Bebé de 15 meses não sobreviveu a atropelamento

Uma criança com cerca de ano e meio faleceu, na tarde de segunda-feira, 11 de abril, na sequência de um atropelamento ocorrido na Fonte da Vaca, em Pinhal Novo. Gravemente ferida, com múltiplas fraturas, a mãe do bebé foi transportada para o Hospital Garcia de Orta.

As palavras de desânimo são do Subchefe Vasco Marto: «Quando chegámos ao local, a criança já estava sem vida… Fizeram-se todos os possíveis, mas não se conseguiu inverter a situação», conta, acabado de regressar da ocorrência. Mais uma vez, por envolver uma criança, o bombeiro reconhece que a situação foi particularmente traumatizante para a equipa de emergência pré-hospitalar da corporação.

O acidente aconteceu pouco depois das 16 horas desta segunda-feira, 11 de abril, quando a criança e a mãe seguiam a pé e foram abalroadas por uma viatura ligeira. A mãe sofreu múltiplas fraturas e foi transportada, em estado grave, para o Hospital Garcia de Orta, em Almada.

«Quando chegámos ao local, tanto o motorista do veículo ligeiro como a acompanhante estavam muito transtornados. A acompanhante estava junto da criança a tentar fazer manobras de reanimação», acrescenta Vasco Marto.

Chamada ao local, a VMER de Setúbal confirmou a morte da pequena vítima. No socorro ao acidente estiveram envolvidas a ambulância do INEM e uma segunda ambulância, bem como o veículo de salvamento e desencarceramento deste Corpo de Bombeiros.

Nas operações participaram 11 bombeiros, três dos quais com formação de Tripulante de Ambulância de Socorro (TAS).

Fonte: HR, c/ CB

Juvebombeiro: Cerca de 500 jovens bombeiros reúnem-se no Algarve

Perto de quinhentos bombeiros de todo o país, com idades entre os 14 e os 30 anos, participaram, em Portimão, no fim-de-semana de 8 a 10 de abril, no VII Encontro Nacional da Juvebombeiro. Pinhal Novo fez-se representar por uma comitiva de cinco bombeiros.

Assinalando o 5.º aniversário da criação da Juvebombeiro, a Liga dos Bombeiros Portugueses, com o apoio da Câmara Municipal de Portimão e da Associação dos Bombeiros Voluntários de Portimão, promoveu, nos dias 8, 9 e 10 de abril, o VII Encontro Nacional da Juvebombeiro, que teve lugar no Parque de Feiras e Exposições de Portimão e no Auditório Municipal de Portimão.

O Encontro da Juvebombeiro – estrutura criada pela Liga dos Bombeiros Portugueses para bombeiros dos 14 aos 30 anos – contou com a participação de perto de 500 jovens bombeiros de todo o país (ligeiramente menos do que os 600 esperados), e pretendeu ser um decisivo contributo para o debate e a partilha de ideias e experiências vividas por estes no domínio das suas atividades como bombeiros.

Ao longo dos três dias, o Encontro teve o seguinte Programa:

6ª feira – 8.4.2005
17h00 Abertura do Secretariado (instalações do quartel dos BV Portimão)
24h00 Encerramento do Secretariado
Noite Livre

Sábado – 9.4.2005
09h00 Abertura do Secretariado (Auditório Municipal)
09h30 Abertura Oficial do VII Encontro Nacional da Juvebombeiro, com a projeção de filme institucional em torno dos 5 anos do Projeto Juvebombeiro
09h50 “Juvebombeiro: 5 anos pela juventude dos bombeiros”
Intervenientes: Eduardo Calhau, Nuno Coroado e Graciete Pinto
10h45 Intervalo
11h15 Debate
12h30 Síntese Conclusiva
12h45 Almoço (Parque de Feiras e Exposições de Portimão)
14h30 Recomeço do Encontro:
Simulacro de acidente com três viaturas, com a participação de equipas de saúde, de combate a incêndios e mergulhadores
Exposições de Fotografia e de Miniaturas
Workshop – Suporte Básico de Vida
Animação
17h30 Encerramento
20h00 Jantar (Parque de Feiras e Exposições de Portimão)

Domingo – 10.4.2005
11h00 Sessão de Encerramento do VII Encontro Nacional da Juvebombeiro com entrega de Prémios e Lembranças
12h30 Almoço de Encerramento (Parque de Feiras e Exposições de Portimão)

Fonte: LBP; Foto de Luís Neto (Galeria de Fotos BVPN)

Quartel recebeu a visita de mais de cem crianças

Várias dezenas de crianças do Centro de Ocupação Infantil de Pinhal Novo passaram, na última semana de fevereiro, pelo quartel de bombeiros local. O melhor da visita e estudo terá sido mesmo a voltinha no VFCI-01.

