Autarcas deviam ter usado carta de perigosidade de incêndio para reclamar apoios ao Governo 

A Carta de Perigosidade de Incêndio Rural está suspensa até ao final do ano, após críticas de autarcas, mas um responsável pelo documento estranha que não tenha sido usada para reclamar junto do Governo meios para proteger o território.

“O que eu faria se fosse autarca” era “agarrar no mapa, dirigir-me à CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional] respetiva, ao primeiro-ministro e ao Governo do país e perguntar-lhes: esta é a nossa situação” e “avaliaram-na bem, o que é que o país está disposto a fazer para nos ajudar a corrigir a situação?”, referiu José Luís Zêzere, em declarações à Lusa.

O investigador, que integrou a equipa do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT), da Universidade de Lisboa, que elaborou a Carta de Perigosidade de Incêndio Rural, salientou que o perigo de fogos rurais “não é igual à perigosidade sísmica”, das “cheias ou dos galgamentos oceânicos” e que depende “do uso de solo”.

O também diretor do Centro de Estudos Geográficos acrescentou que, no caso dos incêndios, “se o terreno for gerido, se a carga combustível for aliviada, a perigosidade reduz”.

“Se o município acha e considera que tem vermelho [perigosidade alta] a mais”, tem “possibilidade de tirar vermelho dali”, advogou José Luís Zêzere, ao contrário do perigo sísmico, com o qual se tem que viver, ainda que reduzindo o risco e construindo melhores casas.

No caso do “fogo florestal, é diferente” pois “os municípios podem gerir isso” em “vez de desatarem aos gritos a dizer isto e aquilo, em alguns casos imprecisões, acerca da carta”, considerou.

“O país que temos instalado com o uso de solo, com a desorganização territorial, com o abandono dos territórios rurais (…) é aquele e as áreas ardidas anualmente, desde 2019 a 2024, demonstram-no cabalmente”, frisou.

A carta de perigosidade (estrutural), elaborada para o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), é uma das componentes da cartografia de risco, destinada ao “planeamento das medidas de prevenção e combate” aos incêndios, por via do ordenamento do território e florestal, bem como “o condicionamento às atividades de fruição dos espaços rurais e para a alocação de meios de vigilância e combate”.

O documento comporta cinco classes de perigosidade, designadamente muito baixa (verde), baixa (amarela), média (laranja), alta (vermelho) e muito alta (castanho), constituindo as duas últimas “áreas prioritárias de prevenção e segurança [APPS]”.

Na sequência da contestação de autarcas, por causa de restrições ao nível de edificação e de atividades culturais, desportivas ou outras, e circulação em áreas florestais públicas ou comunitárias, a carta foi suspensa, primeiro até 31 de março de 2023 e depois até 31 de dezembro deste ano.

Segundo justificou à Lusa o anterior secretário de Estado da Conservação da Natureza e Florestas, João Paulo Catarino, a suspensão destinou-se a possibilitar às comissões sub-regionais a adaptação das APPS, segundo metodologia aprovada pela Comissão Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais, vigorando até lá os planos municipais de defesa da floresta contra incêndios.

“A Direção-Geral do Território e o ICNF pretenderam retirar consequências desta realidade e perigosidade estrutural ao nível municipal e a reação negativa por parte dos autarcas terá vindo daí por causa das limitações”, reconheceu José Luís Zêzere.

Ainda assim, o geógrafo admitiu “alguma dificuldade” em aceitar que o resultado do mapa “surpreenda os autarcas do Pinhal Interior ou do Minho”, ou de outras zonas, pois “então a situação do país é muito pior” do que se pensa, porque “pior do que viver numa situação de risco é não ter consciência disso”.

Além disso, “se não acontecer nada de estrutural” a nível de ordenamento florestal e do território, o “mais certo é ter mais disto e ainda pior”, com a “alteração climática em curso”, alertou.

Para o investigador, o “diagnóstico está todo feito” e o país tem “um problema de falta de valor, falta de economia numa data de territórios que estão abandonados”, que “são os que mais ardem”, ao contrário, por exemplo, do Alentejo, que na atual cartografia está “dominantemente a verde”.

