A sirene tocou duas vezes

No feriado de 1 de novembro o toque da sirene dos Bombeiros soou duas vezes em Pinhal Novo, cerca das 13.30 h, a anunciar um acidente de viação. O chamamento pela sirene obedece a um código que os bombeiros conhecem bem. E que aqui se desvenda.

Eram 13.30 horas de segunda-feira, 1 de novembro, quando foi dado o alerta para um acidente rodoviário. Num dia feriado, à hora do almoço, o quartel dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo tem, habitualmente, menor número de operacionais do que nos dias normais da semana. É para estas situações que existe um recurso de emergência: o toque da sirene, como forma de chamar os bombeiros ao quartel.

Foi o que decidiu fazer o Chefe de Serviço António Barradas. Em caso de acidente, manda o código dos Bombeiros que a sirene toque duas vezes. E assim aconteceu. De imediato, o telefone da Central de Comunicações não parou de tocar. Conforme explica Maria Manuela Rodrigues, operadora da central, «muitos bombeiros acudiram ao toque da sirene e telefonaram para saber o que se passava, deslocando-se para o quartel ou diretamente para o local da ocorrência».

E consta que houve trabalho para todos. O acidente ocorreu na Estrada da Palhota, à descida da ponte da Rua Infante D. Henrique. Tratou-se de uma colisão entre dois veículos ligeiros, de que resultaram três feridos sem gravidade – uma criança e duas mulheres –, que foram transportados ao Hospital de Setúbal. Para a ocorrência foram mobilizadas quatro viaturas da corporação: as ambulâncias do INEM e de reserva do INEM, a viatura de salvamento e desencarceramento e uma viatura de transporte de pessoal, para apoio às operações de socorro. Também a GNR de Pinhal Novo esteve presente no local do acidente.

Mais reconhecido por, diariamente, anunciar o meio-dia e, anualmente, a chegada do Ano Novo, o toque da sirene obedece a um código que permite aos operacionais saber o tipo de ocorrência em causa. Assim, saiba você também que: três toques da sirene significam incêndio dentro da área operacional dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo; para incêndio fora da área, a sirene toca cinco ou mais vezes; um único toque é utilizado para chamar motoristas; e, como aconteceu agora, a sirene toca duas vezes em caso de acidente.

Curiosamente, foi pelo segundo dia consecutivo que a sirene dos Bombeiros tocou “fora de horas”. Já no dia anterior ao feriado, o toque tinha dado que falar em Pinhal Novo por ter soado às 11 horas. E não foi para chamar qualquer motorista. Foi mesmo porque alguém não se deu conta de que a hora tinha atrasado às duas da manhã de Domingo e se esqueceu de acertar o relógio.

Fonte: Helena Rodrigues (sirene fotografada, lá no alto, por Luís Neto)

«Autotanque» precisa-se

A falta de um veículo tanque tático de primeira intervenção no combate a incêndios constitui a maior carência operacional dos Bombeiros de Pinhal Novo. O único veículo tanque de que a corporação dispõe para uma primeira intervenção está há 22 anos ao serviço e já atingiu o seu limite de esforço.

A necessidade está diagnosticada: Pinhal Novo precisa de um veículo tanque de média capacidade com características táticas polivalentes, que permitam acorrer quer a incêndios florestais, quer a incêndios urbanos. A Associação já pediu apoio às entidades oficiais para a sua aquisição.

A eficácia da atuação dos Bombeiros de Pinhal Novo no combate a incêndios está dependente da substituição do atual veículo tanque tático urbano de média capacidade por um veículo tanque tático com maior polivalência. O objetivo é dotar a corporação com uma viatura que – para além de estar equipada com um tanque de cerca de 8000 litros de capacidade – permita o transporte de equipamento fixo e material sapador adequados a uma primeira intervenção no combate a incêndios, tanto urbanos como florestais.

Por outro lado, uma viatura com estas características deverá permitir aos operacionais optar pelo combate ao incêndio utilizando água ou espuma, como agentes extintores, pelo que deve, também, estar equipada com um tanque com capacidade para cerca de 200 litros de espumífero.

Em causa estará um investimento que deve rondar os 125 mil Euros. Nesse sentido, a Associação já apresentou ao Serviço Nacional de Bombeiros e Proteção Civil e à Câmara Municipal de Palmela uma proposta de orçamento para aquisição da viatura. A comparticipação das entidades oficiais num investimento desta envergadura é, naturalmente, uma condição indispensável à manutenção do dispositivo deste Corpo de Bombeiros enquadrado na sua tipificação, nomeadamente para a primeira intervenção na área onde este tem responsabilidades operacionais.