«Eles ficam radiantes!», conta o Subchefe Vasco Marto

sobre a reação das crianças ao pequeno passeio no Veículo Florestal de Combate a Incêndios da corporação. As visitas programadas das crianças do Centro de Ocupação Infantil de Pinhal Novo, que tiveram lugar entre 21 e 25 de fevereiro, terminaram com uma pequena volta ao quartel naquela viatura: cinco pequenos passageiros de cada vez, acompanhados por uma das educadoras.

Antes, as crianças receberam uma pequena palestra no auditório da Associação, em que foram focadas questões básicas de segurança e transmitidos alertas para situações de perigo no dia-a-dia. Seguiu-se a visita à central de comunicações e ao parque das viaturas de saúde e de incêndio.

Antes do passeio no VFCI, ainda houve tempo, segundo explica Vasco Marto, para tirarem «umas fotos fardados com casaco Nomex, botas, calças e capacete». Para mais tarde recordar.

Com idades entre os 3 e os 7 anos, os ilustres visitantes do quartel pertencem às turmas do Jardim de Infância, ATL, Pré-Escolar e Ensino Básico daquele importante centro de educação infantil de Pinhal Novo.

Fonte: HR c/ Vasco Marto

Equipa de resgate treina na Arrábida

É na Serra da Arrábida que os bombeiros de Pinhal Novo encontram, sem ter de ir para muito longe, condições naturais para exercitar as técnicas de Salvamento em Grande Ângulo. O último treino decorreu em fevereiro.

A equipa de Salvamento (ou Resgate) em Grande Ângulo (SGA) dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo deslocou-se à Arrábida para o seu mais recente treino. E, a avaliar pelos registos fotográficos da jornada, percebe-se como a Serra pode também ser o ambiente ideal para um dia de convívio, entre amigos

O treino incidiu sobre as técnicas para realizar operações de salvamento em locais de difícil acesso, designadamente, em arribas, poços, pontes e em meio urbano, com evacuação de vítimas de edifícios de média e grande altura.

Neste tipo de intervenção, são utilizados equipamentos específicos (os primeiros foram adquiridos pela corporação em 1998), reunidos num veículo atrelado adquirido pela Associação em 2003. São equipamentos certificados de montanhismo e espeleologia, uma vez que o SGA recorre, com algumas adaptações, às técnicas destas modalidades.

Até à data, o CB de Pinhal Novo já foi chamado a recorrer às técnicas de SGA para realizar operações de resgate de vítimas em poços, incluindo vários salvamentos de animais. Dada a especificidade destas técnicas, os treinos são fundamentais para manter a equipa de resgate operacional. O último curso sobre esta matéria, realizado no CB, decorreu em dezembro de 2004 – Ler Notícia.

Fonte: Helena Rodrigues

Crónica de uma Assembleia emocionada

Tinham-lhe dito para vir votar na Assembleia Geral da Associação dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo. E explicaram-lhe que «não é para ele se ir embora; é só para dar um cargo a outro e ficar ele com o outro», conta Lucília Rosa Marques (na foto), 70 anos, a primeira sócia a chegar ao auditório da Associação na sexta-feira, 4 de março. Afinal, acabaria por não participar numa assembleia dolorosa, de nervos à flor da pele, onde quase tudo girou à volta da acumulação, ou confusão, de cargos. Conseguem as pessoas envergar, em simultâneo, vários tipos de fardas? Ou despir umas e enfiar outras, consoante as circunstâncias?

Ainda nem eram 20h30 (a hora para que estava convocada a Assembleia, sabendo-se que só começaria uma hora depois) e já Lucília Rosa Marques subia, com dificuldade, a escada de acesso ao 1º andar do quartel de Pinhal Novo (mais tarde, no plenário, viria a ser levantado o problema do acesso aos serviços administrativos – todos localizados no 1º andar – para os idosos e utentes com dificuldades físicas). Nos olhos, Lucília trazia a esperança de quem vem mudar o mundo. Residente na Lagoa da Palha, pagou «mil escudos» de táxi para cá chegar. «Depois têm de me ir levar», pediu, mal descansou as pernas numa cadeira. Era justo: se os bombeiros lhe tinham dito para vir votar, ela esperava que, pelo menos, a fossem levar a casa.

