«Curva da morte» faz seis mortos

Seis mortos, entre os quais uma criança de dois anos, foi o resultado de um choque frontal ocorrido pelas 2h35 da madrugada de sábado, 12 de fevereiro de 2005, na E.N. 252. Foi um dos acidentes mais graves registados em Pinhal Novo e um dos que mais marcaram os bombeiros.

No dia 12 de fevereiro de 2005, a vila acordou sem ter memória de alguma vez um acidente rodoviário na localidade ter provocado tantas vítimas, todas residentes em Pinhal Novo. Não houve sobreviventes do choque entre duas viaturas ligeiras ocorrido na chamada «Curva da morte», na Estrada Nacional 252, junto ao antigo bar «Sem Limites».

O acidente ocorreu quando uma viatura que circulava no sentido Pinhal Novo – Palmela, com três ocupantes (jovens com cerca de 25 anos), se despistou, saiu fora da estrada e retornou à via, ficando atravessada na estrada. Outra viatura, circulando no sentido contrário, viria a chocar com o carro dos jovens. A segunda viatura transportava uma criança de dois anos, a sua mãe e avó, que regressavam de uma consulta nas urgências do Hospital de Setúbal. Tragicamente, todas as seis vítimas faleceram na sequência do acidente e foram transportadas para o Hospital de Setúbal.

Os Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo acorreram ao acidente com um total de seis viaturas e 13 homens. Foram mobilizadas a viatura de salvamento e desencarceramento e cinco ambulâncias da corporação, a que se juntaram mais duas ambulâncias e o veículo de desencarceramento dos Bombeiros Voluntários de Palmela.

No local esteve ainda a viatura médica (VMER) do INEM, sediada em Setúbal, além da Brigada de Trânsito da GNR.

Destroços de morte na berma da estrada e na mente dos bombeiros

No local da ocorrência, onde têm sido muito frequentes os acidentes rodoviários (o mais recente provocou um morto, conforme noticiado aqui), o dia de sábado amanheceu soalheiro e os carros continuam a passar, velozes, nos dois sentidos, indiferentes às vidas que, horas antes, ali se perderam.

Só restam os destroços das viaturas – um Volkswagen Golf cinzento e um Renault Clio amarelo –, na berma da estrada. E pares de luvas médicas, jogados fora em reação de desânimo pelo pessoal da emergência médica que terá tentado descobrir sinais vitais nos corpos feridos. Em vão.

Os bombeiros, apesar da experiência que têm em lidar com situações de acidentes rodoviários, confirmam que um caso destes não lhes é indiferente, sobretudo por envolver uma criança e ter sido impossível resgatar alguém com vida. «Nunca no Pinhal Novo tínhamos tido um acidente com este número de mortos», desabafa Rudi Matos, 23 anos, um dos bombeiros que acorreram ao acidente. Este Tripulante de Ambulância de Socorro diz que foi impossível não se instalar o desânimo entre os bombeiros. «Se, pelo menos, houvesse uma vítima que pudesse ser reanimada, sempre tínhamos alguma coisa a que nos agarrar e alguma motivação», conta.

Percebe-se que a imagem de um bombeiro com o corpo de uma criança nos braços não se apaga, de uma noite para a outra, mesmo das mentes mais treinadas. E que as operações de desencarceramento são mais pesadas quando se sabe que «não vale a pena» tentar salvar vidas e se limitam a «cortar chapa para tirar as vítimas».

Perto da curva, existem duas residências, mas ninguém se apercebeu ou testemunhou o acidente. Já à porta do quartel dos Bombeiros, não se tem falado de outra coisa e até os familiares das vítimas têm ali acorrido, na expectativa de alguém lhes poder explicar melhor como tudo aconteceu.

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Os bombeiros que intervieram nas operações de socorro receberam apoio psicológico por parte dos técnicos do Gabinete de Psicologia dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas. Entre os operacionais de Pinhal Novo, é partilhada a opinião de que este foi o acidente que mais os marcou, ao longo do seu percurso de bombeiros.

Fonte: Helena Rodrigues (Texto); Tiago Silva (Fotos)

Projeção de fardos de palha provoca um morto na E. N. 252

A projeção de fardos de palha, transportados por um pesado de mercadorias, é a possível origem de um acidente grave que provocou um morto e várias viaturas danificadas na Estrada Nacional 252, entre Pinhal Novo e Volta da Pedra. Tudo aconteceu no passado dia 14 de janeiro, pouco depois das 14:45h.