22 anos é muito tempo

O único veículo tanque tático (VTTU 01) dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo foi construído em 1982 e é constituído por uma cisterna com capacidade para transportar 7500 litros de água, para combate a incêndios ou abastecimento às populações. Ao fim de 22 anos ao serviço da corporação, a viatura está em muito mau estado e já não responde às necessidades de uma primeira intervenção no combate aos incêndios.

O veículo apresenta uma evidente fragilidade mecânica e estrutural, uma corrosão generalizada e não dispõe de suficientes espaços para adaptação de equipamentos de combate.

Os outros dois veículos tanque dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo são veículos de grande capacidade (33 e 20 mil litros) que, pelas suas características técnicas e operacionais, se adequam ao reabastecimento de veículos tanque tácticos no teatro de operações, de forma a que estes possam abastecer os veículos de combate a incêndios. Adaptam-se ainda a incêndios de grandes dimensões, tais como incêndios industriais, ou a aeronaves, e não a uma primeira intervenção em incêndios rurais ou urbanos.

Fonte: Helena Rodrigues (c/ F. Pestana e L. Neto)

Parabéns, Senhor Adjunto!

Há três anos, numa entrevista a um jornal local, traçava-se de Raul Prazeres o retrato de um garoto reguila que não resistia ao toque da sirene. Ser bombeiro foi um sonho de miúdo. Hoje, o Adjunto de Comando dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo faz anos. Parabéns, Raul!

«O bichinho de ser bombeiro já andava comigo», contou, numa entrevista ao Jornal do Pinhal Novo em 2001, sobre a sua entrada para os Bombeiros, aos 17 anos, puxado por amigos que também seguiram o mesmo caminho. Raul Prazeres morava na velhinha Rua Júlio Dinis e não resistia à vontade de ajudar os bombeiros quando a sirene tocava. Muitas vezes, montava na bicicleta e ia atrás do carro dos bombeiros.

Raul Prazeres nasceu em 25 de outubro de 1961 e ingressou no Corpo de Bombeiros em 1979. Atualmente, é Adjunto de Comando e um dos “braços direitos” do Comandante Fernando Pestana.

E garante que o toque da sirene de uma ambulância ou de um carro de incêndio continua a despertar nele o desejo de ajudar o próximo. Raul Prazeres diz que o que caracteriza um bombeiro voluntário é o «não ter hora para ser chamado e estar sempre predisposto a colaborar com alguém que precisa».

Parabéns a você!

Fonte: Helena Rodrigues (foto editada por João Torres)

Bombeiros visitam INEM

A convite do Gabinete de Informação do Instituto Nacional de Emergência Médica, uma delegação dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo deslocou-se, na manhã de segunda-feira, 20 de setembro, às instalações do INEM, em Lisboa. Uma oportunidade para visitar a mega-central de comunicações que regula a receção das chamadas para o 112 e o acionamento dos meios de socorro: o CODU – Centro de Orientação de Doentes Urgentes, de Lisboa e Vale do Tejo.

«Isto sim, é uma verdadeira central!», comentavam os operacionais de Pinhal Novo, perante a imensa sala “open-space” onde operacionais e médicos levam a cabo a triagem, aprovação e acionamento dos meios de socorro, em função das chamadas efetuadas para o Nº Europeu de Emergência, 112. É um espaço onde, dificilmente, dada a ausência de sinais de “stress”, o visitante se apercebe de que, nos monitores de computador e nas comunicações por rádio e telefone, estão em jogo a vida e a morte. Vinte e quatro sobre 24 horas.

A visita ao CODU foi orientada pelo operador Pedro Coelho, bombeiro desde 1976 («Já tenho muitos anos de farda de bombeiro», fez questão de sublinhar, perante uma assistência maioritariamente fardada). No início da visita guiada, o operador fez uma apresentação multimédia, em sala, sobre o Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), os seus serviços (CODU de Lisboa, Porto, Coimbra e Algarve; CODU-Mar; CIAV – Centro de Informação Antivenenos; e Subsistema de Transporte de Recém-nascidos) e os seus meios (as ambulâncias, as VMER – Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação, e os helicópteros de emergência médica).