E foram. Mesmo antes da Assembleia ter início porque, afinal, Lucília era “apenas” familiar de um sócio (assim o provava o cartão que exibiu, orgulhosamente) e, por essa razão, não podia participar na eleição dos novos corpos gerentes para 2005. Feita a votação, bastante mais tarde, a única lista concorrente viria a ser eleita com 55 votos a favor e 23 contra (mais dois votos em branco): Fernando Pestana, Comandante do Corpo de Bombeiros, cedeu o cargo de Presidente da Direção a Victor Nascimento (vogal no executivo anterior, com obra feita na área dos investimentos em informática) e mantém-se no órgão como Vice-Presidente; a Direção fica renovada em quatro dos seus sete membros; os titulares dos restantes órgãos (Assembleia Geral e Conselho Fiscal) transitam do mandato anterior.

Lucília Rosa Marques já devia estar a dormir à hora da eleição. Analfabeta («Comecei a trabalhar com seis anos; o que é que a gente aprende? A minha mãe abandonou-me e a gente se queria comer tinha de trabalhar», contou), sabia, contudo, que para votar «a gente faz uma cruzinha e escolhe o partido que quer». A confusão da sócia-familiar, por assim dizer, foi apenas a primeira da noite.

Sob o signo das incompatibilidades

Um minuto de silêncio, cumprido em memória dos cinco bombeiros recentemente falecidos (Mortágua; Guimarães), foi presságio para uma noite emocionalmente dura. Antes da ordem do dia abriram-se as hostilidades com questões à Direção sobre o ponto de situação dos projetos e sobre as alegadas prioridades do Corpo de Bombeiros (a falta de capacetes, de um autotanque, de atendimento permanente na central, de reuniões com os bombeiros…), e quase que se tornava desnecessária a apresentação do relatório de atividades. O Relatório e Contas acabaria por ser aprovado por maioria (era o primeiro ponto da ordem de trabalhos), sem que, por uma única vez, se tivessem suscitado questões relativamente às contas propriamente ditas.

O drama da Assembleia não foi, de facto, esse, mas sim a acumulação de cargos entre o sócio que também é comandante e diretor, os sócios que também são bombeiros e os sócios que, além de bombeiros, também são funcionários (assalariados) da Associação. O problema chega a ser estatutário. Quando um sócio-bombeiro-funcionário pede para ser lido o artigo dos Estatutos da Associação (art. 12º, parágrafo único) que, aparentemente, proíbe os bombeiros de na Assembleia Geral discutirem assuntos respeitantes à disciplina do Corpo de Bombeiros, chega a questionar-se se o Presidente da Mesa devia ter acedido ao pedido; este considerou que não havia qualquer incompatibilidade entre dirigir os trabalhos da Assembleia e aceitar ler o artigo em causa.

Na verdade, não estava em questão qualquer procedimento disciplinar propriamente dito. E se, como alguém sugeriu em privado, o Presidente se estivesse a referir à sua relação laboral com o Assalariado (estando, naquele contexto, ambos despidos das fardas de membros do Corpo de Bombeiros), ao falar aos sócios sobre a gestão de pessoal levada a cabo no mandato? Assim já aquele artigo dos Estatutos não poderia ser invocado? Afinal de contas, o que deve prevalecer: a lei do Trabalho, a “lei” dos Estatutos ou a da Ética? A relação entre os homens (que o são, antes de serem sócios, bombeiros e tudo o mais), sobreviverá a estas feridas?

Impaciente, um sócio-poeta popular (também aqui parece não haver incompatibilidade entre os dois papéis), interrompe a sessão para lembrar que, naquela altura, ainda não se tinha entrado na ordem de trabalhos definida na convocatória e que aquelas questões poderiam ter sido resolvidas internamente («entre vocês»). Até nisto a assembleia foi estranha: faltou o momento de descompressão habitualmente proporcionado pelo poeta-que-já-foi-ferroviário e que, nas sessões públicas da terra, costuma pedir a palavra para recitar umas quadras.

