No âmbito do dia Municipal do Bombeiro, promovido pelas Associações Humanitárias de Bombeiros do Concelho, realizou-se um simulacro de incêndio na Escola com Jardim de Infância do Vale da Vila, em Pinhal Novo, no passado dia 8 de maio.
O simulacro realizou-se pelas 11 horas e permitiu testar a evacuação das crianças e suas responsáveis para local seguro. A ocorrência, que simulou um incêndio, ocorreu num anexo ao edifício principal da escola, onde está instalada a cozinha e o refeitório. Esta simulação permitiu a articulação com os meios de intervenção do Corpo de Bombeiros, GNR, e o Gabinete de Proteção Civil do Município de Palmela, tendo participado 9 elementos deste Corpo de Bombeiros, com três veículos (uma ambulância, um Veículo Tanque e um Veículo Ligeiro de Combate a Incêndios).
A iniciativa foi organizada em parceria com o Gabinete de Proteção Civil, da Câmara Municipal de Palmela, e o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Setúbal, e está integrada no programa das comemorações do Dia Municipal do Bombeiro 2012, que incluiu exercícios semelhantes noutras freguesias do concelho, de forma a testarem-se os Planos de Emergência Internos das escolas do ensino básico e jardins-de-infância públicos, elaborados em estreita colaboração com os Corpos de Bombeiros do Concelho.
No final deste exercício, o primeiro realizado neste estabelecimento de ensino, as crianças comportaram-se com o rigor e disciplina necessários, especialmente em momentos que se poderiam tornar de pânico, demonstrando estarem bem preparadas para este tipo de ocorrências, como foi salientado pela observadora da Autoridade Nacional de Proteção Civil, Dra. Paula Almeida, convidada a participar nesta iniciativa.
No exercício foram ainda simuladas três vítimas, dois alunos e uma auxiliar, que foram assistidos no posto de triagem, montado pelos bombeiros, e no final do exercício, as crianças entraram, ordeiramente, no refeitório, ainda com muito fumo (produzido por uma máquina própria para este tipo de ações) onde puderem verificar as dificuldades enfrentadas pelos bombeiros, na busca e salvamento de vítimas e combate ao incêndio.
Seguiu-se uma sessão de perguntas e respostas, com o objetivo de responder à curiosidade dos mais novos, uma vez que este tipo de exercícios, além de ter como objetivo testar as medidas de autoproteção das escolas, também possui um objetivo pedagógico, pois a proteção civil é uma tarefa de todos nós e é nos bancos das escolas que se deve iniciar a sensibilização para estas matérias.
Fonte: Texto: Manuela Rodrigues. Foto: Retirada da Internet
Quando soou a sirene para o exercício na escola EB1/JI nº 1 de Pinhal Novo, a primeira ação foi evacuar as crianças. Dezenas de alunos “passaram com distinção” no teste, em que foram sujeitos a técnicas de evacuação e avaliada a sua capacidade de resposta.
A intervenção especializada junto das crianças e adultos (educadores e encarregados de educação) centrou-se na implementação de técnicas de evacuação e foi conduzida pelo Gabinete de Psicologia de Catástrofe dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, cuja responsável colaborou no exercício realizado em Pinhal Novo, no Sábado, 19 de maio. Face a um cenário de suspeita de fuga de gás (o exercício testou ainda os cenários de ameaça de bomba e incêndio na escola – Ler Notícia), o objetivo foi organizar e acalmar “as vítimas”, «fazendo o momento de espera até à posterior evacuação do local em linha de segurança», conforme explicou a psicóloga Sandra Coelho (na foto), Adjunta de Comando do Quadro de Especialistas dos BVS.
As crianças acabariam por ser evacuadas para o recinto do campo de jogos do Clube Desportivo Pinhalnovense. Até lá, a gestão do tempo de espera no exterior do edifício da escola concentrou as atenções da psicóloga, à frente de uma equipa que incluiu os jovens voluntários de Proteção Civil, formados pelos Bombeiros de Pinhal Novo em colaboração com a Junta de Freguesia. «O objetivo foi realizar o exercício numa hora quente [13:30h], para avaliar a capacidade de resposta dos intervenientes e a tolerância a vários fatores, como a sede, o calor e o pânico», explicou Sandra Coelho.
A técnica utilizada passou por dividir as crianças em sub-grupos, identificados por uma fita de cor própria atada ao pulso de cada criança. Foi também aplicada uma fita delimitadora de cada grupo, «para haver resguardo e delimitar um perímetro de segurança, que tem um efeito estabilizador importante, nomeadamente para combater a ansiedade e evitar o pânico», como explica a psicóloga. Neste tipo de cenário, os educadores e professores «funcionam como o elemento neutro e acolhedor», ou seja, desempenham o papel de mediador entre a equipa de socorro e as crianças. A estratégia passou, depois, por envolver as crianças em atividades que lhes são familiares e com as quais se identificam, como cantar ou correr para a frente e para trás.
No final, feita a avaliação da capacidade de resposta de todos os adultos e crianças, Sandra Coelho considerou os objetivos do exercício amplamente atingidos, já que «as crianças revelaram uma elevada tolerância à frustração». Por outro lado, «toda a gente estava muito motivada e cooperante», sublinhou a psicóloga, realçando o papel dos jovens voluntários que participaram no exercício. «Achei excelente e dou os parabéns à Junta de Freguesia de Pinhal Novo pela criação deste grupo», afirmou, considerando que «a melhor forma de manter o grupo coeso é fazendo com que os elementos continuem a ter formação».
A psicóloga dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, que trabalha também com os Sapadores da cidade, confirma que a integração da Psicologia nos corpos de bombeiros é cada vez mais necessária e requisitada, a três níveis: para apoio psicológico e clínico individual aos bombeiros, para formação do corpo de bombeiros e para saída do psicólogo nas ambulâncias, quando ativado pelo chefe de serviço.
«O psicólogo tem de ser multifacetado», conclui Sandra Coelho, fazendo questão de sublinhar que a sua função está integrada numa hierarquia de Comando. Isso mesmo ficou bem evidenciado neste exercício, quando a psicóloga se recusou a prestar esclarecimentos à comunicação social local antes de terminar o seu trabalho e, mesmo depois, só o fez após obter autorização expressa do comandante operacional no local (no caso, o Comandante dos BVPN).
O Corpo de Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo vai participar hoje, 19 de maio, às 13.30 horas, num exercício em que, pela primeira vez, vai ser simulada uma ameaça de bomba, com intervenção da Equipa de Inativação de Engenhos Explosivos da GNR. O exercício terá lugar na Escola Básica do 1º Ciclo e Jardim de Infância nº 1 de Pinhal Novo e integra também os cenários de fuga de gás e incêndio na escola.