O Corpo de Bombeiros foi alertado pelas 14:48h, via CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes, do INEM), para uma colisão em cadeia, envolvendo dois pesados de mercadorias e várias viaturas ligeiras.

De imediato, foram enviados para o local, além da Ambulância INEM, outras duas ambulâncias de cuidados intensivos e um veículo de salvamento com equipamento de desencarceramento.

Entretanto, o condutor de uma ambulância de transporte múltiplo deste Corpo de Bombeiros, Sandro Patraquim, que efetuava retornos hospitalares, passa pelo local, apercebe-se da real dimensão do acidente e informa a Central do Corpo de Bombeiros: havia um encarcerado numa das viaturas pesadas; era a única vítima do acidente, mas encontrava-se em estado grave.

O «filme» do socorro possível

O condutor da ambulância de transporte múltiplo, ainda com a vítima encarcerada, iniciou de imediato as manobras de suporte básico de vida possíveis, nomeadamente a permeabilização das vias aéreas e administração de oxigénio.

À chegada dos meios de socorro, devido à extensão e gravidade das lesões, a vítima já se encontrava em paragem cardio-respiratória.

O Adj. de Comando Raúl Prazeres assumiu o comando das operações e a equipa do veículo de salvamento e desencarceramento procedeu à estabilização da área, procurando abrir acessos para remoção da vítima, enquanto os Tripulantes de Ambulância de Socorro (TAS) tentavam reverter a paragem, numa fase em que já se sabia que a viatura médica de Setúbal (VMER) não se encontrava disponível para prestar apoio.

Acionado o médico da corporação, que se mostrou disponível de imediato mas não se encontrava no Pinhal Novo, foi necessário mobilizar um veículo do Corpo de Bombeiros para conseguir que este chegasse ao local para dar apoio aos tripulantes de ambulância.

Após a remoção da vítima, foi possível realizar, de imediato, manobras de reanimação cardio-respiratória, mas a extensão das lesões apresentadas não fazia adivinhar o sucesso esperado. De facto, a chegada do médico só veio confirmar o que a vontade dos socorristas teimava em negar: «Não o vamos conseguir salvar.»

Fardos de palha na origem do acidente

O acidente terá ocorrido, segundo populares presentes no local, devido à projeção de um fardo de palha que se soltou quando o pesado de mercadorias, conduzido pela vítima mortal, se cruzou com outro pesado, que transportava palha em fardos de 800 kg. O condutor, ao ser surpreendido pela projeção da palha que veio embater na cabina do seu camião, terá ainda conseguido imobilizar a viatura fora da via de circulação, evitando assim a colisão com outros veículos que circulavam em sentido contrário.

Pelo menos mais uma viatura ligeira de passageiros, que circulava atrás do pesado acidentado, sofreu danos menores provocados pela projeção de outros fardos de palha, porém daí não resultaram mais vítimas.

No local da ocorrência esteve presente a GNR de Pinhal Novo, assim como a Brigada de Trânsito e uma equipa especializada daquela polícia, que procedeu à investigação das causas do acidente.

Luís Neto (Texto); Leonel Barradas (Fotos)

Colisão provoca um morto e corte de Estrada Nacional durante 5 horas

A colisão ocorreu antes das 7 horas da manhã de segunda-feira, 29 de novembro, no quilómetro 15,5 da Estrada Nacional 5, quando uma carrinha tipo «pick up» foi embater num tractor agrícola com atrelado, provocando o despiste e capotamento deste. O condutor do tractor faleceu no local.

À chegada dos bombeiros, o condutor do trator agrícola – um homem de 31 anos, natural da Roménia -, encontrava-se encarcerado sob os escombros da cabina, em paragem cardio-respiratória. Foi necessário realizar manobras de salvamento e desencarceramento para remover a vítima do interior da cabina e iniciar as manobras de reanimação. A Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Setúbal, do INEM, que também se deslocou ao local, não conseguiu mais do que limitar-se a confirmar o óbito do condutor.

A via esteve interrompida até às 10:40 horas, devido aos trabalhos de investigação da Brigada de Trânsito da GNR e remoção dos dois veículos da estrada.