A recuperação lenta mas necessária

Depois da Assembleia, madrugada dentro – despidas todas as fardas e reduzidos às suas condições de homens ou mulheres –, houve quem adivinhasse uma noite sem sono; houve quem acabasse entre lombinhos e imperiais a tentar perceber porquê?” e a sarar as feridas; houve quem trocasse mensagens sobre as máscaras que caem e as lições da vida.

No ar, fica a mais recente acumulação de cargos de legitimidade duvidosa: a da autora deste texto, que já foi repórter e pediu para sair da Direção para descansar um bocado (isto é, pediu tréguas), por manifesta falta de preparação militar. Será o olhar agora mais livre de quem está “de fora” compatível com o grau de comprometimento institucional inerente ao cargo de editora de um site oficial como este? Ou não será já esta a crónica de uma despedida anunciada, mas não desejada?

Quando, antes de abandonarem o auditório da Associação (antes da Assembleia ser dada por encerrada), alguns bombeiros (já esquecidos da sua “farda de sócios”) se voltam para a ala dos sócios-só (chamemos-lhes assim) e se sentem no dever de lhes dar uma explicação para o facto de terem votado contra a lista concorrente aos órgãos sociais, parecia que queriam dizer «nós queremos o Comandante só para nós…». Os sócios talvez tenham compreendido assim (Não querem lá ver que afinal gostam todos uns dos outros?, devem ter pensado, a caminho de casa). Mas a maioria foi com a consciência tranquila por ter achado que ainda não havia alternativa viável para uma tão imensa boa vontade.

Fonte: Crónica e Fotografia de Helena Rodrigues da Silva

Segundo despiste aparatoso em dois dias

Um dia depois do despiste na A12, outra viatura ligeira capotou na sequência de um despiste. Apesar do aparato do acidente, o resultado foi apenas um grande susto para os ocupantes do veículo.

O acidente ocorreu na tarde de sexta-feira, 18 de fevereiro, na estrada de Rio Frio para Poceirão, a seguir à “Ponte da Pedra”. Ao fazer uma curva, uma viatura ligeira despistou-se e capotou.

Os ocupantes, um casal de idosos, saíram ilesos. Apesar disso, o aparato do acidente foi suficiente para provocar uma situação de estado de choque. Segundo informação do chefe de serviço dos Bombeiros de Pinhal Novo, «o senhor entrou em choque, mas depois acalmou-se», tendo recusado ser transportado ao hospital.

A ambulância do INEM sediada no Corpo de Bombeiros esteve, todavia, no local e prestou assistência aos acidentados. A ocorrência mobilizou ainda o VSAT, veículo de salvamento e desencarceramento, com cinco bombeiros.

Fonte: Helena Rodrigues c/ Vasco Marto (Foto de Cristóvão Vinagreiro)

Cartão Multibanco provoca despiste na A-12

A distração de uma condutora que se baixou para pegar no cartão Multibanco provocou, na tarde de quinta-feira, 17 de fevereiro, um despiste aparatoso na A-12. A condutora “não ganhou para o susto”.

O despiste ocorreu pouco depois do Km 14 da A-12, no sentido Lisboa-Setúbal, a seguir às portagens, e fez com que a viatura ligeira em que seguia a condutora saísse da auto-estrada e capotasse, indo parar numa vinha.

Do aparatoso acidente (que as fotos documentam) resultaram apenas ferimentos ligeiros para a condutora, que foi assistida no local pela ambulância INEM deste Corpo de Bombeiros (CB) e transportada ao Hospital de Setúbal.

A ocorrência mobilizou ainda o veículo de salvamento e desencarceramento (VSAT) do CB, com cinco homens.

Fonte: Helena Rodrigues c/ Vasco Marto (Foto de Cristóvão Vinagreiro)

«Curva da morte» faz seis mortos

Seis mortos, entre os quais uma criança de dois anos, foi o resultado de um choque frontal ocorrido pelas 2h35 da madrugada de sábado, 12 de fevereiro de 2005, na E.N. 252. Foi um dos acidentes mais graves registados em Pinhal Novo e um dos que mais marcaram os bombeiros.

No dia 12 de fevereiro de 2005, a vila acordou sem ter memória de alguma vez um acidente rodoviário na localidade ter provocado tantas vítimas, todas residentes em Pinhal Novo. Não houve sobreviventes do choque entre duas viaturas ligeiras ocorrido na chamada «Curva da morte», na Estrada Nacional 252, junto ao antigo bar «Sem Limites».