O exercício, inicialmente previsto para as 17.00 horas, no âmbito da programação das comemorações do Dia Municipal do Bombeiro no concelho de Palmela, foi antecipado para as 13.30 horas, de forma a ser integrado no Exercício Nacional “PROCIV II 2007”, no âmbito do qual serão testados vários cenários operacionais, em todo o país, entre os dias 18 (tarde) e 19 e 20 (manhã) de maio.
O exercício em Pinhal Novo vai conjugar três cenários: em 1º lugar, uma suspeita de fuga de gás na escola, que conduzirá à ativação do Plano de Evacuação da Escola; em 2º lugar, uma ameaça de bomba na escola, que implicará a intervenção da Força de Segurança competente neste tipo de ocorrência; em 3º lugar, o deflagrar de um incêndio no refeitório da escola, com a consequente realização, por parte dos bombeiros, das operações de combate adequadas.
Operacionalizado ao nível distrital, através do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Setúbal, nomeadamente no que toca à articulação com todos os agentes envolvidos, o exercício vai contar com a participação do Serviço Municipal de Proteção Civil, Junta de Freguesia de Pinhal Novo e Equipa de Inativação de Engenhos Explosivos da GNR.
O exercício integrará também uma intervenção especializada na área do apoio psicológico às vítimas, que será assegurada em colaboração com os Bombeiros Voluntários de Setúbal e que se dirige, em particular, às crianças, professores e encarregados de educação, que constituem a população afetada pelos cenários simulados [Ler Notícia].
O Exercício “PROCIV II 2007” tem como finalidade o treino da estrutura operacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) e a sua articulação, em ambiente operacional, com os Agentes de Proteção Civil (APC) e Entidades que cooperam nesta matéria, bem como dos sistemas de apoio à decisão, no quadro de intervenções em caso de diversas ocorrências no âmbito da Proteção Civil. O planeamento e condução dos vários exercícios distribuídos pelo país estão a ser operacionalizados ao nível distrital, designadamente a articulação com todos os agentes, em que se incluem a GNR, PSP, ICN, Forças Armadas, INEM, Cruz Vermelha, DGRF, Radioamadores e CNE. ……………………………………………………………
A sirene soou em Pinhal Novo para o arranque do exercício às 13:45 h. Entraram em campo os Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo, o grupo de voluntários de Proteção Civil da Junta de Freguesia de Pinhal Novo com a responsável do Gabinete de Psicologia de Catástrofe dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, o responsável do Serviço Municipal de Proteção Civil e a GNR, para criação de um perímetro de segurança à volta da escola.
Feita a evacuação das crianças e o resgate das “vítimas” da “fuga de gás”, a quem foram prestados os cuidados de emergência pré-hospitalar necessários, passou-se ao 2º dos cenários testados, o de ameaça de bomba na escola, com atuação da Equipa de Inativação de Engenhos Explosivos da GNR. Em poucos minutos, o cão de busca encontrou o engenho estrategicamente colocado numa das casa-de-banho da escola. Às 15:45 h soou o estrondo provocado pela desativação de outro engenho explosivo. Aos bombeiros coube o contacto com os habitantes das residências à volta, no sentido de proceder à sua evacuação.
Por fim, iniciou-se o 3º cenário, de incêndio no refeitório, em que participaram meios operacionais dos corpos de bombeiros voluntários de Palmela (VUCI 04, ABSC 01, VCOT 01), Águas de Moura (VUCI 01), Montijo (VTTU 01), Moita (VUCI 01) e um autotanque dos Bombeiros Voluntários do Barreiro – Corpo de Salvação Pública.
O comando operacional no local foi assegurado pelos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo – a que se juntou, no 3º cenário, o Comando Distrital de Operações de Socorro –, em linha direta de comunicação e coordenação com o Comando Nacional, no âmbito do Exercício Nacional “PROCIV II 2007”, o que explicou os longos momentos de pausa impostos aos operacionais no terreno. O exercício só foi dado por concluído depois das 18 horas, ultrapassando as 4 horas de duração.
Fonte: H.R. com Fernando Pestana; Foto do cartaz oficial do Dia Municipal do Bombeiro
«Às mulheres, é-lhes exigido um percurso brilhante; aos homens, apenas o seu género», afirmou a Comandante dos Bombeiros Voluntários da Vidigueira, uma das intervenientes nas II Jornadas da Mulher Bombeira, promovidas pelos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo no passado Domingo, 13 de Maio, no âmbito do programa que assinala o Dia Municipal do Bombeiro no concelho de Palmela. Outras e outros oradores convidados, entre os quais a Presidente da Câmara Municipal, sublinharam as diferenças e dificuldades sentidas pelas mulheres nos seus percursos ascendentes em sectores tradicionalmente masculinos. Como o dos Bombeiros.
Quando Judite Joaquim – pinhalnovense, bombeira de 1ª classe dos Voluntários Cruz Verde de Vila Real e socorrista do INEM no Porto – iniciou a sua intervenção, explicou que não estava ali para apresentar qualquer trabalho científico, mas apenas para falar da sua história de vida nos Bombeiros; em que a sua condição de mulher e mãe não impediu a profissional de conquistar o respeito dos seus pares e afirmar-se na sua área de eleição, o socorrismo.
E, a seguir, começou logo a pôr “o dedo na ferida”: «Quando entrei para os Bombeiros, em 1995, fui a primeira mulher numa corporação com 112 anos de existência. E tive de mostrar que fui para os Bombeiros para fazer algo pelos outros, e não para arranjar homem…», afirmou Judite, explicando: «Foi difícil provar que era digna de respeito. E tive de provar que merecíamos ter as cerca de 40 mulheres que a minha corporação tem atualmente, no corpo ativo e de aspirantes».
A tónica geral das intervenções produzidas ao longo das Jornadas foi a de que, em regra, às mulheres se exige mais do que aos homens para que consigam afirmar-se em funções de reconhecimento público. Por um lado, como notou a Presidente da Câmara Municipal de Palmela, porque «as mulheres continuam a acumular o trabalho com as mesmas funções familiares de sempre, seja no apoio às crianças ou aos idosos». Por outro lado, como sublinhou a Comandante dos Bombeiros Voluntários da Vidigueira, porque «as instituições reproduzem as diferenças de género e os preconceitos sociais» e os Bombeiros não são exceção.
«Qual é o verdadeiro estímulo das mulheres bombeiras?», perguntou-se a Presidente da Câmara Municipal de Palmela
Neste sentido, e referindo-se especificamente à sua área – a Política –, a autarca de Palmela (ver foto) reconheceu que «a forma como a Política é realizada é fruto da forma de estar dos homens na sociedade e na organização de toda a atividade produtiva». Ana Teresa Vicente exemplificou com um caso concreto: «É universalmente aceite que um homem tenha de sair mais cedo de uma reunião para ir buscar o carro à revisão, mas não que uma mulher diga que tem de sair mais cedo para ir buscar o filho à escola».