Portugal à frente no número de acidentes rodoviários

Este acidente vem marcar o início da semana e engrossar ainda mais as estatísticas da sinistralidade nacionais. Segundo um relatório internacional da Social Watch, elaborado por organizações sociais de 60 países, «Portugal ocupa um lamentável primeiro lugar na União Europeia em matéria de acidentes rodoviários». Cindo pessoas morrem, em média, por dia, nas estradas portugueses e 19 sofrem lesões graves.

Informações estatísticas recentes da Comissão Europeia, e divulgadas pelo Diário de Notícias, indicam que em cada milhão de portugueses, 150 morrem nas estradas, um rácio de tal maneira negativo que, na Europa, só é ultrapassado pela Letónia e Lituânia.

Só na semana passada, a GNR, apenas na sua área de jurisdição (que exclui os grandes centros urbanos), apresenta números assustadores: 24 mortos, em quase mil acidentes.

Fonte: Luís Neto

Novo acidente rodoviário confirma «ponto negro» em Pinhal Novo

Um ferido grave e dois feridos ligeiros é o resultado de mais um acidente no cruzamento da Estrada do Montinhoso e do acesso ao Parque Industrial do Vale do Alecrim, junto à antiga «Agaerre». Uma colisão entre dois veículos ligeiros, ocorrida no sábado, vem confirmar aquele como um «ponto negro» na rede rodoviária de Pinhal Novo.

A colisão entre os dois veículos ligeiros teve lugar às primeiras horas da noite de sábado, 6 de novembro. Devido ao forte impacto provocado pela colisão, os bombeiros, que mobilizaram para o local duas Ambulâncias de Cuidados Intensivos e um Veículo de Salvamento e Apoio Tático com material de desencarceramento, viram-se obrigados a proceder à extração controlada dos dois ocupantes de uma das viaturas envolvidas, que se encontrava semi-capotada, com recurso a técnicas de salvamento e desencarceramento.

Ainda no local, o Diretor dos Serviços de Emergência Pré-Hospitalar deste Corpo de Bombeiros – o médico Richard Glied – com a equipa da VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação) do INEM, de Setúbal, procederam à estabilização das vítimas. Dois dos três feridos foram evacuados para o Hospital de S. Bernardo, em Setúbal, encontrando-se um deles em estado considerado grave.

Este acidente ocorreu precisamente no mesmo local onde, no passado dia 4 de maio, um acidente de contornos semelhantes provocou dois feridos graves, com 19 e 21 anos de idade, sendo um evacuado para o Hospital de S. José, no helicóptero do INEM, e o segundo, por terra, para o Hospital Garcia de Orta, em Almada, onde acabaria por falecer (reler notícia).

Falta de sinalização e a deficiente visibilidade no local, quando acompanhados por excesso de velocidade, podem ser a causa da sinistralidade neste cruzamento, já conhecido pelos bombeiros de Pinhal Novo como um dos principais «pontos negros» da sinistralidade rodoviária na sua área de intervenção.

Fonte: Luís Neto (texto e foto)

Capotamento de viatura causa um ferido grave e três ligeiros

O capotamento de um veículo ligeiro de passageiros, que se incendiou após o despiste, causou hoje um ferido grave e três vítimas com ferimentos ligeiros, no acesso a uma das novas passagens desniveladas sobre a linha férrea, em Pinhal Novo.

O alerta do acidente foi dado às 14:15h de hoje, no Aceiro do Costa, em Pinhal Novo. No acesso à segunda passagem de nível da antiga Estrada dos Espanhóis, junto à fábrica “Electroarco”, uma viatura ligeira de passageiros havia-se despistado e, após capotamento, incendiou-se.

Populares presentes no local conseguiram, ainda antes da chegada das equipas de socorro, extinguir o incêndio com areia.

Após o capotamento, o veículo ficou “preso” no interior de uma conduta de águas pluviais, que permite a passagem das águas da chuva sob a passagem desnivelada, o que dificultou ainda mais o socorro às vítimas.

As vítimas foram assistidas no local por uma ambulância do INEM, estacionada neste Corpo de Bombeiros, e por uma Ambulância de Cuidados Intensivos. Para a ocorrência foram ainda mobilizados um Veículo de Socorro e Apoio Tático, um Veículo Urbano de Combate a Incêndios e um Veículo de Transporte de Pessoal Tático, também deste Corpo de Bombeiros, e ainda duas Ambulâncias de Socorro do Corpo de Bombeiros de Palmela.