O responsável do INEM chamou especial atenção para a fase do pré-socorro, na qual os operadores do CODU prestam aconselhamento ao público sobre como intervir junto da vítima, até à chegada da ambulância ou de outro meio mobilizado. Pedro Coelho sublinhou a importância dessa intervenção, por exemplo, nas situações de obstrução da via aérea ou de parto iminente, e relatou casos em que foi possível salvar vidas à distância, apenas mediante aconselhamento telefónico. Perante uma dúvida levantada sobre o alegado acionamento de meios de socorro privados, de empresas privadas ou entidades públicas, o técnico do INEM negou que o CODU o fizesse e esclareceu mesmo que é prática do Instituto não fornecer ao público quaisquer contactos de prestadores de serviços médicos privados.

A delegação de Pinhal Novo que visitou o INEM foi constituída pela enfermeira Helena Joaquim, pelos bombeiros Luís Neto, Rui Jorge Silva, Rudi Matos, Carlos Marta, Paulo Costa e Vítor Valente (seis dos elementos da corporação pinhalnovense com formação de Técnico de Ambulância de Socorro – TAS) e, ainda, pelos bombeiros Tiago Silva e Ruben Charrua, o aspirante Cristóvão Vinagreiro e o cadete Francisco Palmela. O grupo teve, também, o especial prazer de encontrar, de serviço ao CODU, o médico Richard Glied, responsável pela Direção Médica do Serviço de Emergência Pré-Hospitalar assegurado pelo Corpo de Bombeiros.

No rescaldo da visita, Helena Silva, o membro da Direção da Associação que acompanhou os operacionais (o grupo incluía ainda, como convidada especial, a esposa do médico Richard Glied), só conseguia comparar a sala do CODU, com os seus terminais de computador, monitores de TV e equipamentos de comunicações, às salas “open-space” das redações dos jornais e televisões nacionais. Mas quando, na maioria das redações, prevalece o barulho, o “stress” e o fumo dos cigarros, na asséptica sala do CODU, no primeiro andar do nº 36 da Rua Almirante Barroso, em Lisboa, tudo parece respirar silêncio e auto-controlo.

Fonte: Helena Rodrigues (Reportagem); Luís Neto (Fotos)

A morte não escolhe hora própria

Uma idosa faleceu, vítima de paragem cárdio-respiratória, junto à igreja de Pinhal Novo, durante o casamento da própria neta. Os bombeiros de Pinhal Novo acorreram ao local, mas limitaram-se a verificar que a morte não escolhe hora própria.

Emília de Almeida, cerca de 80 anos, residente na Lagoa da Palha, caminhava para a igreja paroquial de Pinhal Novo, integrando o cortejo de casamento da neta, quando foi vítima de uma paragem cárdio-respiratória. A ocorrência verificou-se quando faltavam cerca de dez minutos para as 12 horas de sábado, 11 de setembro.

Acionados os Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo, via 112, a corporação enviou para o local uma ambulância de socorro, uma vez que a viatura do INEM instalada no Posto de Emergência Médica de Pinhal Novo se encontrava a executar um serviço para o Hospital Distrital de Setúbal. Todavia, a situação da vítima era irreversível.

Solicitado o apoio da viatura médica do INEM (VMER), instalada em Setúbal, acorreram ao local um enfermeiro e um médico, que se limitou a confirmar o óbito da idosa. A vítima não chegou a ser transportada ao hospital, tendo ficado na capela da igreja.

Ao que foi possível apurar junto da família da vítima, a cerimónia de casamento do casal Mário Domingos e Rute acabou por concretizar-se, apesar do infeliz acontecimento, tendo a boda decorrido num contexto de natural consternação e reserva familiar.

Essa foi, de resto, uma manhã complicada para os serviços de emergência pré-hospitalar da corporação pinhalnovense. No total, foram três as ocorrências que exigiram a intervenção da viatura médica do INEM. Pelas 10 horas da manhã, um doente afetado por uma grave crise de diabetes teve de ser socorrido na sua residência, não tendo sido necessário levá-lo ao hospital. Já depois do caso da morte junto à igreja, uma vítima de obstrução da via aérea foi também assistida pela equipa médica do INEM e transportada pelos bombeiros de Pinhal Novo para o Hospital Distrital de Setúbal.

Fonte: F. Pestana; Helena Rodrigues

Incêndio em habitação faz um ferido ligeiro

Um incêndio numa habitação, na tarde de terça-feira, provocou um ferido ligeiro, com intoxicação por inalação de fumos, e danos num quarto. Tudo aconteceu numa moradia situada junto à Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Pinhal Novo.

