dada por Nuno Domingues, sociólogo e bombeiro de 2ª classe do CB de Pinhal Novo, cuja intervenção – não prevista no programa inicial das Jornadas – se centrou nos resultados de um inquérito sobre o perfil das mulheres bombeiras, aplicado nas corporações do distrito de Setúbal. Relativamente ao que traz as mulheres aos corpos de bombeiros, o estudo apurou a prevalência de três motivações: em 1º lugar, o exercício da cidadania e uma forma de ajudar o próximo; em 2º lugar, os laços familiares e de amizade (isto é, o facto de se ter alguém conhecido nas corporações é apontado como motivação para integrar o grupo); e, em 3º lugar, o gosto pela atividade e a importância dos sonhos de criança.
Aqui, o sociólogo sublinhou que os bombeiros ainda são representados como «pessoas de grande coragem» e que continua a estar-lhes associada a ideia de herói: «Ainda não temos a heroína… está p’ra chegar», comentou Nuno Domingues. Um sinal nesse sentido poderá ser o facto de o prémio de “Bombeiro de Mérito” ser este ano, pela primeira vez, atribuído a uma mulher (Fátima Antunes, 34 anos, dos Bombeiros Voluntários da Ericeira), o que tem sido amplamente destacado pela Comunicação Social nacional (todavia, a distinção foi também atribuída ex aequo ao bombeiro António Serrano, dos Voluntários de Soure).
Segundo o estudo apresentado pelo bombeiro, a média de mulheres nos corpos activos do distrito de Setúbal é de 17%. Mas, como acrescentou, há muitas mulheres que participam nas corporações integradas noutros quadros, nomeadamente no de Especialistas e Auxiliares (incluindo as fanfarras), o que também «denuncia o seu encaminhamento para funções de ordem secundária». Nuno Domingues reconheceu que «ainda persiste a ideia de que determinadas funções são da competência dos homens» e que «o aumento de mulheres nos CBs é um facto relativamente recente», como se conclui da idade maioritariamente jovem das bombeiras do distrito.
«Ser Comandante no feminino não é fazer melhor; é fazer diferente», considerou a Comandante dos BV Vidigueira
Também a recém nomeada Comandante dos Bombeiros Voluntários da Vidigueira realçou que «a integração das mulheres nos corpos de bombeiros é tardia e pouco inclusiva», em consequência da tendência das instituições para reproduzirem as diferenças de género e os preconceitos socialmente aceites. Em algumas corporações «os horários noturnos continuam a ser interditos ao género feminino e por aqui se vê como há diferenças», exemplificou Noémia Ramos.
A este propósito, na intervenção precedente, Maria Manuela Rodrigues, 71 anos, há 21 no Quadro Auxiliar dos BVPN – que sublinhou a sua participação nas Jornadas também na qualidade de «mulher, mãe e sogra de bombeiros» – já tinha afirmado a sua disponibilidade para ajudar «as mais novas» a lutarem por uma camarata feminina no seu quartel, que ainda não existe.
«Os regulamentos dos CBs não fazem referências sexistas e discriminatórias, mas há os estereótipos sobre quem domina e quem é dominado», disse ainda a Comandante da Vidigueira, para quem «as regras podem ser quebradas e os lugares tradicionalmente masculinos podem passar à esfera feminina», mas com uma única diferença: «Às mulheres, é-lhes exigido um percurso brilhante; aos homens, apenas o seu género», afirmou a actual única Comandante do país.
De resto, Noémia Ramos garantiu não estar a sentir qualquer problema ao nível da aceitação junto do seu CB e recordou as palavras proferidas no seu recente discurso de tomada de posse: «O poder é algo efémero; tanto mais rápida é a sua morte quanto pior for a sua utilização». A alentejana mostrou-se, sempre, segura das suas capacidades – «Eu sou eu e não preciso de muitas apresentações…» – e confortável na sua farda de Comandante (há dois meses, a imprensa dava conta da dificuldade em encontrar farda para a sua baixa estatura.