O acidente ocorreu quando uma viatura que circulava no sentido Pinhal Novo – Palmela, com três ocupantes (jovens com cerca de 25 anos), se despistou, saiu fora da estrada e retornou à via, ficando atravessada na estrada. Outra viatura, circulando no sentido contrário, viria a chocar com o carro dos jovens. A segunda viatura transportava uma criança de dois anos, a sua mãe e avó, que regressavam de uma consulta nas urgências do Hospital de Setúbal. Tragicamente, todas as seis vítimas faleceram na sequência do acidente e foram transportadas para o Hospital de Setúbal.

Os Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo acorreram ao acidente com um total de seis viaturas e 13 homens. Foram mobilizadas a viatura de salvamento e desencarceramento e cinco ambulâncias da corporação, a que se juntaram mais duas ambulâncias e o veículo de desencarceramento dos Bombeiros Voluntários de Palmela.

No local esteve ainda a viatura médica (VMER) do INEM, sediada em Setúbal, além da Brigada de Trânsito da GNR.

Destroços de morte na berma da estrada e na mente dos bombeiros

No local da ocorrência, onde têm sido muito frequentes os acidentes rodoviários (o mais recente provocou um morto, conforme noticiado aqui), o dia de sábado amanheceu soalheiro e os carros continuam a passar, velozes, nos dois sentidos, indiferentes às vidas que, horas antes, ali se perderam.

Só restam os destroços das viaturas – um Volkswagen Golf cinzento e um Renault Clio amarelo –, na berma da estrada. E pares de luvas médicas, jogados fora em reação de desânimo pelo pessoal da emergência médica que terá tentado descobrir sinais vitais nos corpos feridos. Em vão.

Os bombeiros, apesar da experiência que têm em lidar com situações de acidentes rodoviários, confirmam que um caso destes não lhes é indiferente, sobretudo por envolver uma criança e ter sido impossível resgatar alguém com vida. «Nunca no Pinhal Novo tínhamos tido um acidente com este número de mortos», desabafa Rudi Matos, 23 anos, um dos bombeiros que acorreram ao acidente. Este Tripulante de Ambulância de Socorro diz que foi impossível não se instalar o desânimo entre os bombeiros. «Se, pelo menos, houvesse uma vítima que pudesse ser reanimada, sempre tínhamos alguma coisa a que nos agarrar e alguma motivação», conta.

Percebe-se que a imagem de um bombeiro com o corpo de uma criança nos braços não se apaga, de uma noite para a outra, mesmo das mentes mais treinadas. E que as operações de desencarceramento são mais pesadas quando se sabe que «não vale a pena» tentar salvar vidas e se limitam a «cortar chapa para tirar as vítimas».

Perto da curva, existem duas residências, mas ninguém se apercebeu ou testemunhou o acidente. Já à porta do quartel dos Bombeiros, não se tem falado de outra coisa e até os familiares das vítimas têm ali acorrido, na expectativa de alguém lhes poder explicar melhor como tudo aconteceu.

…………………….

Os bombeiros que intervieram nas operações de socorro receberam apoio psicológico por parte dos técnicos do Gabinete de Psicologia dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas. Entre os operacionais de Pinhal Novo, é partilhada a opinião de que este foi o acidente que mais os marcou, ao longo do seu percurso de bombeiros.

Fonte: Helena Rodrigues (Texto); Tiago Silva (Fotos)

Foi Carnaval, alguém levou a mal?

O Carnaval 2005 em Pinhal Novo lá se passou e os bombeiros estiveram em todo o lado: mascarados no corso ou nos famosos bailes de Rio Frio; no socorro à vítima da queda de um carro alegórico e a apagar o fogo que incinerou o Entrudo. Há quem não suporte o Carnaval, mas os bombeiros parecem estar do lado dos que gostam.

Mais uma vez, coube a alguns elementos da fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo a honra de abrir o corso carnavalesco promovido pela associação “Amigos de Baco”, na tarde de terça-feira, em Pinhal Novo. Vestidos (e pintados) de diabos vermelhos, mais uns elementos da corporação integravam o primeiro carro oficial do corso, este ano subordinado ao tema “O Mundo da Fantasia”. Até a “Cinderela”, que desfilava no seu “castelo” num carro mais atrás, era uma bombeira.