A Presidente considerou, assim, que «não faltarão razões práticas e objetivas para as mulheres passarem ao lado da Política», ao contrário do que afirmou estar a presenciar no sector dos Bombeiros. Ana Teresa Vicente regozijou-se por ver tantas mulheres nas fileiras mais jovens das corporações e perguntou-se: «Valia a pena pensar numa explicação para isto… Porque é que os jovens se sentem motivados para esta causa? Qual é o verdadeiro estímulo das mulheres bombeiras?» A autarca arriscou, enfim, uma resposta e um elogio: «Penso que o vosso estímulo é poder servir e ajudar o próximo. E quero dizer-vos que a vossa escolha é uma opção de grande valor!»
A resposta mais aprofundada à questão da Presidente da Câmara viria a ser dada por Nuno Domingues, sociólogo e bombeiro de 2ª classe do CB de Pinhal Novo, cuja intervenção – não prevista no programa inicial das Jornadas – se centrou nos resultados de um inquérito sobre o perfil das mulheres bombeiras, aplicado nas corporações do distrito de Setúbal. Relativamente ao que traz as mulheres aos corpos de bombeiros, o estudo apurou a prevalência de três motivações: em 1º lugar, o exercício da cidadania e uma forma de ajudar o próximo; em 2º lugar, os laços familiares e de amizade (isto é, o facto de se ter alguém conhecido nas corporações é apontado como motivação para integrar o grupo); e, em 3º lugar, o gosto pela atividade e a importância dos sonhos de criança.
Aqui, o sociólogo sublinhou que os bombeiros ainda são representados como «pessoas de grande coragem» e que continua a estar-lhes associada a ideia de herói: «Ainda não temos a heroína… está p’ra chegar», comentou Nuno Domingues. Um sinal nesse sentido poderá ser o facto de o prémio de “Bombeiro de Mérito” ser este ano, pela primeira vez, atribuído a uma mulher (Fátima Antunes, 34 anos, dos Bombeiros Voluntários da Ericeira), o que tem sido amplamente destacado pela Comunicação Social nacional (todavia, a distinção foi também atribuída ex aequo ao bombeiro António Serrano, dos Voluntários de Soure).
Segundo o estudo apresentado pelo bombeiro, a média de mulheres nos corpos ativos do distrito de Setúbal é de 17%. Mas, como acrescentou, há muitas mulheres que participam nas corporações integradas noutros quadros, nomeadamente no de Especialistas e Auxiliares (incluindo as fanfarras), o que também «denuncia o seu encaminhamento para funções de ordem secundária». Nuno Domingues reconheceu que «ainda persiste a ideia de que determinadas funções são da competência dos homens» e que «o aumento de mulheres nos CBs é um facto relativamente recente», como se conclui da idade maioritariamente jovem das bombeiras do distrito.
«Ser Comandante no feminino não é fazer melhor; é fazer diferente», considerou a Comandante dos BV Vidigueira
Também a recém nomeada Comandante dos Bombeiros Voluntários da Vidigueira (ver foto) realçou que «a integração das mulheres nos corpos de bombeiros é tardia e pouco inclusiva», em consequência da tendência das instituições para reproduzirem as diferenças de género e os preconceitos socialmente aceites. Em algumas corporações «os horários noturnos continuam a ser interditos ao género feminino e por aqui se vê como há diferenças», exemplificou Noémia Ramos.
A este propósito, na intervenção precedente, Maria Manuela Rodrigues, 71 anos, há 21 no Quadro Auxiliar dos BVPN – que sublinhou a sua participação nas Jornadas também na qualidade de «mulher, mãe e sogra de bombeiros» – já tinha afirmado a sua disponibilidade para ajudar «as mais novas» a lutarem por uma camarata feminina no seu quartel, que ainda não existe.
«Os regulamentos dos CBs não fazem referências sexistas e discriminatórias, mas há os estereótipos sobre quem domina e quem é dominado», disse ainda a Comandante da Vidigueira, para quem «as regras podem ser quebradas e os lugares tradicionalmente masculinos podem passar à esfera feminina», mas com uma única diferença: «Às mulheres, é-lhes exigido um percurso brilhante; aos homens, apenas o seu género», afirmou a actual única Comandante do país.
De resto, Noémia Ramos garantiu não estar a sentir qualquer problema ao nível da aceitação junto do seu CB e recordou as palavras proferidas no seu recente discurso de tomada de posse: «O poder é algo efémero; tanto mais rápida é a sua morte quanto pior for a sua utilização». A alentejana mostrou-se, sempre, segura das suas capacidades – «Eu sou eu e não preciso de muitas apresentações…» – e confortável na sua farda de Comandante (há dois meses, a imprensa dava conta da dificuldade em encontrar farda para a sua baixa estatura: ler notícia).
«Ainda hoje eu fecho os olhos e consigo vê-las [as vítimas]», contou a bombeira Judite Joaquim, sobre um acidente que a marcou
No programa das Jornadas coube, em exclusivo, a Judite Joaquim o relato, na 1ª pessoa, das experiências de uma bombeira do Quadro Ativo. A engenheira de formação recordou como «uma paragem cardio-respiratória presenciada» e um acidente no IP4 com duas vítimas – «Ainda hoje eu fecho os olhos e consigo vê-las», confessou – a fizeram aperceber-se das limitações dos bombeiros no socorro pré-hospitalar e interessar-se pelo socorrismo, em especial. Já depois de ter concluído o curso de Tripulante de Ambulância de Socorro (TAS), numa turma com apenas duas mulheres em 16 formandos, Judite relatou as dificuldades em criar no seu corpo de bombeiros um grupo especializado na área da saúde, a começar pela «dificuldade em convencer o Comandante dessa necessidade».
O testemunho da bombeira de 1ª classe dos Voluntários Cruz Verde de Vila Real transmitiu, por outro lado, a convicção de que a uma mulher não há, à partida, funções vedadas. «Trabalhei na ambulância até aos 7 meses de gravidez», contou, confessando que só por vontade do seu Comandante terminou a gravidez ao serviço da central de comunicações. Depois, dada a dificuldade em exercer o direito às horas de amamentação previstas na lei, a sua bebé passou a ir com ela para o quartel e a ter um espaço próprio na camarata. Judite revelou como o quotidiano do quartel de bombeiros se adaptou à presença da sua filha – «A menina está a dormir…», pronunciavam os colegas, apelando ao silêncio – e, concluiu, «por isso é impossível não fazer com que a minha filha goste dos Bombeiros». E nem seria preciso vê-la fardada de bombeira a passear-se pelo palco do auditório da Associação, onde decorreram as Jornadas, para acreditar que o futuro das mulheres nas corporações está assegurado. «A menina é bombeira desde que nasceu; não há nenhum dia em que a Diana não vá aos Bombeiros», contou Judite Joaquim.