«Ainda hoje eu fecho os olhos e consigo vê-las [as vítimas]», contou a bombeira Judite Joaquim, sobre um acidente que a marcou
No programa das Jornadas coube, em exclusivo, a Judite Joaquim o relato, na 1ª pessoa, das experiências de uma bombeira do Quadro Ativo. A engenheira de formação recordou como «uma paragem cardio-respiratória presenciada» e um acidente no IP4 com duas vítimas – «Ainda hoje eu fecho os olhos e consigo vê-las», confessou – a fizeram aperceber-se das limitações dos bombeiros no socorro pré-hospitalar e interessar-se pelo socorrismo, em especial. Já depois de ter concluído o curso de Tripulante de Ambulância de Socorro (TAS), numa turma com apenas duas mulheres em 16 formandos, Judite relatou as dificuldades em criar no seu corpo de bombeiros um grupo especializado na área da saúde, a começar pela «dificuldade em convencer o Comandante dessa necessidade».
O testemunho da bombeira de 1ª classe dos Voluntários Cruz Verde de Vila Real transmitiu, por outro lado, a convicção de que a uma mulher não há, à partida, funções vedadas. «Trabalhei na ambulância até aos 7 meses de gravidez», contou, confessando que só por vontade do seu Comandante terminou a gravidez ao serviço da central de comunicações. Depois, dada a dificuldade em exercer o direito às horas de amamentação previstas na lei, a sua bebé passou a ir com ela para o quartel e a ter um espaço próprio na camarata. Judite revelou como o quotidiano do quartel de bombeiros se adaptou à presença da sua filha – «A menina está a dormir…», pronunciavam os colegas, apelando ao silêncio – e, concluiu, «por isso é impossível não fazer com que a minha filha goste dos Bombeiros». E nem seria preciso vê-la fardada de bombeira a passear-se pelo palco do auditório da Associação, onde decorreram as Jornadas, para acreditar que o futuro das mulheres nas corporações está assegurado. «A menina é bombeira desde que nasceu; não há nenhum dia em que a Diana não vá aos Bombeiros», contou Judite Joaquim.
A bombeira confessou ainda o seu fascínio pelas brigadas heli-transportadas de combate a incêndios – «Quando chegava o Verão deixava de ser socorrista e tornava a ser bombeira» – e pelo apelo da sirene, enquanto estudante da Universidade de Trás-os-Montes: «A época de fogos florestais coincidia com a época de exames, o que sempre considerei uma grande injustiça», contou, lembrando as vezes em que largou os livros para acorrer ao toque da sirene.
Atualmente, Judite presta serviço no INEM, incluindo na moto de emergência, no Porto, e percorre os CBs da região fazendo formação de Tripulantes de Ambulância de Transporte (TAT). «Os CBs deviam reconhecer um bocadinho mais o trabalho que nós fazemos, porque, com algumas atitudes, acabam por fazer com que nos afastemos», desabafou.
E coube à sua irmã Helena, enfermeira e Equiparada a Adjunto de Comando dos BVPN – que acabou o dia a desempenhar o papel de “anfitriã” e “mestre de cerimónias” das Jornadas –, o encerramento dos trabalhos, com recurso a estas palavras de Madre Teresa de Calcutá, num incentivo à capacidade de resistência das mulheres: «Continua, quando todos esperam que desistas!»
«Para uma mulher ou para um homem, é uma honra estar nos Bombeiros», afirmou o presidente da LBP
Nestas II Jornadas da Mulher Bombeira – as primeiras a serem contabilizadas decorreram, no ano passado, em Santiago do Cacém, e as próximas poderão realizar-se em Óbidos (pelo menos, foram as representantes dos Bombeiros Voluntários de Óbidos [na foto acima] a aceitarem o repto lançado por Helena Joaquim para a organização da próxima edição) –, as corporações de Óbidos e Oliveira de Azeméis, cada uma com 5 participantes, foram as mais representadas na assistência. Da Azambuja vieram até ao Pinhal Novo quatro bombeiras. No encontro fizeram-se ainda representar os corpos de bombeiros de Loures, Moita, Sul e Sueste, Barreiro, Sesimbra, Santo André, Santiago do Cacém, Palmela e Pinhal Novo. Estiveram também presentes os presidentes das associações congéneres de Águas de Moura e Palmela, bem como os responsáveis do Serviço Municipal de Proteção Civil, Paulo Pacheco e Carlos Caçoete.