O incêndio, de origem acidental, terá sido provocado por um queimador de incenso e causou danos em mobiliário e peças de vestuário.

O incidente não teve proporções mais graves devido ao sangue-frio dos trabalhadores que procediam à reparação do telhado da moradia, e que controlaram o foco de incêndio, ainda antes da chegada dos bombeiros.

Com a chegada dos bombeiros, o incêndio foi extinto e procedeu-se à desenfumagem do espaço. Os dois ocupantes da moradia, uma criança e uma senhora de 63 anos, foram assistidos por elementos do serviço de urgência pré-hospitalar deste Corpo de Bombeiros. A senhora teve de ser transportada ao Hospital de S. Bernardo, em Setúbal, devido a intoxicação por inalação de fumos.

Fonte: Luís Neto

Rio Frio arde outra vez

No último sábado de agosto, entre as 15:18 e as 21:20 horas, foram consumidos pelas chamas cerca de 62 hectares da já muito martirizada mancha de sobreiro de Rio Frio. O combate ao incêndio implicou a intervenção de 42 bombeiros, de seis corporações do distrito de Setúbal. O incêndio ficou sob investigação policial.

O incêndio florestal foi detetado no sábado, 28 de agosto, pelas 15:18 horas, junto à Estrada Municipal 1027, entre as localidades de Lagoa da Palha e Monte de Rio Frio, e estendeu-se até junto da Barragem do Vinte e Dois, em Arraiados. No combate ao incêndio, a corporação pinhalnovense envolveu, além do veículo florestal de combate a incêndios (VFCI) do corpo de bombeiros, dois veículos tanque de grande capacidade, um veículo de transporte de pessoal e um veículo de comando, num total de 11 bombeiros.

Nas operações, estiveram ainda envolvidos mais sete veículos de combate a incêndios dos corpos de bombeiros voluntários de Palmela, Setúbal, Montijo, Moita e Alcochete. Os meios utilizados totalizaram, assim, 42 bombeiros de seis corporações, de cinco concelhos do distrito de Setúbal.

Este foi o mais rude golpe na mancha de sobreiro de Rio Frio, nos últimos anos, desconhecendo-se ainda as causas do incêndio, que estão a ser investigadas pelas autoridades policiais de investigação criminal.

Segundo incêndio em quatro dias

Já na quarta-feira anterior, outro foco de incêndio em pasto, junto à barragem de Lagoa da Palha, atingira o chaparral de Rio Frio, consumindo cerca de dois hectares de montado de sobreiro, além de outros cinco hectares de pasto e mato rasteiro.

O alerta foi dado pelas 16:46 horas, quando o foco de incêndio progredia junto à barragem de Lagoa da Palha, perto da A12. Apesar da rápida chegada dos bombeiros, com duas viaturas e oito homens, não foi possível impedir que as chamas, tocadas pelo vento, ultrapassassem a Estrada Municipal 1027.

As chamas, depois de ultrapassar este obstáculo, conseguiram ainda, até serem controladas pelos bombeiros e máquinas de rasto, atingir cerca de dois hectares da mancha de sobreiro de Rio Frio.

Nas operações de extinção do fogo, estiveram envolvidos quatro veículos de combate a incêndio do Corpo de Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo, um veículo do Corpo de Bombeiros Voluntários de Palmela e duas equipas de sapadores florestais. Além da GNR de Pinhal Novo, também o Coordenador da Polícia Florestal esteve no local, procedendo à avaliação dos estragos e à averiguação das possíveis causas do incêndio.

Fonte: Luís Neto

Morte na estrada

Um homem de 33 anos foi encontrado inconsciente, com esvicerações, na via pública, acabando por falecer, ainda por causas desconhecidas. A morte na estrada aconteceu na tarde de terça-feira, em Pinhal Novo.

O alerta foi dado pelas 15:20 horas, quando populares identificaram um homem inconsciente, no cruzamento da rua Infante D. Henrique com a Rua Almeida Garrett, perto da Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Pinhal Novo.

O homem encontrava-se inconsciente, com uma ferida no abdómen e esviceração, dentro da faixa de rodagem, junto a um motociclo. Pouco depois da chegada da ambulância, entrou em paragem cardio-respiratória.

A equipa de bombeiros socorristas da ambulância iniciou de imediato manobras de Suporte Básico de Vida e tentou ainda, com a chegada da viatura médica do INEM, manobras de Suporte Avançado de Vida, mas sem conseguir reverter a paragem cardíaca, e a vítima acabou por falecer.