A bombeira confessou ainda o seu fascínio pelas brigadas heli-transportadas de combate a incêndios – «Quando chegava o Verão deixava de ser socorrista e tornava a ser bombeira» – e pelo apelo da sirene, enquanto estudante da Universidade de Trás-os-Montes: «A época de fogos florestais coincidia com a época de exames, o que sempre considerei uma grande injustiça», contou, lembrando as vezes em que largou os livros para acorrer ao toque da sirene.
Atualmente, Judite presta serviço no INEM, incluindo na moto de emergência, no Porto, e percorre os CBs da região fazendo formação de Tripulantes de Ambulância de Transporte (TAT). «Os CBs deviam reconhecer um bocadinho mais o trabalho que nós fazemos, porque, com algumas atitudes, acabam por fazer com que nos afastemos», desabafou.
E coube à sua irmã Helena, enfermeira e Equiparada a Adjunto de Comando dos BVPN – que acabou o dia a desempenhar o papel de “anfitriã” e “mestre de cerimónias” das Jornadas –, o encerramento dos trabalhos, com recurso a estas palavras de Madre Teresa de Calcutá, num incentivo à capacidade de resistência das mulheres: «Continua, quando todos esperam que desistas!»
«Para uma mulher ou para um homem, é uma honra estar nos Bombeiros», afirmou o presidente da LBP
Nestas II Jornadas da Mulher Bombeira – as primeiras a serem contabilizadas decorreram, no ano passado, em Santiago do Cacém, e as próximas poderão realizar-se em Óbidos (pelo menos, foram as representantes dos Bombeiros Voluntários de Óbidos [na foto acima] a aceitarem o repto lançado por Helena Joaquim para a organização da próxima edição) –, as corporações de Óbidos e Oliveira de Azeméis, cada uma com 5 participantes, foram as mais representadas na assistência. Da Azambuja vieram até ao Pinhal Novo quatro bombeiras. No encontro fizeram-se ainda representar os corpos de bombeiros de Loures, Moita, Sul e Sueste, Barreiro, Sesimbra, Santo André, Santiago do Cacém, Palmela e Pinhal Novo. Estiveram também presentes os presidentes das associações congéneres de Águas de Moura e Palmela, bem como os responsáveis do Serviço Municipal de Proteção Civil, Paulo Pacheco e Carlos Caçoete.
Convidado para a mesa de abertura – partilhada com o Comandante Distrital Alcino Marques e o presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Setúbal, Aníbal Reis Luís, para além do presidente da Mesa da Assembleia Geral da AHBVPN –, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses fez questão de saudar as «mulheres de combate» presentes, em especial as presidentes da Câmara Municipal de Palmela e da Direção dos BVPN, assim como a Comandante dos Voluntários da Vidigueira. Segundo os dados que apresentou, referentes ao ano de 2006, o número total de mulheres nas corporações do país é de 4150. Nos corpos gerentes das associações, são 92 as dirigentes em funções efetivas, das quais 9 são presidentes de direção, entre as quais a de Pinhal Novo, como realçou Duarte Caldeira.
O presidente da LBP sublinhou que «as mulheres introduziram dinâmicas diferentes» nas corporações, mas que, no essencial, o que caracteriza a missão dos Bombeiros não depende do sexo: «Esta é uma missão de honra, dever, partilha e serviço. É, então, para uma mulher ou para um homem, uma honra estar nesta estrutura», afirmou Duarte Caldeira.
O programa das Jornadas contemplou ainda a integração das mulheres noutros sectores, como o da Medicina (tema abordado pela cirurgiã Cláudia Galrão) e o meio militar (interveio a soldado Dulcília Carona, da GNR), bem como uma retrospectiva sobre a evolução do Direito português no tratamento da mulher e na promoção da igualdade jurídica entre os sexos, a cargo de Mário Cunha, Magistrado do Ministério Público.
A encerrar as II Jornadas da Mulher Bombeira, as vozes femininas alentejanas tomaram conta do auditório da Associação, com o Grupo Coral Feminino “Estrelas do Alentejo”, que veio de Santa Vitória (Beja), localidade de onde é natural Aurora Serrão, presidente dos BVPN. Por razões de saúde, a presidente viu-se impedida de assistir às Jornadas e à atuação do coral da sua terra que, por isso, lhe foi especialmente dedicada.
«Às mulheres, é-lhes exigido um percurso brilhante; aos homens, apenas o seu género», afirmou a Comandante dos Bombeiros Voluntários da Vidigueira, uma das intervenientes nas II Jornadas da Mulher Bombeira, promovidas pelos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo no passado Domingo, 13 de maio, no âmbito do programa que assinala o Dia Municipal do Bombeiro no concelho de Palmela. Outras e outros oradores convidados, entre os quais a Presidente da Câmara Municipal, sublinharam as diferenças e dificuldades sentidas pelas mulheres nos seus percursos ascendentes em sectores tradicionalmente masculinos. Como o dos Bombeiros.
Quando Judite Joaquim – pinhalnovense, bombeira de 1ª classe dos Voluntários Cruz Verde de Vila Real e socorrista do INEM no Porto – iniciou a sua intervenção, explicou que não estava ali para apresentar qualquer trabalho científico, mas apenas para falar da sua história de vida nos Bombeiros; em que a sua condição de mulher e mãe não impediu a profissional de conquistar o respeito dos seus pares e afirmar-se na sua área de eleição, o socorrismo.
E, a seguir, começou logo a pôr “o dedo na ferida”: «Quando entrei para os Bombeiros, em 1995, fui a primeira mulher numa corporação com 112 anos de existência. E tive de mostrar que fui para os Bombeiros para fazer algo pelos outros, e não para arranjar homem…», afirmou Judite, explicando: «Foi difícil provar que era digna de respeito. E tive de provar que merecíamos ter as cerca de 40 mulheres que a minha corporação tem atualmente, no corpo ativo e de aspirantes».
A tónica geral das intervenções produzidas ao longo das Jornadas foi a de que, em regra, às mulheres se exige mais do que aos homens para que consigam afirmar-se em funções de reconhecimento público. Por um lado, como notou a Presidente da Câmara Municipal de Palmela, porque «as mulheres continuam a acumular o trabalho com as mesmas funções familiares de sempre, seja no apoio às crianças ou aos idosos». Por outro lado, como sublinhou a Comandante dos Bombeiros Voluntários da Vidigueira, porque «as instituições reproduzem as diferenças de género e os preconceitos sociais» e os Bombeiros não são exceção.
«Qual é o verdadeiro estímulo das mulheres bombeiras?», perguntou-se a Presidente da Câmara Municipal de Palmela
Neste sentido, e referindo-se especificamente à sua área – a Política –, a autarca de Palmela reconheceu que «a forma como a Política é realizada é fruto da forma de estar dos homens na sociedade e na organização de toda a atividade produtiva». Ana Teresa Vicente exemplificou com um caso concreto: «É universalmente aceite que um homem tenha de sair mais cedo de uma reunião para ir buscar o carro à revisão, mas não que uma mulher diga que tem de sair mais cedo para ir buscar o filho à escola».