Convidado para a mesa de abertura – partilhada com o Comandante Distrital Alcino Marques e o presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Setúbal, Aníbal Reis Luís, para além do presidente da Mesa da Assembleia Geral da AHBVPN –, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses fez questão de saudar as «mulheres de combate» presentes, em especial as presidentes da Câmara Municipal de Palmela e da Direção dos BVPN, assim como a Comandante dos Voluntários da Vidigueira. Segundo os dados que apresentou, referentes ao ano de 2006, o número total de mulheres nas corporações do país é de 4150. Nos corpos gerentes das associações, são 92 as dirigentes em funções efetivas, das quais 9 são presidentes de direção, entre as quais a de Pinhal Novo, como realçou Duarte Caldeira.
O presidente da LBP sublinhou que «as mulheres introduziram dinâmicas diferentes» nas corporações, mas que, no essencial, o que caracteriza a missão dos Bombeiros não depende do sexo: «Esta é uma missão de honra, dever, partilha e serviço. É, então, para uma mulher ou para um homem, uma honra estar nesta estrutura», afirmou Duarte Caldeira.
O programa das Jornadas contemplou ainda a integração das mulheres noutros sectores, como o da Medicina (tema abordado pela cirurgiã Cláudia Galrão) e o meio militar (interveio a soldado Dulcília Carona, da GNR), bem como uma retrospetiva sobre a evolução do Direito português no tratamento da mulher e na promoção da igualdade jurídica entre os sexos, a cargo de Mário Cunha, Magistrado do Ministério Público.
A encerrar as II Jornadas da Mulher Bombeira, as vozes femininas alentejanas tomaram conta do auditório da Associação, com o Grupo Coral Feminino “Estrelas do Alentejo”, que veio de Santa Vitória (Beja), localidade de onde é natural Aurora Serrão, presidente dos BVPN. Por razões de saúde, a presidente viu-se impedida de assistir às Jornadas e à atuação do coral da sua terra que, por isso, lhe foi especialmente dedicada – na foto abaixo, gentilmente enviada por Cátia Dias, dos Bombeiros Voluntários de Óbidos.
Fonte: Helena Rodrigues da Silva (rep); Fotografias gentilmente cedidas por Adelino Chapa/CMP
Decorreu, na semana de 9 a 13 de abril, no Centro de Formação de S. João da Madeira da Escola Nacional de Bombeiros (ENB), o módulo de Práticas de Combate a Incêndios que culminou o Curso Geral de Quadros de Comando iniciado em fevereiro de 2007, no qual participou o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo.
A formação na área dos incêndios urbanos vem preconizando novos métodos de combate e uma reorganização do teatro de operações. Aquele que foi o 10º Curso de Práticas de Combate a Incêndios para Quadros de Comando, de cariz essencialmente técnico-prático, beneficiou das condições de simulação pedagógica existentes no pólo de S. João da Madeira da ENB.
Os representantes de dezasseis corporações de todo o país confrontaram-se, assim, com a dureza das condições em que os bombeiros podem ter de fazer ações de busca e salvamento, em espaços confinados. Os formandos puderam aplicar as técnicas de combate a incêndios urbanos, em edifícios de 4 pisos e em contentores confinados, camiões cisterna e caves subterrâneas, sob temperaturas que podiam chegar aos 300 graus.
Formação preconiza nova abordagem técnica e organizativa
Conforme explica o Comandante dos BVPN, as tarefas realizadas passaram por combater e extinguir incêndios, fazer busca e salvamento (neste caso, de um manequim com 90 quilos de peso) e controlar o fator tempo, quer o tempo de execução, quer o de preparação. No que respeita à preparação, é cronometrado o tempo que o bombeiro leva a vestir e montar o equipamento de proteção adequado: capacete com viseira, cogula, luvas, botas, casaco, calças de proteção e aparelho de proteção respiratória (ARICA). «Entre equipar, montar ARICA’s e estar pronto para entrar no edifício, começámos por gastar 7 minutos e terminámos em 2,5 minutos», conta Fernando Pestana.
Mas, para o Comandante, o mais interessante, na formação recebida, foi uma nova abordagem técnica ao combate aos incêndios urbanos, que defende o recurso a menos quantidade de água (para reduzir os danos resultantes do encharcamento, inclusivamente sobre o estado de saúde das vítimas). «Para o ataque ao fogo, foram recomendadas agulhetas e mangueiras com 25 mm de diâmetro, que não é o que estávamos habituados a utilizar», refere Fernando Pestana.