Após a estabilização, os quatro feridos – um dos quais com gravidade – foram evacuados para o Hospital de S. Bernardo, em Setúbal.

Fonte: Luís Neto

Bombeiros de Pinhal Novo chamados a acidente com matérias perigosas na Ponte Vasco da Gama

Um incêndio num pesado de mercadorias, ao final da tarde de Quinta-feira, obrigou ao fecho do trânsito na Ponte Vasco da Gama durante várias horas, no sentido Norte-Sul. O Corpo de Bombeiros de Pinhal Novo interveio no local.

O veículo pesado de mercadorias incendiou-se na Ponte Vasco da Gama, quando circulava no sentido Norte/Sul. O alarme foi dado pelas 18 horas, julgando-se, de início, tratar-se de um camião de transporte de garrafas de gás. No local, porém, verificou-se que a carga do camião articulado variava entre materiais não perigosos e alguns «bidões» com uma matéria inflamável ainda não identificada.

Pelas 18:35h, o Corpo de Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo foi acionado pelo Centro Distrital de Operações de Socorro de Setúbal, com um veículo especialmente vocacionado para este tipo de sinistros, o VTGC 01 (Veículo Tanque de Grande Capacidade). Esta mobilização deveu-se à dificuldade dos meios de socorro do distrito de Lisboa para ultrapassar o intenso tráfego rodoviário que se fazia sentir, em hora de ponta, nos acessos à Vasco da Gama.

De forma a permitir um rápido acesso ao incêndio, as autoridades foram obrigadas a fechar um dos sentidos de trânsito, de forma a que as viaturas de socorro que circulavam de Sul pudessem entrar em «contra-mão» no tabuleiro da ponte.

No rescaldo das operações, não se registaram quaisquer feridos, embora o atrelado do veículo articulado sinistrado tenha sido completamente consumido pelas chamas.

Na operação de socorro, que terminou às 22:30h, estiveram envolvidos 7 corpos de bombeiros dos distritos de Lisboa e Setúbal, com 21 veículos e um total de 64 bombeiros.

Fonte: Luís Neto

Colisão provoca dois feridos na estrada da Palhota

Ambos os feridos são menores e um deles ficou em estado grave. A colisão, entre um motociclo e um pesado de mercadorias, ocorreu ontem, pouco antes das 22 horas, na Estrada Municipal 575.

O alerta foi efetuado via 112, pelas 21:50 horas de ontem, para os bombeiros de Pinhal Novo. A colisão envolveu um motociclo e um veículo pesado de mercadorias de transporte de automóveis, e originou dois feridos, o condutor e um passageiro do motociclo, este último em estado grave.

A colisão ocorreu na Estrada Municipal 575, entre as localidades de Palhota e Venda do Alcaide, onde o motociclo terá colidido com o atrelado de um camião articulado, desconhecendo-se ainda as causas do acidente.

O condutor e o passageiro do motociclo, de 16 e 15 anos, respetivamente, foram assistidos no local por duas ambulâncias e uma viatura de desencarceramento do Corpo de Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo.

O passageiro do motociclo, com suspeitas de lesões graves, foi evacuado diretamente do local para o Hospital Garcia de Orta, em Almada, enquanto o segundo ferido foi transportado ao Hospital de S. Bernardo, em Setúbal, com lesões ligeiras.

O condutor de pesado de mercadorias não sofreu qualquer ferimento.

Fonte: Luís Neto

Colisão esta madrugada obriga a evacuação de vítima por helicóptero

O alarme chegou ao quartel dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo quando passavam 19 minutos das zero horas de hoje, 4 de maio. A colisão entre duas viaturas ligeiras ocorreu na Estrada Nacional nº 252 e fez dois feridos graves.

O acidente aconteceu ao Km 11 da Estrada Nacional nº 252, no cruzamento da antiga fábrica Agaerre, junto à saída do Parque Industrial do Vale do Alecrim. As duas vítimas – um jovem de 21 anos e uma rapariga de 19, residentes em Pinhal Novo – circulavam no sentido Sul/Norte, quando colidiram com uma viatura que saía do parque industrial.

As operações de socorro demoraram 3 horas. A vítima do sexo feminino foi evacuada para o Hospital Garcia de Orta, em Almada, tendo o indivíduo do sexo masculino sido evacuado para o Hospital de São José, em Lisboa, no helicóptero do INEM.