O desfile atraiu milhares de pessoas ao Pinhal Novo, que encheram a Alameda Alexandre Herculano e as ruas em redor do jardim José Maria dos Santos e da Praça da Independência. Pelo segundo ano consecutivo, a queda de um figurante de um dos carros obrigou à intervenção da equipa dos Bombeiros que, com uma ambulância medicalizada, prestava apoio ao evento, e a uma paragem de vários minutos no desfile dos carros alegóricos para que fosse prestada a assistência à vítima.

Na quarta-feira, e apesar da noite fria, cumpriu-se a tradição do “Enterro do Bacalhau”. O Entrudo foi queimado ao ar livre (os Bombeiros estiveram de prevenção no local) depois dos foliões animarem as hostes com a leitura das disposições testamentárias do defunto. Ao contrário do que tem sido hábito, os Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo foram contemplados no testamento à conta de passarem algum tempo no café da Associação e de, supostamente, se ocuparem demasiado com a operação de… engraxar botas (?). Ninguém parece ter levado a mal.

Azar teve a autora deste texto, que não conseguiu convencer um membro da corporação a vestir-se com um belo traje feminino de nativa, que lhe trouxeram de África, por troca com um fato de bombeiro, um par de botas e um NOMEX. A esperança ainda não está perdida e, quem sabe, para o ano, talvez…

Tão-pouco está perdida a expectativa de editar, neste sítio, uma foto de Léo. É a versão feminina do bombeiro Leonel (o nome foi agora inventado), que muito surpreendeu o Sr. Comandante numa das noites de Carnaval e que deve ter feito o maior furor no famosíssimo baile de Rio Frio, para onde ruma a maior parte dos foliões desta terra e de muitas outras onde já chegou a fama daqueles bailes carnavalescos genuinamente “caramelos”.

Fonte: Helena Rodrigues

Até Amanhã, Camaradas estreia a 28 de janeiro, na SIC

É a maior produção televisiva de sempre em Portugal e contou com o apoio dos Bombeiros de Pinhal Novo, que garantiram a prevenção contra incêndios às filmagens realizadas no Terrim. A série que adapta o histórico romance de Álvaro Cunhal vai ser transmitida pela SIC, nas noites de sexta-feira e sábado (28 e 29 de janeiro).

Sob a direção de Joaquim Leitão (47 anos, realizador de “Inferno”, “Tentação”, “Adão e Eva”, entre outros filmes), e a poucas semanas do final de uma rodagem que já levava quatro meses, o Terrim foi o cenário ideal para uma cena em que uma criança, inadvertidamente, provoca um incêndio num monte de feno, que se estende a um velho armazém. Não fosse o diabo tecê-las, e o fogo fugir do controle da (vasta) equipa de produção, os bombeiros de Pinhal Novo foram requisitados para estar de prevenção durante a rodagem, que decorreu numa madrugada de abril de 2004.

O aparato da produção era denunciado, ao longe, pela presença no local das filmagens de um balão de fogo que iluminava o plateau, quase dispensando os projetores. Encostada à parede de uma das velhas casas, não faltava uma das protagonistas da história: a bicicleta, o meio de transporte dos militantes na clandestinidade (Portugal, ano de 1944), os protagonistas humanos do romance.

“Até Amanhã, Camaradas” foi publicado em 1974, com a assinatura de Manuel Tiago. Só em 1994 Álvaro Cunhal assumiu a autoria da obra. Agora, será uma série televisiva de seis episódios – mas poderá também dar um filme –, com 50 minutos cada, para a SIC (para já, vai ser transmitida em formato de duas longas metragens, em dias consecutivos), produzida por Tino Navarro e com guião de Luís Filipe Rocha (que contou com a estreita colaboração do autor do livro). Paulo Pires (no papel de Ramos), Gonçalo Waddington (como Vaz), Marco de Almeida (António) e Leonor Seixas (Maria) representam quatro das 136 personagens da série, que conta com 2174 figurantes e 3 milhões de Euros de orçamento.

Em entrevista ao programa “HermanSic” de domingo passado, o produtor lamentou que Álvaro Cunhal não possa ver o resultado deste trabalho, devido ao agravamento do seu estado de saúde. Tino Navarro acabaria, assim, por tornar pública a notícia de que o líder histórico dos comunistas portuguesas perdeu totalmente a visão. O produtor adiantou já ter combinado com Cunhal entregar-lhe, em CD, toda a trilha sonora e diálogos da série.

Fonte: Helena Rodrigues (c/ Visão de 8.4.2004)