A formação ministrada preconizou ainda uma reformulação geral de toda a organização e disposição dos meios de socorro – humanos e materiais – no “teatro” das operações. Siglas como «HS» (o «Homem da Segurança», que fiscaliza todos os equipamentos de proteção individual antes dos operacionais entrarem no edifício) e «MLA» (o bombeiro que controla o Movimento das Linhas de Água na porta de acesso), ou a distinção entre «Zonas Quentes» e «Zonas Frias» ou «Zona de Evacuação» e «Zona de Controle» são alguns dos termos que integram o vocabulário do comando operacional, no combate a incêndios urbanos e industriais.
Sendo esta formação, à partida, direcionada para elementos de Comando que não provieram do Quadro Ativo das corporações, a pergunta seria inevitável. «Sente-se mais bombeiro?», pergunta-se ao Comandante. «Sim, sim… Tanto na liderança, como na execução técnica. E estou cheio de vontade de transmitir os conhecimentos que adquiri», responde, admitindo que a componente prática da formação foi muito exigente, especialmente pelo controlo do fator tempo e pelo esforço físico. «Foi duro, foi, foi…», diz Fernando Pestana (56 anos, Comandante do CBVPN desde 1989).
É muito importante dominar a vertente técnica nos bombeiros, mas não chega…
A mais-valia que este curso representa, para quem tem de desempenhar funções de Comando num Corpo de Bombeiros, é confirmada por João Faria, outro dos formandos da ação. Para o Comandante – há três anos – dos Bombeiros Voluntários Famalicenses, as conquistas são evidentes e vão desde a noção de organização do teatro de operações à perceção da gestão de homens e equipamentos – «o cuidado de não deixarmos ninguém no teatro de operações sem ter uma missão concreta confiada», enuncia –, passando pela própria «perceção do desgaste que o pessoal sofre». «Temos necessidade de estar permanentemente atualizados… a forma como encaramos hoje a problemática dos incêndios urbanos é muito diferente da que tínhamos», diz.
João Faria – advogado de profissão – reconhece que a importância deste curso não foi igual para todos os participantes, dada a heterogeneidade do percurso de cada um nos Bombeiros, mas, no seu caso, admite que também saiu de S. João da Madeira «mais bombeiro»: «Se calhar, nem me aperceberia desse facto se não tivesse feito o curso… Mas sinto-me muito mais confortável neste papel e até mais capaz de falar o código dos bombeiros, o que torna todas as coisas mais inteligíveis, mais compreensíveis». João Faria sublinha, contudo, que «o primeiro passo consiste em, mentalmente, nos sentirmos “homens da farda”» e que «já dei esse passo no dia em que aceitei comandar o meu Corpo de Bombeiros».
Para além da componente técnica da formação – «é evidente que é muito importante dominar a vertente técnica nos bombeiros, mas ser um bom técnico não é, necessariamente, sinónimo de ser um bom Comandante», defende –, o Comandante dos Famalicenses enaltece o enriquecimento pessoal obtido: «O grupo de formandos foi de uma enorme camaradagem e enorme espírito de grupo, sinto-me extremamente gratificado com os momentos que vivi e com as pessoas que conheci. No fundo, é isto que deve caracterizar a vida nos Corpos de Bombeiros». E acrescenta: «Percebi, por exemplo, que a escassez de meios ou a dificuldade não devem constituir motivo de discussão e de divisão».
João Faria testemunha, enfim, o apreço pela ENB: «Também é gratificante verificar que existe uma estrutura, a Escola Nacional de Bombeiros, com capacidade para prestar este serviço ao país».
Plano formativo em execução desde janeiro
A formação de quadros de Comando iniciou-se em 24 de fevereiro e prolongou-se, aos fins-de-semana, no Centro de Formação de Sintra da ENB, até 24 de março, antes da estadia em S. João da Madeira. Durante aquele período, dezasseis elementos de outras tantas corporações de bombeiros – Municipais de Faro e do Cartaxo, Profissionais Toyota Caetano e Voluntários de Amarante, Caminha, Faro (de onde era originária a única mulher do grupo de formandos), Favaios, Fontes, Izeda, Lagos, Penamacor, Pinhal Novo, Sanfins do Douro, Valadares, Vila Pouca de Aguiar e B.V. Famalicenses – frequentaram os módulos de Organização e Liderança e de Gestão Operacional.