A Presidente considerou, assim, que «não faltarão razões práticas e objetivas para as mulheres passarem ao lado da Política», ao contrário do que afirmou estar a presenciar no sector dos Bombeiros. Ana Teresa Vicente regozijou-se por ver tantas mulheres nas fileiras mais jovens das corporações e perguntou-se: «Valia a pena pensar numa explicação para isto… Porque é que os jovens se sentem motivados para esta causa? Qual é o verdadeiro estímulo das mulheres bombeiras?» A autarca arriscou, enfim, uma resposta e um elogio: «Penso que o vosso estímulo é poder servir e ajudar o próximo. E quero dizer-vos que a vossa escolha é uma opção de grande valor!»
A resposta mais aprofundada à questão da Presidente da Câmara viria a ser dada por Nuno Domingues, sociólogo e bombeiro de 2ª classe do CB de Pinhal Novo, cuja intervenção – não prevista no programa inicial das Jornadas – se centrou nos resultados de um inquérito sobre o perfil das mulheres bombeiras, aplicado nas corporações do distrito de Setúbal. Relativamente ao que traz as mulheres aos corpos de bombeiros, o estudo apurou a prevalência de três motivações: em 1º lugar, o exercício da cidadania e uma forma de ajudar o próximo; em 2º lugar, os laços familiares e de amizade (isto é, o facto de se ter alguém conhecido nas corporações é apontado como motivação para integrar o grupo); e, em 3º lugar, o gosto pela atividade e a importância dos sonhos de criança.
Aqui, o sociólogo sublinhou que os bombeiros ainda são representados como «pessoas de grande coragem» e que continua a estar-lhes associada a ideia de herói: «Ainda não temos a heroína… está p’ra chegar», comentou Nuno Domingues. Um sinal nesse sentido poderá ser o facto de o prémio de “Bombeiro de Mérito” ser este ano, pela primeira vez, atribuído a uma mulher (Fátima Antunes, 34 anos, dos Bombeiros Voluntários da Ericeira), o que tem sido amplamente destacado pela Comunicação Social nacional (todavia, a distinção foi também atribuída ex aequo ao bombeiro António Serrano, dos Voluntários de Soure).
Segundo o estudo apresentado pelo bombeiro, a média de mulheres nos corpos activos do distrito de Setúbal é de 17%. Mas, como acrescentou, há muitas mulheres que participam nas corporações integradas noutros quadros, nomeadamente no de Especialistas e Auxiliares (incluindo as fanfarras), o que também «denuncia o seu encaminhamento para funções de ordem secundária». Nuno Domingues reconheceu que «ainda persiste a ideia de que determinadas funções são da competência dos homens» e que «o aumento de mulheres nos CBs é um facto relativamente recente», como se conclui da idade maioritariamente jovem das bombeiras do distrito.
«Ser Comandante no feminino não é fazer melhor; é fazer diferente», considerou a Comandante dos BV Vidigueira
Também a recém nomeada Comandante dos Bombeiros Voluntários da Vidigueira realçou que «a integração das mulheres nos corpos de bombeiros é tardia e pouco inclusiva», em consequência da tendência das instituições para reproduzirem as diferenças de género e os preconceitos socialmente aceites. Em algumas corporações «os horários noturnos continuam a ser interditos ao género feminino e por aqui se vê como há diferenças», exemplificou Noémia Ramos.
A este propósito, na intervenção precedente, Maria Manuela Rodrigues, 71 anos, há 21 no Quadro Auxiliar dos BVPN – que sublinhou a sua participação nas Jornadas também na qualidade de «mulher, mãe e sogra de bombeiros» – já tinha afirmado a sua disponibilidade para ajudar «as mais novas» a lutarem por uma camarata feminina no seu quartel, que ainda não existe.
«Os regulamentos dos CBs não fazem referências sexistas e discriminatórias, mas há os estereótipos sobre quem domina e quem é dominado», disse ainda a Comandante da Vidigueira, para quem «as regras podem ser quebradas e os lugares tradicionalmente masculinos podem passar à esfera feminina», mas com uma única diferença: «Às mulheres, é-lhes exigido um percurso brilhante; aos homens, apenas o seu género», afirmou a actual única Comandante do país.
De resto, Noémia Ramos garantiu não estar a sentir qualquer problema ao nível da aceitação junto do seu CB e recordou as palavras proferidas no seu recente discurso de tomada de posse: «O poder é algo efémero; tanto mais rápida é a sua morte quanto pior for a sua utilização». A alentejana mostrou-se, sempre, segura das suas capacidades – «Eu sou eu e não preciso de muitas apresentações…» – e confortável na sua farda de Comandante (há dois meses, a imprensa dava conta da dificuldade em encontrar farda para a sua baixa estatura.
«Ainda hoje eu fecho os olhos e consigo vê-las [as vítimas]», contou a bombeira Judite Joaquim, sobre um acidente que a marcou
No programa das Jornadas coube, em exclusivo, a Judite Joaquim o relato, na 1ª pessoa, das experiências de uma bombeira do Quadro Ativo. A engenheira de formação recordou como «uma paragem cardio-respiratória presenciada» e um acidente no IP4 com duas vítimas – «Ainda hoje eu fecho os olhos e consigo vê-las», confessou – a fizeram aperceber-se das limitações dos bombeiros no socorro pré-hospitalar e interessar-se pelo socorrismo, em especial. Já depois de ter concluído o curso de Tripulante de Ambulância de Socorro (TAS), numa turma com apenas duas mulheres em 16 formandos, Judite relatou as dificuldades em criar no seu corpo de bombeiros um grupo especializado na área da saúde, a começar pela «dificuldade em convencer o Comandante dessa necessidade».
O testemunho da bombeira de 1ª classe dos Voluntários Cruz Verde de Vila Real transmitiu, por outro lado, a convicção de que a uma mulher não há, à partida, funções vedadas. «Trabalhei na ambulância até aos 7 meses de gravidez», contou, confessando que só por vontade do seu Comandante terminou a gravidez ao serviço da central de comunicações. Depois, dada a dificuldade em exercer o direito às horas de amamentação previstas na lei, a sua bebé passou a ir com ela para o quartel e a ter um espaço próprio na camarata. Judite revelou como o quotidiano do quartel de bombeiros se adaptou à presença da sua filha – «A menina está a dormir…», pronunciavam os colegas, apelando ao silêncio – e, concluiu, «por isso é impossível não fazer com que a minha filha goste dos Bombeiros». E nem seria preciso vê-la fardada de bombeira a passear-se pelo palco do auditório da Associação, onde decorreram as Jornadas, para acreditar que o futuro das mulheres nas corporações está assegurado. «A menina é bombeira desde que nasceu; não há nenhum dia em que a Diana não vá aos Bombeiros», contou Judite Joaquim.