O que, supostamente, terá sido um despiste de motociclo, com resultados drásticos, ocorreu, inexplicavelmente, num cruzamento de duas ruas bastante calmas do lado sul da vila pinhalnovense. Mas onde, no último mês, uma colisão entre um ligeiro de passageiros e um motociclo já causara um ferido grave.

O Comandante do Posto da GNR de Pinhal Novo esteve no local e tomou conta da ocorrência, que se encontra em averiguações.

Fonte: Luís Neto

Incêndio em Rio Frio destrói 12 hectares de sobreiros e terrenos agrícolas

Um novo incêndio em Rio Frio, que eclodiu no passado sábado, pelas 17:00 horas, consumiu cerca de 12 hectares de montado de sobreiro e terrenos agrícolas junto à Poça da Partilha e à Estrada Nacional 5. Habitações e o Palácio de Rio Frio estiveram ameaçados. No combate às chamas estiveram envolvidos 49 bombeiros de 6 corporações, originárias de 5 concelhos distintos. Em pouco mais de quinze dias, foi a segunda vez que o fogo atingiu uma das mais importantes manchas de sobreiro da Europa.

A população de Rio Frio viveu momentos angustiantes quando as chamas ameaçaram habitações e o próprio Palácio de Rio Frio. A intervenção dos bombeiros permitiu proteger estes bens, mas perderam-se sobreiros e eucaliptos centenários, infra-estruturas de telecomunicações e parte de uma plantação de milho.

Em pouco mais de quinze dias, foi a segunda vez que o fogo atingiu a importante mancha de sobreiro de Rio Frio. Desta vez, o combate ao incêndio foi dificultado pela escassez de meios, uma vez que o corpo de bombeiros voluntários de Pinhal Novo já se encontrava a combater um outro incêndio no concelho da Moita, e foi necessário mobilizar recursos exteriores para a primeira intervenção.

Além de cinco veículos deste corpo de bombeiros, foi necessário mobilizar meios de combate a incêndios dos corpos de bombeiros de Águas de Moura, Alcochete e Canha. Todavia, os meios enviados pelo Corpo de Bombeiros Voluntários de Águas de Moura localizaram um outro foco de incêndio, perto da localidade de Poceirão, e acabaram por ser desviados do combate ao incêndio de Rio Frio.

Com outros incêndios florestais nos concelhos da Moita e Palmela, o Centro Distrital de Operações de Socorro de Setúbal viu-se forçado a mobilizar uma Coluna de Socorro com meios dos corpos de bombeiros do Seixal, Trafaria e Cacilhas.

No total, o incêndio foi combatido por 49 bombeiros de 6 corporações, de 5 concelhos distintos.

A Polícia Florestal esteve no local para investigar as causas do incêndio.

Fonte: Luís Neto (Texto e Foto)

Arrábida já perdeu 30 a 40% do parque natural, num país em chamas

Depois de chegar a ser dado como extinto, o incêndio de domingo na Serra da Arrábida reacendeu-se ontem, mas está agora considerado circunscrito. O ministro da Administração Interna já reconheceu que, desde domingo, o número de fogos “disparou” em Portugal. As imagens do desespero na luta contra as chamas voltaram a abrir os telejornais.

O incêndio na Serra da Arrábida foi considerado circunscrito esta manhã, mas era ainda, dos vários fogos que têm assolado o país desde domingo, o que mantinha mais meios no terreno: cerca de 200 bombeiros, 59 veículos e um meio aéreo. O fogo entrou em fase de rescaldo, mas mantendo alguns focos ativos no alto da serra e no Vale da Rasca. O coordenador distrital de bombeiros, Alcino Marques, reconheceu o perigo de se perder o controlo do incêndio devido à intensidade do vento e à previsível subida de temperatura nas próximas horas.

«Estamos a abrir caminhos com moto serras para que os nossos homens possam instalar algumas linhas de água no alto da serra que permitam um combate à chamas mais eficaz», disse o coordenador distrital de bombeiros. «O Vale da Rasca, onde se verificou mais um reacendimento durante a noite, é outro ponto crítico devido à proximidade de dezenas de habitações», acrescentou Alcino Marques, garantindo, no entanto, que está montado um dispositivo de segurança para salvaguarda de pessoas e bens.