No primeiro módulo, entre outras matérias, foram abordadas as normas legais que regulam o sector dos bombeiros e proteção civil e as questões levantadas pelo relacionamento com a Comunicação Social. No segundo, a formação incidiu sobre o Sistema de Comando Operacional e a gestão operacional aplicada aos vários cenários de intervenção: formaturas, incêndios florestais, incêndios urbanos, busca e salvamento, ventilação tática e matérias perigosas.
Refira-se que, na semana de 15 a 19 de janeiro deste ano, a ENB já promovera um Curso de Organização de Postos de Comando, em Sintra, dirigido a todas as corporações de bombeiros do distrito de Setúbal, no qual também participou o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo.
Fonte: Helena Rodrigues (texto); Fernando Pestana (foto)
A 2ª Secção do Corpo de Bombeiros de Pinhal Novo realizou, na parada do quartel, uma instrução com fogo real. O objetivo específico da ação foi testar as potencialidades do mais recente veículo operacional da corporação, recorrendo a três viaturas incendiadas para o efeito.
No passado Sábado, 14 de abril, pelas 18 horas, a 2ª Secção do CB iniciou uma instrução que teve por objetivo testar a capacidade do Veículo Tanque Tático Rural (VTTR), utilizando todo o seu material em simultâneo.
Inicialmente, o 2º Comandante elucidou os formandos sobre o funcionamento de algum do equipamento existente no veículo e, de seguida, passou-se à prática, na parada do quartel, com recurso a três viaturas de sucata. Procedeu-se à extinção do fogo nos veículos incendiados, utilizando dois meios de extinção: espuma e água.
Esta formação, de âmbito interno, contou com a presença de elementos da 2ª Secção (Chefe Manuela Rodrigues, Bombs. 2ª Cls. Fernando Martins e Mauro Henriques e Bomb. 3ª Cls. Pedro Costa), assim como de outros elementos que se encontravam de serviço no quartel (Bombs. 1ª Cls. António Barradas e António Oliveira, Bomb. 3ª Cls. Tiago Oliveira e Aspirantes Hugo Borbinhas, Artur Barreira e Paulo Bandarra).
Assistiu à instrução o Comandante do Corpo, que encerrou a mesma, referindo algumas técnicas a aplicar e mostrando-se satisfeito com a atuação e com o entusiasmo que envolvia os presentes.
Onde se compara o relacionamento interpessoal «à mistura de ácido MURIÁTICO com bolinhas de papel de alumínio fechadas numa garrafa de plástico». Eis uma reflexão, necessariamente parcial, sobre o «divórcio entre gerações», num artigo de um bombeiro que exerce o direito à opinião.
O relacionamento interpessoal é algo de extrema complexidade, que não é possível caracterizar por completo porque, para isso, seria necessário estudar todos os seres humanos de todas as épocas e de todos os tempos. Mas, quando este relacionamento tão complexo envolve pessoas de diferentes faixas etárias e com níveis de pensamento opostos, a interação poderá ser comparada à mistura de ácido sulfúrico com bolinhas de papel de alumínio fechadas numa garrafa de plástico, isto é, uma mistura explosiva. Porém, nem todos os relacionamento são assim (explosivos) – e ainda bem!
Penso que os conflitos começam quando os mais novos, que estão “com o sangue na guelra”, querem “mudar o mundo”, isto é, querem, simplesmente, tornar os processos mais simples, mais activos e até mesmo mais fiáveis; como, por exemplo, no trabalho, quando se pode substituir um monte de papelada por uma única folha.
Este processo pode ser complicado, uma vez que os mais “sectários” não estarão dispostos a aceitar a mudança e tenderão a oferecer resistência aos “idealistas”. Esta ideia aplica-se, por exemplo, ao chefe que se recusa a admitir que está ultrapassado ou, simplesmente, a aceitar que a proposta de um determinado subordinado possa ser a mais correta. É deste tipo de conflitos que todas as gerações têm sofrido e que, por vezes, dão origem a verdadeiras “batalhas”.
Quando o “campo da batalha” é o seio familiar, as coisas complicam-se, pois a vida dos dias de hoje jamais será igual aos tempos dos meus avós, em que a mulher ficava em casa a cuidar do lar e da educação dos filhos. O que é um facto é que hoje sou “obrigado” a concordar quando se diz que há uma taxa muito elevada de divórcio entre pais e filhos, o qual vai sendo alimentado desde o nascimento das crianças.