“O que significa que a sua perigosidade estrutural é mais baixa que, por exemplo, o Pinhal Interior ou a Beira Alta, ou Trás-os-Montes ou uma boa parte do Minho, para falar daquilo que é a zona mais problemática do país”, juntamente com Monchique e “uma parte da serra algarvia”, enunciou.

“A distribuição espacial das classes de perigo mostra uma diferença acentuada entre as regiões Norte/Centro de Portugal continental, com um padrão geral de risco de incêndio florestal elevado e muito elevado, em relação ao Alentejo, no Sul, onde predomina a classe muito baixa”, concluíram Sandra Oliveira, Ana Gonçalves e José Luís Zêzere num artigo na revista científica ‘Science of the Total Environment’.

Os investigadores notam que “a classe de perigo mais elevada encontra-se no topo noroeste do país, no interior da região Centro e na parte oeste do Algarve”, “2,2% dos municípios possuem pelo menos 90% do seu território” em “perigo elevado e muito elevado”, no interior do centro do país e oeste algarvio, e “há 32,4% dos concelhos em que as duas classes mais perigosas cobrem menos de 10% do território”, na zona costeira norte e no Alentejo.

Fonte oficial do ICNF confirmou à Lusa que a carta de perigosidade está suspensa para “um conjunto de efeitos” em relação a licenciamentos, mas é utilizada na definição de “prioridades e planeamento”, designadamente “na rede de postos de vigia” e outras medidas.

Fonte: Sapo 24

País em Chamas: quase todas as corporações de Setúbal mobilizam operacionais no combate aos Incêndios do Norte

Quase todas as corporações de bombeiros do Distrito de Setúbal enviaram homens ou viaturas de combate a incêndios.

Esta terça-feira, 17 de setembro, mantêm-se, por volta das 15h, 60 incêndios ativos em Portugal, principalmente nos distritos do PortoGuardaViseuAveiroVila Real Coimbra, combatidos por quase 5 mil operacionais 1.200 veículos de combate.

No que diz respeito à região da península de Setúbal, quase todas as corporações destacaram viaturas e bombeiros para as diferentes frentes de combate, com dezenas de operacionais que ficarão no norte do país até ao final desta semana.

As corporações de Pinhal NovoSul e SuesteMontijoCanhaBarreiroSeixalÁguas de Moura e Setúbal enviaram carros de combate a incêndios assim como operacionais.

AlcochetePalmelaCacilhas e Moita enviaram viaturas com tanques de água, enquanto Águas de Moura Amora disponibilizaram ambulâncias.

No Alentejo Litoral, Odemira contribuiu com um veículo florestal, e um carro de combateAlvalade com um veículo florestal e Vila Nova de MilFontes com um veículo de tanque de água.

São por volta de 74 operacionais do distrito, apoiados por cerca de 18 veículos de combate a incêndios.

Comando Sub-Regional da Proteção Civil de Setúbal é a entidade que gere o envio de operacionais na península de Setúbal para o combate aos diferentes incêndios que lavram no norte do país. As corporações foram divididas em dois grupos e a entidade informa que os meios permanecerão no terreno “durante esta semana”.

Os Bombeiros do Montijo relatam ainda que para evitar a exaustão dos seus homens e mulheres, as equipas das várias corporações “vão substituindo as pessoas no terreno“, conseguindo, assim, manter o mesmo número de efetivos destacados.

Já o Comando Sub-Regional do Alentejo Litoral informa que empenhou os seus meios na região de Carregal do Sal, distrito de Viseu, com 14 operacionais apoiados por 1 veículo de comando, 2 veículos florestais e um veículo de tanque de água.

Contribuição de cada corporação do distrito de Setúbal:

(algumas das corporações que não aparecem na lista, podem ter contribuído apenas com operacionais)

Península de Setúbal

Total da região= +/- 60 operacionais

Grupo 1

Carros de combate a incêndios:

Pinhal Novo

Sul e Sueste

Montijo (3 veículos e 7 operacionais)

Canha

Tanques de água:

Alcochete

Palmela

Ambulâncias:

Águas de Moura

(Total de 30 operacionais.)