O transbordo do ferido dos meios terrestres para os meios aéreos teve lugar no Campo de Treinos do Clube Desportivo Pinhalnovense, tendo o helicóptero levantado voo pelas 3h10m da madrugada, com a vítima acompanhada por um médico e uma enfermeira.

Só pelas 3h30m da madrugada os trabalhos foram dados por concluídos. Nas operações estiveram envolvidas, além dos meios aéreos do INEM, 3 ambulâncias medicalizadas e 4 viaturas de incêndio dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo, e 2 viaturas da GNR de Pinhal Novo. Foi necessária a intervenção de 2 médicos, 2 enfermeiros e 12 bombeiros.

Fonte: Comandante Fernando Pestana

Revista de Imprensa II: Médico e bombeiro na imprensa local

“Um caso de paixão pelo trabalho voluntário”, escreve o Jornal do Pinhal Novo, que dedica duas páginas da sua edição de 20 de janeiro ao médico que integra o Corpo de Bombeiros de Pinhal Novo. Leia aqui toda a entrevista, da autoria do jornalista José Manuel Rosendo.

Richard Glied está há pouco mais de seis meses em Portugal, e uma das primeiras coisas que fez depois de chegar foi bater à porta dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo e dizer: aqui estou, disposto a servir. É ele o médico que “veste a farda” e acompanha os Bombeiros sempre que há uma situação que requer ajuda médica imediata. O caso de Richard Glied nem teria nada de transcendente, não fosse o caso de ser um cidadão alemão que escolheu Portugal para viver. Se pudesse, diz, trabalharia a 100% no INEM ou numa Unidade de Cuidados Intensivos.

Chegou a Portugal a 1 de julho de 2003. Um telefonema abriu a porta à concretização de uma vontade antiga: viver em Portugal! “O antigo diretor clínico do Hospital Particular de Setúbal conhece uma médica alemã que estudou comigo e que vive na Costa de Caparica. Através dela, soube da minha existência e fez-me o convite. Desde há 15 anos que fazíamos quase sempre quatro semanas de férias de Verão em Portugal. Conheço um bocadinho do país, especialmente o sul, de Lisboa para baixo. Criámos cá alguns amigos e já tinha ouvido dizer que faltam muitos médicos em Portugal. E porque gosto de viver em Portugal… gosto da comida, do tempo, das pessoas… e foi possível a minha especialidade (anestesiologista) ter equivalência em Portugal”.

Convite aceite, Richard fez as malas e chegou a Setúbal pronto para ficar. De início dormiu três semanas no próprio Hospital. Estudou o terreno e decidiu onde iria arranjar casa para que a família também pudesse vir: “Escolhi Pinhal Novo – que não conhecia – por uma questão estratégica, fica a meio caminho entre Lisboa e Setúbal. Em Setúbal tinha o trabalho e em Lisboa o Colégio Alemão para as crianças”.

Explicada a escolha de Portugal e de Pinhal Novo, como foi a aproximação aos Bombeiros? Chegou, bateu à porta e disse aqui estou, quero ser Bombeiro? “Fui médico num corpo de Bombeiros Voluntários na Alemanha (onde fui chefe de serviço num hospital público) e queria continuar esta atividade. Cheguei aos Bombeiros, mostraram-me o quartel, falei com o comandante e depois obtive a equivalência da minha formação como bombeiro alemão e já faço parte do quadro auxiliar especializado como equiparado a adjunto de comando. A 1 de agosto já tinha número mecanográfico dos Bombeiros”. Já tem farda e já participou em várias ações dos Bombeiros de Pinhal Novo.

Telefone ligado

O gosto pelo trabalho nos Bombeiros foi adquirido ainda em estudante. Estagiou em carros médicos nos Bombeiros na Alemanha e chegou a trabalhar integrado em tripulação de ambulâncias onde também ganhou algum dinheiro para ajudar a pagar a Universidade. Estava entranhado o gosto pela atividade.

Nos Bombeiros de Pinhal Novo, Richard está disponível (desde que não esteja fora a trabalhar) para ser chamado sempre que haja um serviço de saúde ou um acidente grave: “Telefonam-me e se estiver por perto vou ao local”. Foi o que aconteceu recentemente com o acidente que vitimou um idoso na Estação da CP em Pinhal Novo e também no acidente na Lisnave, em Setúbal, quando houve uma explosão num navio em que estavam operários a trabalhar.