Passados quatro ou cinco meses sobre o nascimento, a criança vai para uma creche/jardim de infância, de onde só sai para ir para a “escola primária”. Mais tarde, quando está na “primária”, encontra-se também num centro de ocupação de tempos livres, até entrar no segundo ciclo. A partir daí, está por sua conta. E, das duas, uma: ou é um menor a quem foi incutido um grande sentido de responsabilidade e que sabe comportar-se em casa na ausência dos pais; ou torna-se em mais um número do insucesso escolar, entre outros problemas sociais.
Como se não bastasse tanta ausência, os pais, muitas vezes, vêm stressados dos seus trabalhos (porque, cada vez mais, estes se tornam mais exigentes), sem “pachorra” para “aturar” os seus descendentes. E o que fazem eles para que os filhos não “chateiem”? Que fazem, muitas das vezes, os pais para que os meninos continuem a gostar deles? Compram-lhes tudo e mais alguma coisa, até a pseudo-felicidade, o pseudo-carinho e a solidão, criando no seu imaginário (dos pais) uma certa pseudo-harmonia familiar. O mais certo é, “meia dúzia” de anos mais tarde, os primeiros problemas sociais começarem a surgir, isto é, a criança que tinha tudo pode vir a tornar-se num adolescente rebelde.
Uma criança sem carinho dos pais, quando se torna adulta, não é capaz de reconhecer nos seus ascendentes o sacrifício que estes fizeram para a criar. A imagem que as crianças guardam é de solidão e abandono, e esta irá dar continuidade ao divórcio entre gerações.
Pelas 10h00 do dia 2 de março, o toque da sirene anunciou a saída das viaturas de socorro para as instalações do Centro de Ocupação Infantil de Pinhal Novo (COI). Tratou-se de um simulacro de incêndio, que foi acompanhado pela reportagem da TVI – Ver Vídeo.
O exercício simulou um foco de incêndio numa das salas de aula daquele importante centro de educação infantil de Pinhal Novo, que obrigou a realizar operações de evacuação do estabelecimento e de socorro às vítimas. Para além de assinalar as comemorações do Dia Internacional da Proteção Civil – este ano celebrado em 1 de Março, sob o tema “A Proteção Civil e as Escolas” –, o simulacro serviu para testar a eficácia do Plano de Emergência interno do COI e a articulação entre os diferentes agentes envolvidos.
Rotinar procedimentos, testar as comunicações de emergência e os tempos de resposta dos vários agentes, bem como criar hábitos de segurança e de auto-proteção na população escolar, constituem objetivos específicos do exercício levado a cabo.
Para além do Corpo de Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo, participaram nas operações a Guarda Nacional Republicana, o Centro de Saúde e a Junta de Freguesia de Pinhal Novo, através do seu Corpo de Voluntários.
O batizado “Exercício COI 2006” enquadrou-se num conjunto de ações, em matéria de prevenção e segurança, que a Câmara Municipal de Palmela, através do Serviço Municipal de Proteção Civil (SMPC), leva a efeito em parceria com o Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Setúbal, envolvendo as corporações de bombeiros do concelho, GNR, EDP, SETGÁS, Centro de Saúde de Palmela, Juntas de Freguesia e estabelecimentos de ensino.
Ao primeiro livro de poesia, publicado em 2006, Rosélia Palminha, funcionária desta Associação, não deixou de retratar o dia-a-dia do quartel de bombeiros e contar, em verso, histórias de socorros reais. Ver os seus poemas editados em livro foi um sonho tornado realidade.
Para Rosélia Palminha não foi muito fácil escolher algumas dezenas de poemas para integrarem o seu primeiro livro, uma edição de autor datada de abril de 2006, a que deu o título «Linhas e Entrelinhas». «Posteriormente, já encontrei outros textos que achei que deviam estar aqui [no livro], mas tenho coisas muito dispersas, porque já são 30 anos de escritos», diz a autora.
Entre os selecionados estão vários poemas que aludem ao quotidiano dos bombeiros, a que Rosélia se encontra ligada há quase 17 anos, quando foi admitida na AHBVPN, como funcionária da secretaria. Ora mais dramáticos (como em «Dura Realidade» – Ler aqui), ora num registo de verso mais simples e direto (Sai o 112 / Numa chamada de esperança / Eficaz, o socorrista / Em situação imprevista / Faz nascer uma criança), na obra publicada de Rosélia Palminha encontra-se também o relato, em verso, de uma história verídica ocorrida com o bombeiro do Quadro Auxiliar José Cristo, e que é das mais divertidas que, há anos, se contam na corporação (Ler «Rábula»).