Grupo 2

Carros:

Barreiro

Seixal

Águas de Moura

Setúbal

Tanques:

Cacilhas

Moita

Ambulâncias:

Amora (dois operacionais)

(Total de 28 operacionais)

Sapadares de setúbal- nenhum

Sesimbra- nenhum

Região do Alentejo Litoral

Carros de combate:

Odemira (1)

Veículos flroestais:

Odemira (1)

Alvalade (1)

Tanques de água:

Vila Nova de MilFontes (1)

Total de operacionais: 14

Acompanhe os desenvolvimentos dos incêndios no norte do país, com o Diário do Distrito.

Fonte: Diário do Distrito

Bombeiros de Pinhal Novo reforçam combate aos incêndios no norte do País

Vento forte complica combate às chamas e provoca reacendimentos em Oliveira de Azeméis.

Os Bombeiros de Pinhal Novo mobilizaram mais um veículo de combate a incêndios florestais para Oliveira de Azeméis, somando-se às equipas que se deslocaram ao longo do hoje para o norte, onde os incêndios continuam a devastar várias áreas.

Esta noite, a situação agravou-se devido à intensidade do vento, que tem provocado reacendimentos nas zonas já controladas. Com a propagação das chamas a aumentar, os bombeiros de todo o país têm sido chamados a intervir, numa operação conjunta para proteger as populações e minimizar os danos nas florestas.

Segundo fontes locais, a principal preocupação é garantir a segurança das habitações próximas das áreas mais afetadas, ao mesmo tempo que tentam conter o avanço do fogo em terrenos de difícil acesso. A operação, que já dura várias horas, enfrenta agora condições meteorológicas adversas, obrigando a uma coordenação intensa entre as várias corporações de bombeiros envolvidas.

A chegada de mais reforços ao terreno é vista como essencial para evitar que os reacendimentos aumentem a área destruída pelo fogo. Até ao momento, não há registo de vítimas, mas as autoridades permanecem em alerta.

O vento dificulta muito o nosso trabalho, mas vamos continuar a lutar para controlar esta situação”, afirmou um dos responsáveis da operação de combate ao incêndio.

As equipas de Pinhal Novo, bem como outras corporações do sul do país, estão prontas para atuar durante toda a noite, caso seja necessário.

Fonte: Diário do Distrito

Bombeiros da Península de Setúbal reforçam combate a fogos no norte do País

Bombeiros de diversas corporações da Península de Setúbal reforçam o combate aos incêndios que devastam o norte de Portugal.

As corporações de bombeiros da Península de Setúbal enviaram reforços para combater os incêndios que assolam o norte do país. Várias equipas já estão no terreno, respondendo à emergência nas regiões de Albergaria-a-Velha e Sever do Vouga.

Várias corporações de bombeiros da Península de Setúbal foram mobilizadas para auxiliar no combate aos incêndios florestais que se alastram no norte de Portugal, segundo informações do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Península de Setúbal. Entre as corporações envolvidas estão bombeiros de Pinhal Novo, Montijo, Alcochete,  Palmela, Seixal, Águas de Moura, Cacilhas, Setúbal, Barreiro, Moita, Canha e Amora.

Ao todo, mais de 60 operacionais destas corporações já estão em ação no terreno, visando controlar os focos de incêndio mais críticos e evitar o avanço das chamas para áreas habitacionais. O esforço conjunto está a ser coordenado em articulação com as autoridades locais de Proteção Civil.

Até ao momento, o Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Litoral não foi chamado para reforçar o combate, uma vez que a resposta das corporações de Setúbal tem sido suficiente para lidar com a situação atual. Contudo, os bombeiros desta região estão em estado de prontidão, prontos para serem acionados a qualquer momento.

Os incêndios no norte de Portugal têm vindo a intensificar-se devido às elevadas temperaturas e ao vento forte, fatores que complicam o trabalho dos bombeiros. As autoridades apelam à colaboração da população, solicitando que evitem comportamentos de risco que agravem a situação.

Fonte: Diário do Distrito