Integração rápida

O facto de ser estrangeiro não significou qualquer entrave à integração de Richard nos bombeiros de Pinhal Novo. Em regra, todos os dias passa pelo quartel, de manhã ou à noite, dependendo dos turnos que vai fazendo no Hospital.

Chegado recentemente a Portugal, médico, e com a vida por organizar, seria de esperar que Richard se preocupasse em trabalhar de forma remunerada. “Os Bombeiros não têm dinheiro, as vítimas também não. Há muitos serviços de saúde que deviam ser acompanhados por um médico no local da ocorrência. Mas não há médicos… frequentemente o INEM de Setúbal está ocupado com outro serviço e há transportes de doentes com doenças súbitas graves ou acidentes graves que não são acompanhados por um médico que crie condições para o transporte do doente numa situação estável”, afirma este médico alemão, que prefere dar uma explicação “que não é para escrever” quando lhe perguntamos porque motivo não haverá em Pinhal Novo um médico português a ser voluntário como ele.

Serviço de urgência

Trabalhar nos Bombeiros, na área da emergência médica, exige uma filosofia específica: “Os Bombeiros são uma equipa unida. É necessário e de outra forma não seria possível trabalhar muito rápido e com muito rigor”. Relativamente às condições de trabalho nos Bombeiros de Pinhal Novo, Richard considera que “o quartel, em termos de trabalho humanitário, é muito moderno. Tem novas ambulâncias e possibilidade de trabalhar de forma mais diferenciada e não só para transportar doentes. Por exemplo, temos uma ambulância do tipo unidade de triagem. Custa dinheiro mas é uma ajuda importante para os sinistrados. Os Bombeiros estão bem organizados e têm uma forte capacidade mental para trabalhar modernamente e aceitar, por exemplo, as minhas indicações médicas. Quando se trata de estabilizar uma vítima ou um doente no local da ocorrência precisamos de explicar muitas coisas mas foi uma aceitação mais ou menos rápida”.

Ainda assim, entre Portugal e Alemanha há diferenças consideráveis: “Na Alemanha só os sapadores têm ambulâncias, os voluntários não fazem serviços de saúde. Quanto a meios técnicos para fogos e desencarceramentos a qualidade é a mesma mas existe uma grande diferença em termos de quantidade. Também há menos ambulâncias, menos carros médicos… na Alemanha é um luxo, um paraíso, existem muitos mais meios”.

Reconhece que os médicos portugueses têm uma formação e uma qualidade de nível europeu. Sabe que em Portugal a nota de acesso à faculdade de medicina é altíssima e conhece a realidade de jovens portugueses que têm de estudar noutro país para concretizarem o sonho.

“Acho que algumas pessoas que têm notas muito boas nem sempre têm vocação. Para ser um investigador científico é bom ter boas notas, mas depois para trabalhar são necessárias outras qualidades. Acho que o “numerus clausus”, tal como na Alemanha, não serve muito para escolher um bom médico”. É mais importante ter boas notas ou ter vocação? “Precisamos de encontrar um equilíbrio, a um nível alto, mas precisamos de ambas”.

Saúde à portuguesa

JPN – Está a trabalhar há pouco tempo em Portugal mas como é que avalia os cuidados de saúde prestados em Portugal?

RG – Como médico anestesiologista e intensivista conheço melhor estas áreas. Faltam muitos médicos nos cuidados intensivos (UCI), por isso é frequentemente difícil colocar feridos graves num hospital mais perto, porque frequentemente eles não têm um ventilador disponível. É frequente na Grande Lisboa não haver um ventilador vago para receber um ferido grave. Há hospitais com sete, oito ou nove camas com ventilador mas não é suficiente para todos os feridos/doentes em estado crítico”.

JPN – Mas isso é uma questão de meios e não de falta de médicos…

RG – Frequentemente os hospitais têm ventiladores mas o ventilador sozinho num quarto não serve. Faltam médicos e enfermeiros para manusear os aparelhos. Em termos de pessoal os problemas são mais graves do que em termos de material. Está mais difícil para os enfermeiros do que para os médicos. Os médicos podem escolher o local onde querem trabalhar.

JPN – O que pensa das listas de espera?

RG – Ao nível das urgências Portugal está ao nível da Alemanha, mas ao nível das cirurgias eletivas (cirurgias com data marcada) temos uma lista de espera que não faz muito sentido. Ouvi várias explicações… falta de médicos… falta de planeamento. Não tenho ainda muita informação sobre isso.