A bombeira confessou ainda o seu fascínio pelas brigadas heli-transportadas de combate a incêndios – «Quando chegava o Verão deixava de ser socorrista e tornava a ser bombeira» – e pelo apelo da sirene, enquanto estudante da Universidade de Trás-os-Montes: «A época de fogos florestais coincidia com a época de exames, o que sempre considerei uma grande injustiça», contou, lembrando as vezes em que largou os livros para acorrer ao toque da sirene.
Atualmente, Judite presta serviço no INEM, incluindo na moto de emergência, no Porto, e percorre os CBs da região fazendo formação de Tripulantes de Ambulância de Transporte (TAT). «Os CBs deviam reconhecer um bocadinho mais o trabalho que nós fazemos, porque, com algumas atitudes, acabam por fazer com que nos afastemos», desabafou.
E coube à sua irmã Helena, enfermeira e Equiparada a Adjunto de Comando dos BVPN – que acabou o dia a desempenhar o papel de “anfitriã” e “mestre de cerimónias” das Jornadas –, o encerramento dos trabalhos, com recurso a estas palavras de Madre Teresa de Calcutá, num incentivo à capacidade de resistência das mulheres: «Continua, quando todos esperam que desistas!»
«Para uma mulher ou para um homem, é uma honra estar nos Bombeiros», afirmou o presidente da LBP
Nestas II Jornadas da Mulher Bombeira – as primeiras a serem contabilizadas decorreram, no ano passado, em Santiago do Cacém, e as próximas poderão realizar-se em Óbidos (pelo menos, foram as representantes dos Bombeiros Voluntários de Óbidos [na foto acima] a aceitarem o repto lançado por Helena Joaquim para a organização da próxima edição) –, as corporações de Óbidos e Oliveira de Azeméis, cada uma com 5 participantes, foram as mais representadas na assistência. Da Azambuja vieram até ao Pinhal Novo quatro bombeiras. No encontro fizeram-se ainda representar os corpos de bombeiros de Loures, Moita, Sul e Sueste, Barreiro, Sesimbra, Santo André, Santiago do Cacém, Palmela e Pinhal Novo. Estiveram também presentes os presidentes das associações congéneres de Águas de Moura e Palmela, bem como os responsáveis do Serviço Municipal de Proteção Civil, Paulo Pacheco e Carlos Caçoete.
Convidado para a mesa de abertura – partilhada com o Comandante Distrital Alcino Marques e o presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Setúbal, Aníbal Reis Luís, para além do presidente da Mesa da Assembleia Geral da AHBVPN –, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses fez questão de saudar as «mulheres de combate» presentes, em especial as presidentes da Câmara Municipal de Palmela e da Direção dos BVPN, assim como a Comandante dos Voluntários da Vidigueira. Segundo os dados que apresentou, referentes ao ano de 2006, o número total de mulheres nas corporações do país é de 4150. Nos corpos gerentes das associações, são 92 as dirigentes em funções efetivas, das quais 9 são presidentes de direção, entre as quais a de Pinhal Novo, como realçou Duarte Caldeira.
O presidente da LBP sublinhou que «as mulheres introduziram dinâmicas diferentes» nas corporações, mas que, no essencial, o que caracteriza a missão dos Bombeiros não depende do sexo: «Esta é uma missão de honra, dever, partilha e serviço. É, então, para uma mulher ou para um homem, uma honra estar nesta estrutura», afirmou Duarte Caldeira.
O programa das Jornadas contemplou ainda a integração das mulheres noutros sectores, como o da Medicina (tema abordado pela cirurgiã Cláudia Galrão) e o meio militar (interveio a soldado Dulcília Carona, da GNR), bem como uma retrospetiva sobre a evolução do Direito português no tratamento da mulher e na promoção da igualdade jurídica entre os sexos, a cargo de Mário Cunha, Magistrado do Ministério Público.
A encerrar as II Jornadas da Mulher Bombeira, as vozes femininas alentejanas tomaram conta do auditório da Associação, com o Grupo Coral Feminino “Estrelas do Alentejo”, que veio de Santa Vitória (Beja), localidade de onde é natural Aurora Serrão, presidente dos BVPN. Por razões de saúde, a presidente viu-se impedida de assistir às Jornadas e à atuação do coral da sua terra que, por isso, lhe foi especialmente dedicada – na foto abaixo, gentilmente enviada por Cátia Dias, dos Bombeiros Voluntários de Óbidos.
Fonte: Helena Rodrigues da Silva (rep); Fotografias gentilmente cedidas por Adelino Chapa/CMP
Mais uma vez sob o lema «Voluntários por opção, Profissionais na ação», decorrem, até 21 de maio, as comemorações do Dia Municipal do Bombeiro. A iniciativa da Câmara Municipal de Palmela pretende homenagear os bombeiros e integra iniciativas distribuídas pelas três corporações do concelho.
O programa do Dia Municipal do Bombeiro 2006 vai estar centrado na freguesia do Poceirão, onde se realiza, na tarde de 20 de maio, um simulacro de acidente numa passagem de nível, que envolverá as três corporações de bombeiros do concelho: Pinhal Novo, Palmela e Águas de Moura. É também no Poceirão que, no Domingo, 21 de maio, terá lugar a sessão solene de homenagem a todos os bombeiros do concelho.
A apresentação pública do programa comemorativo do Dia Municipal do Bombeiro decorreu em conferência de imprensa realizada na Sexta-feira, 5 de maio, pelas 17 horas, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, em Palmela, na presença de representantes das Direções e Comandos das corporações envolvidas. A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo fez-se representar pela presidente da Direção, Profª. Aurora Serrão, e pelo Comandante Fernando Pestana.
PROGRAMA
12 de maio (Sexta-feira) 15h00: Simulacro na Escola Hermenegildo Capelo, em Palmela
13 de maio (Sábado) 15h00: Debate “Reformas e parcerias com o Estado no âmbito da proteção e socorro” – Auditório dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo (com moderação do presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Águas de Moura, José Cardoso)
14 de maio (Domingo) 10h00: ”Gestos que salvam” – Ações de formação com os munícipes, abertas a toda a população do concelho, nos quartéis de bombeiros do concelho 16h00: Passeio de cicloturismo inter-bombeiros, com partida do quartel dos Bombeiros Voluntários de Águas de Moura
16 de maio (Terça-feira) 19h00: Jogo de Futebol entre os veteranos do Palmelense Futebol Clube e a seleção de bombeiros do concelho, no Complexo Desportivo Municipal de Palmela
20 de maio (Sábado) 17h30: Simulacro de acidente na passagem de nível do Poceirão, envolvendo as três corporações de bombeiros do concelho e todos os agentes da proteção civil
21 de maio (Domingo) 08h00: Hastear de bandeiras com toque de sirene nos quartéis dos Bombeiros Voluntários de Palmela, Pinhal Novo e Águas de Moura; 09h30: Exposição de viaturas de socorro e de combate a incêndios – Rua Principal do Poceirão 11h15: Receção às entidades oficiais – Junta de Freguesia do Poceirão 11h30: Desfile apeado e motorizado – Rua Principal do Poceirão 12h00: Sessão Solene de homenagem aos bombeiros do concelho – Pavilhão Multiusos Mário Bento 13h00: Almoço convívio entre a Câmara Municipal, Juntas de Freguesia, Direções, Comandos e Corpos Ativos das Associações de Bombeiros do concelho
Fonte: HR, c/ Fernando Pestana e Câmara Municipal de Palmela
A realização de um simulacro conjunto, que envolveu os corpos de bombeiros de Pinhal Novo, Palmela e Águas de Moura, junto à Sociedade de Instrução Musical da Quinta do Anjo, marcou o arranque das comemorações do Dia Municipal do Bombeiro.