«Não tinha pernas para fugir»

Em Pinhal Novo, muita gente testemunhou o pânico sentido no domingo, quando as praias da Arrábida tiveram de ser evacuadas devido à ameaça das chamas. «Não fugi porque não tinha pernas para fugir. Nunca vi nada assim!», desabafava uma pinhalnovense, num café da vila. Pelo segundo dia consecutivo, as praias da Figueirinha, Galapos e Arrábida voltaram ontem a ser evacuadas devido à propagação do incêndio à encosta sul da serra.

Por parte da proteção civil municipal e do Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, ouviram-se críticas ao facto do avião Canadair de combate a incêndios, que tinha sido chamado às 14:00 h, só ter começado a operar na Serra da Arrábida às 17:00. «Num sítio destes, o ataque devia ser feito em força, com muitos meios aéreos. Desde domingo. Só assim se evitava tudo isto», desabafava Carlos Sousa, no local. Três helicópteros ligeiros que, durante a manhã de ontem, tinham sido disponibilizados para o incêndio, acabaram, entretanto, por ser mobilizados para outros fogos.

A inexistência de meios aéreos no combate ao incêndio da Arrábida preocupou também a administração da cimenteira Secil, que ontem colocou dezenas de trabalhadores a combater as chamas, para impedir que o fogo se propagasse ao interior do perímetro da fábrica.

O incêndio da Serra da Arrábida teve início às 13.45 h de domingo, na Herdade do Arneiro, e percorreu cerca de três quilómetros no espaço de uma hora, devido às condições climatéricas e ao tipo de vegetação. Até ao momento, já ardeu cerca de 30 a 40% do Parque Natural da Arrábida, o que é unanimemente considerado, por responsáveis autárquicos e organizações ambientais, uma perda irreparável e um desastre para a região.

Ministro diz que «número de fogos quadruplicou» e pede ajuda internacional

O ministro da Administração Interna já reconheceu que, nos últimos dois dias, o número de incêndios em Portugal quadruplicou relativamente ao mesmo período de 2003, e admitiu que, face à quantidade de fogos, os meios nunca são suficientes. Daniel Sanches, empossado no cargo há pouco mais de uma semana, teve ontem a sua primeira visita oficial ao deslocar-se ao posto de comando de operações dos bombeiros em Bocal, Mafra.

À noite, o ministro esteve reunido durante cerca de duas horas com responsáveis do Serviço Nacional de Bombeiros e Proteção Civil, em Carnaxide, e falou aos jornalistas, fazendo o ponto da situação do combate aos incêndios e anunciando para hoje a chegada de apoio internacional. Enquanto isso, o Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, num debate na SIC Notícias em que também participou o Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, acusava o Estado de ainda não ter olhado para o problema do socorro em Portugal, nas suas várias vertentes, como uma prioridade nacional, com consequências negativas sobre o financiamento das corporações de bombeiros e, por isso, sobre os meios humanos e materiais disponíveis para o combate aos incêndios.

Em conformidade com o anúncio do ministro, dois aviões Canadair da Grécia devem aterrar esta tarde na Base Aérea de Beja. Além destes dois, foi também desencadeado um pedido a Espanha e outro a Itália, país que já se tinha disponibilizado para apoiar o combate aos fogos em Portugal com um Canadair. No total, cinco países europeus disponibilizaram-se para ajudar Portugal no combate aos incêndios, oferecendo um total de nove helicópteros e quatro aviões com tanques de água, segundo dados da Comissão Europeia, que está a coordenar o apoio ao país. Além da Grécia, Alemanha (oito helicópteros), Itália (um Canadair), Reino Unido (um avião L188) e Noruega (um helicóptero) foram os países que responderam positivamente ao apelo do Governo português ao Centro de Informação e Monitorização da União Europeia para o envio de meios aéreos pesados. Também a França se disponibilizou, mas apenas a partir de quinta-feira.

De acordo com os números oficiais, oito incêndios florestais estavam, às 14:50 h de hoje, ativos no território continental português e os que absorviam mais meios de combate lavravam nos concelhos de Faro e Almodôvar. Dois bombeiros ficaram hoje feridos no combate a um incêndio que lavra na Serra da Penha, na periferia de Portalegre, onde as chamas já ameaçaram casas, deixando a população em pânico; fonte do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Portalegre adiantou à Agência Lusa que os dois bombeiros sofreram ferimentos ligeiros, tendo sido transportados para o hospital da cidade.

Fonte: Helena Rodrigues (c/ Lusa e imprensa)