Muros da vergonha

Este médico alemão estudou durante oito anos em Berlim ocidental. Uma estadia com e sem Muro. Richard Glied nota as diferenças: “Foi muito interessante. Estive quatro anos em Berlim com a existência do muro e quatro anos depois de ser derrubado. Assisti à mudança. Berlim era uma ilha, depois voltou a ser a cidade importante que era no tempo entre as duas guerras mundiais”. Atento ao que se passa no mundo, olhando para o novo “muro da vergonha” que está a nascer na Palestina por obra de Ariel Sharon, primeiro ministro israelita, Richard não tem dúvidas da sua inutilidade: “É uma coisa artificial e são sempre as pessoas simples e pobres, as pessoas normais, que sofrem. É uma construção artificial dos políticos (decidida) de cima para baixo. Acho que não vai ser uma ajuda para chegar à paz. Em princípio, este tipo de coisas não resulta, a história demonstrou isso várias vezes”. Também irá cair como em Berlim? “Oxalá”!

Richard pinhalnovense

Richard Glied é casado, tem 3 filhos (rapazes) entre os 3 e os 6 anos de idade, nasceu em Bad Rothenfelde (concelho de Osnabrück), Baixa Saxónia. Formou-se como médico na Universidade Livre de Berlim.

Vive por agora num apartamento, mas tem outras expectativas, reconhecendo no entanto que para um cidadão estrangeiro é difícil ter acesso ao crédito. Já está recenseado.

“É uma cidade nova, com muitos habitantes, já ouvi dizer que recentemente tem crescido muito”, assim define Richard Glied a terra que escolheu. Por cá, vai ao cinema (na Biblioteca) pelo menos uma vez por mês, retomou a prática do Judo (na SFUA) e espreita os jogos do Pinhalnovense quando é arrastado pelos bombeiros. As pequenas compras são feitas perto de casa, as outras nas redondezas. O núcleo de amigos passa pelos Bombeiros, judocas da SFUA e também pelas famílias que têm filhos no Colégio Alemão e residem perto de Pinhal Novo. Já aprendeu a comer sardinhas em cima do pão, gosta do vinho da região e define o peixe como “mais fresco, há mais variedade e preparação (cozinhado) mais interessante. Na Alemanha não gosto de peixe…”.

José Manuel Rosendo, Jornal do Pinhal Novo

Despiste marca fim da operação de prevenção na A12

Com uma ambulância de socorro e uma viatura de salvamento e desencarceramento em permanência no nó de Pinhal Novo da A12, os Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo participaram na “Operação Socorro na Estrada 2003” e registaram a ocorrência de maior relevo, no domingo, 4 de janeiro, pelas 13.45 horas, no sentido Pinhal Novo-Montijo.

Tratou-se do despiste de um jipe com um atrelado de transporte de suínos, que provocou o capotamento da viatura. Do acidente resultaram ferimentos ligeiros no condutor – que foi assistido no local –, bem como a dispersão de alguns animais na via rápida, o que obrigou ao corte de circulação em dois eixos da via e à imposição de redução de velocidade.

Dividido em duas fases – a primeira, de 24 a 28 de dezembro, e a segunda, de 31 de dezembro a 4 de janeiro –, o dispositivo “Operação Socorro na Estrada 2003” pretendeu garantir uma maior rapidez de intervenção, através do posicionamento estratégico dos meios humanos e técnicos dos corpos de bombeiros nos grandes eixos rodoviários e principais pontos de acesso, durante o período crítico do Natal e passagem de ano, marcado pelo aumento da densidade do tráfego automóvel.

A corporação pinhalnovense – que integrou a Zona Operacional 2 (Setúbal Leste), juntamente com as corporações de Águas de Moura, Alcochete e Montijo – assegurou, desde as zero horas do dia 24, a permanência de uma Ambulância de Socorro e do Veículo de Socorro e Assistência Tático (para operações de salvamento e desencarceramento) no nó de Pinhal Novo da A12, numa operação que envolveu um total de seis elementos do corpo de bombeiros.

Estabelecido pelo Serviço Nacional de Bombeiros e Proteção Civil, através do Centro Distrital de Operações de Socorro de Setúbal, este dispositivo envolveu um total de vinte veículos e sessenta elementos, de dez corporações de bombeiros do distrito.

Helena Rodrigues (texto) Fernando Pestana (foto)