No âmbito das comemorações do Dia Municipal do Bombeiro, o Serviço Municipal de Proteção Civil e as três associações de bombeiros do concelho de Palmela realizaram no Sábado, 14 de maio, a partir das 17 horas, um simulacro na Quinta do Anjo, junto à Igreja Paroquial e à Sociedade de Instrução Musical. Intitulado “Exercício Anjo 2005”, o simulacro teve como cenário um incêndio na sala de espetáculos daquela coletividade e a consequente saída precipitada dos espectadores.
Entretanto, duas viaturas, que “circulavam” em excesso de velocidade na Rua João de Deus, “provocaram” vários atropelamentos, dos quais “resultaram” cinco feridos graves e o despiste das viaturas, seguido do incêndio de uma delas. Devido ao fumo intenso que saía da coletividade, teve de ser efetuada uma busca e salvamento no seu interior.
«Enquanto na rua há vítimas atropeladas e outras encarceradas, nas instalações da colectividade encontram-se duas vítimas, uma queimada e outra intoxicada», contou Raul Prazeres, Adjunto de Comando dos Bombeiros de Pinhal Novo, sobre o cenário do exercício. A intervenção da corporação abrangeu a emergência pré-hospitalar e a extinção do incêndio. «A nossa função foi prestar socorro às vítimas de atropelamento e colaborar na extinção do incêndio, fazendo arrefecimento das exposições e ventilação vertical», explica Raul Prazeres.
O Corpo de Bombeiros de Pinhal Novo participou no simulacro conjunto – realizado sob o comando dos Bombeiros Voluntários de Palmela – com onze elementos e três viaturas: duas ambulâncias de socorro (cada uma com 3 homens) e um VUCI (com 5 bombeiros). Além das três corporações do concelho, o “Exercício Anjo 2005” contou com a participação do CDOS, Serviço Municipal de Proteção Civil, GNR, EDP, Centro de Saúde de Palmela e Junta de Freguesia de Quinta do Anjo.
De acordo com a organização, este exercício conjunto teve como objetivos aumentar a capacidade operacional dos vários agentes da Proteção Civil; possibilitar aos órgãos de coordenação uma apreciação rigorosa da resposta e da capacidade operacional dos equipamentos de socorro disponíveis, em caso de emergência; e rotinar procedimentos e testar comunicações de emergência entre os intervenientes.
Fonte: HR, c/ Raúl Prazeres; Foto de Cristóvão Vinagreiro
Integrado nas comemorações do Dia Municipal do Bombeiro, vai realizar-se no Cine-Teatro S. João, em Palmela, de 20 a 22 de maio, o 2º Encontro Nacional de Tripulantes de Ambulâncias de Socorro. Em 22 de maio, realiza-se ainda uma sessão solene de homenagem aos bombeiros do concelho. O dia termina com um Encontro Distrital de Fanfarras.
Instituídas em 2001 pela Câmara Municipal de Palmela, as comemorações do Dia Municipal do Bombeiro decorrem, este ano, desde 14 de maio e são dinamizadas pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Palmela. A iniciativa tem como principal objetivo demonstrar a capacidade operacional das corporações, refletir sobre os principais temas ligados à segurança e socorro, proporcionar momentos de convívio entre os bombeiros, as suas famílias e a comunidade, e reconhecer o papel social dos bombeiros, «agradecendo a sua entrega e dedicação».
Do programa comemorativo, merecem destaque a sessão solene de homenagem aos bombeiros e o 2º Encontro Nacional de Tripulantes de Ambulâncias de Socorro, que terão lugar no Cine-Teatro São João, em Palmela.
Programa do Dia Municipal do Bombeiro
14 de maio (Sábado) 17h00 “Exercício Anjo 2005” – Exercício conjunto envolvendo as três corporações de bombeiros e o SMPC, junto à Sociedade de Instrução Musical de Quinta do Anjo;
17 de maio (terça-feira) 19h00 Jogo de Futebol entre uma seleção de bombeiros do concelho e a equipa de veteranos do Palmelense Futebol Clube – Complexo Desportivo Municipal;
20 de maio (sexta-feira) 21h30 Sessão de cinema com o filme “Brigada 49” – Cine-Teatro S. João
20 a 22 de maio 2º Encontro Nacional de Tripulantes de Ambulâncias de Socorro – Cine-Teatro S. João (Ver programa abaixo)
21 de maio (Sábado) 22h00 Encontro de Tunas Académicas – Cine-Teatro S. João
22 de maio (Domingo) 08h00 Hastear de Bandeiras com toque de sirene – Quartéis dos Bombeiros Voluntários de Águas de Moura, Palmela e Pinhal Novo 09h00 Exposição de viaturas de socorro e combate a incêndios – Largo de S. João 11h15 Receção às entidades oficiais – Cine-Teatro S. João 11h30 Início do desfile apeado e motorizado – Vila de Palmela 12h00 Sessão Solene de Homenagem aos Bombeiros Voluntários do concelho – Cine-Teatro S. João 13h00 Almoço convívio entre a Câmara Municipal, Direções, Comandos e Corpo Ativo das Associações de Bombeiros do Concelho 15h30 Encontro Distrital de Fanfarras – Vila de Palmela
Programa do 2º Encontro Nacional de Tripulantes de Ambulâncias de Socorro
20 de maio (sexta-feira) 20h00 Receção aos participantes 20h30 Moscatel de Honra (servido na Casa Mãe Rota dos Vinhos)
21 de maio (Sábado) 08h30 Abertura do secretariado 09h00 Sessão de abertura 10h00 Apresentação da ANTEPH 10h30 Intervalo para café 10h45 O controlo da infeção no Pré-Hospitalar 11h15 Desfibrilhação Automática Externa DAE 12h30 Almoço (livre) 14h00 A responsabilidade civil e criminal em emergência 14h45 A abordagem do idoso vítima de trauma 15h30 Intervalo para café 16h15 A abordagem pré-hospitalar do queimado 17h00 A comunicação e linguagem entre o técnico e o médico 20h30 Jantar convívio
22 de maio (Domingo) 09h05 A condução de veículos prioritários (A Ambulância) 10h30 Apresentação das conclusões 10h45 Sessão de encerramento
O Encontro é uma organização da Associação Nacional de Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar e a participação está sujeita a inscrição prévia no sítio da instituição,
As comemorações do Dia Municipal do Bombeiro prosseguem até 15 de maio, numa organização conjunta da Câmara Municipal de Palmela e dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo. Para o último dia do programa, está marcado um desfile apeado e motorizado que juntará as três corporações de bombeiros do concelho junto à Praça da Independência, em Pinhal Novo, a partir das 11.30 horas. No mesmo local, junto à estação dos caminhos-de-ferro, estará patente uma exposição de viaturas de socorro e de combate a incêndios.