A autora reconhece que não há um tema predominante na sua escrita e que adota estilos muito diferentes uns dos outros. «Sou muito subjetiva, os textos nem sempre têm rima, nem métrica. A mensagem é a que sai pela ponta da caneta, muitas vezes identifico-me com as coisas só depois de as ter escrito», explica, considerando que os temas só terão em comum o facto de resultarem dos «resíduos dos anos».
Num dos poemas, por exemplo, regressa às suas origens em Abela, concelho de Santiago do Cacém, a sua terra natal: Guardo bem na ideia / A calma essência / Da pacatez da minha aldeia. (…) Dessas grandes amizades, / Hoje não falo / Para não manchar estas páginas / Com as lágrimas da Saudade.
«O primeiro verso que fiz, estava na 4ª classe», recorda Rosélia Palminha. «Este gosto de escrever vem do meu pai [«Foi dele que herdei o jeito da rima», escreve, na dedicatória]; só que ele partiu e não me deixou nem um verso, e, para que isso não acontecesse comigo, pensei em fazer este livro», conta.
A sua primeira obra tornou-se, assim, numa espécie de objeto de culto, que a poetisa insiste em ir descobrindo, como se fosse por acaso. «Tenho-o espalhado em vários sítios da casa ou do trabalho e, às vezes, passo e leio», diz. Rosélia também gosta muito de o partilhar com aqueles que a rodeiam: «Dá-me muito prazer oferecer o livro e gosto de saber a opinião das pessoas».
Tal como tem acontecido todos os anos, Rosélia Palminha participou, em Novembro do ano passado, no «5º Encontro da Palavra Dita», uma organização conjunta da Junta de Freguesia de Pinhal Novo e da Câmara Municipal de Palmela, que teve lugar no quartel dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo. No encontro participaram 39 poetas amadores do concelho de Palmela, com idades entre os 9 e os 86 anos, entre os quais poetas populares e crianças das escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico da freguesia. Cada poeta teve direito a declamar um poema na sessão, que resultará na edição do terceiro número da revista “Palavra Dita”, uma publicação da Junta de Freguesia de Pinhal Novo que reúne as produções apresentadas nestes encontros de poetas, fortemente implantados no calendário cultural da localidade. ……………………………………
Esta notícia surge, neste sítio, muitos meses depois de ter sido proposta à poetisa. Pelo atraso, pedimos imensas desculpas. Esperamos ter provado que foi com muito gosto que recebemos o «Entrelinhas» das mãos da autora e que também o fomos folheando e descobrindo.
A equipa de Salvamento em Grande Ângulo (SGA) do Corpo de Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo, «Radicais Livres», abriu o ano operacional no passado domingo, na Serra da Arrábida. Para esta equipa especializada, que se socorre de técnicas de salvamento e auto-salvamento, designadamente em fachadas de edifícios de grande altura, grutas ou falésias, a abertura do ano operacional significa o início do plano de formação contínua para 2007.
Esta ação de formação decorreu na Fenda, no Parque Natural da Arrábida, e contou com a presença de 11 elementos do Corpo de Bombeiros com formação multidisciplinar, incluindo o Curso de Salvamento em Grande Ângulo da Escola Nacional de Bombeiros.
O Corpo de Bombeiros de Pinhal Novo adquiriu o primeiro equipamento de SGA em 1998, recebeu formação inicial com os Bombeiros de Águas de Moura, realizou diversas acções de formação conjunta com os Bombeiros de Cacilhas, efetuou treinos de adaptação a meios aéreos na Escola de Tropas Aero-transportadas, em Tancos, e, em Dezembro de 2004, recebeu formação da Escola Nacional de Bombeiros – Ler Notícia.
Até à data, a equipa de resgate pinhalnovense apenas foi chamada a recorrer às técnicas de SGA para realizar operações de resgate de vítimas em poços: dois salvamentos de vítimas, com vida, o resgate de um cadáver e vários salvamentos de animais, além de diversos simulacros e demonstrações.
O plano de formação contínua para 2007, apresentado no passado dia 4, é auspicioso e pretende abordar a temática do salvamento em grande ângulo, da emergência médica e da preparação física.
Fonte: Luís Filipe Neto (texto); António Oliveira (foto)