O programa do Dia Municipal do Bombeiro – que se iniciou no passado dia 30 de abril, com um exercício de simulação de incêndio industrial em Rio Frio [Ver Notícia] , e incluiu, em 8 de maio, a realização de um colóquio subordinado ao tema “A Saúde no Socorro de Emergência” [Ver Notícia] -, prevê, para 13 de maio, a realização de um jogo de futebol entre uma seleção de bombeiros do concelho de Palmela e a equipa de veteranos do Palmelense Futebol Clube, que terá lugar às 19 horas, no Complexo Desportivo Municipal, em Palmela.
No mesmo dia, pelas 21.30 horas, proceder-se-á, no quartel-sede dos Bombeiros Voluntários de Palmela, à inauguração da exposição “História dos Bombeiros Voluntários de Palmela – Missão: Salvar”.
No sábado, 15 de maio, o último dia das comemorações do Dia Municipal do Bombeiro será assinalado, nos três quartéis de bombeiros do concelho – Pinhal Novo, Palmela e Águas de Moura – com o hastear de bandeiras ao som do toque de sirene (8 horas).
As comemorações oficiais serão, depois, centradas em Pinhal Novo, na Praça da Independência, onde terá lugar a receção às entidades oficiais (11 horas), seguida de desfile apeado e motorizado e de uma sessão solene de homenagem aos bombeiros do concelho, que terá lugar pelas 12 horas, no auditório da Biblioteca Municipal.
O programa ficará completo com a realização de um almoço convívio entre a Câmara Municipal de Palmela, as Direções, Comandos e Corpo Ativo das Associações de Bombeiros de Pinhal Novo, Palmela e Águas de Moura, que terá lugar no salão da corporação pinhalnovense.
Seguindo a lógica de rotatividade que tem marcado a promoção do Dia Municipal do Bombeiro, no próximo ano as comemorações serão centradas em Palmela (no ano passado, haviam tido lugar em Águas de Moura, com o momento alto na cerimónia de lançamento da primeira pedra do novo quartel-sede da corporação local).
A partilha de experiências entre vários agentes da proteção civil foi o principal objetivo do colóquio que, em Pinhal Novo, reuniu um painel constituído por médicos e pelo presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, sob a moderação da jornalista da SIC, Maria João Ruella.
“A Saúde no Socorro de Emergência” foi o tema do colóquio promovido no sábado, 8 de maio, pelo Corpo de Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo, em colaboração com a Câmara Municipal de Palmela. O colóquio, que se realizou entre as 10 e as 13 horas, no Auditório Municipal de Pinhal Novo, foi um dos eventos integrantes do programa comemorativo do Dia Municipal do Bombeiro, que decorre desde 30 de abril até 15 de maio, numa organização conjunta da corporação pinhalnovense e do Serviço Municipal de Proteção Civil.
Destinado a bombeiros e restantes agentes da proteção civil, autarcas e profissionais de saúde, o colóquio teve como propósito refletir sobre os objetivos a atingir pelos vários intervenientes na proteção civil, na área da saúde, e a sua capacidade operacional e interligação no socorro de emergência, em caso de acidente grave, catástrofe ou calamidade.
O encontro constituiu uma excelente oportunidade de partilha de experiências entre a audiência, maioritariamente constituída por bombeiros das corporações do distrito de Setúbal, e os oradores convidados: o Dr. António Pegado, do Corpo de Bombeiros de Santa Comba Dão, que transmitiu a experiência do socorro numa pequena cidade do interior, onde a corporação se encontra dotada com meios aéreos (um helicóptero); a Dra. Isabel Santos, do Instituto Nacional de Emergência Médica, que caracterizou o âmbito de intervenção do INEM na primeira linha do sistema de emergência; o Dr Richard Glied, Diretor dos Serviços de Urgência Pré-Hospitalar do Corpo de Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo, que fez uma análise comparada entre o socorro de emergência em Portugal e na Alemanha, onde acumulou cerca de dez anos de experiência como médico em equipas de emergência; e o Dr. José Cunha da Cruz, médico do Serviço Nacional de Bombeiros e Proteção Civil, que abordou a experiência portuguesa de integração de equipas internacionais de socorro em situações de catástrofe ocorridas no estrangeiro.
Ao presidente do Conselho Executivo da Liga dos Bombeiros Portugueses, Duarte Nuno Caldeira, coube o encerramento das intervenções iniciais – fazendo uma síntese do papel actual dos bombeiros no sistema de emergência pré-hospitalar e apontando caminhos para a valorização dessa intervenção -, antes de se passar ao debate, sob a moderação da jornalista Maria João Ruella (SIC), ela própria protagonista de uma experiência internacional que, como reconheceu, “correu mal” (uma alusão ao ataque de que foi vítima no cenário de guerra do Iraque, e que obrigou à sua evacuação para Portugal pelo INEM).
O debate foi, por um lado, alimentado pelas explicações solicitadas pelo presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Palmela ao Dr. Richard Glied, por este ter realçado que, na Alemanha, vigora um tempo máximo de resposta legalmente permitido para situações de emergência (15 minutos, desde a notícia da ocorrência até à chegada ao local dos meios de socorro). Neste contexto, o médico explicou que, na Alemanha, existem 53 helicópteros ao serviço do sistema de emergência pré-hospitalar, cuja lógica de utilização não é tanto a de permitir evacuar as vítimas com grande rapidez, mas, sobretudo, a de possibilitar a chegada rápida da equipa médica ao local da ocorrência.
Por outro lado, a intervenção da enfermeira Helena Joaquim, da corporação pinhalnovense, colocou em cima da mesa a questão da falta de apoio psicológico para os próprios bombeiros que, no seu dia-a-dia, se confrontam com a realidade da vida e da morte. A enfermeira sugeriu ainda a criação de um bacharelato, na área da emergência pré-hospitalar, como forma de reconhecimento das habilitações dos Técnicos de Ambulância de Socorro que, para além da escolaridade obrigatória, possuem competências como técnicos de saúde que carecem de validação em termos do sistema formal de ensino. A este propósito, Duarte Caldeira revelou que já existem contactos entre a Liga dos Bombeiros Portugueses e estabelecimentos de Ensino Superior.