Aumento do salário mínimo custa 10 milhões aos bombeiros

Ontem, dia em que o Governo e as entidades que integram a Concertação Social assinaram um acordo que prevê o aumento do salário mínimo em 2025, as Associações Humanitárias de Bombeiros começaram a deitar contas à vida e concluem que esse aumento vai implicar o crescimento das suas despesas em 10 milhões de euros no próximo ano.

Para a Liga dos Bombeiros Portugueses a situação irá inevitavelmente agravar-se ainda mais nos próximos anos com o crescimento gradual expetável do ordenado mínimo. E, se as associações encaram já com grande apreensão as despesas de 2025, para os anos seguintes não haverá solução, salvo se o Governo puser termo ao subfinanciamento crónico a que as associações de bombeiros têm sido sujeitas na última década.

Fonte: Facebook da LBP, Foto: Lusa

INEM com contas certas com os bombeiros

A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) congratula-se com o fato de neste momento o INEM ter as contas certas com as associações de bombeiros até agosto último. Pagamentos que havia em atraso, pagamentos de verbetes e subsídios estão em dia.

A LBP manifesta-se satisfeita com os contactos havidos com o INEM para o efeito e, em geral, com o Ministério da Saúde.

Fonte: Facebook da LBP, Fonte: João Ramos, Facebook Bombeiros de Sul e Sueste

Autarcas deviam ter usado carta de perigosidade de incêndio para reclamar apoios ao Governo 

A Carta de Perigosidade de Incêndio Rural está suspensa até ao final do ano, após críticas de autarcas, mas um responsável pelo documento estranha que não tenha sido usada para reclamar junto do Governo meios para proteger o território.

“O que eu faria se fosse autarca” era “agarrar no mapa, dirigir-me à CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional] respetiva, ao primeiro-ministro e ao Governo do país e perguntar-lhes: esta é a nossa situação” e “avaliaram-na bem, o que é que o país está disposto a fazer para nos ajudar a corrigir a situação?”, referiu José Luís Zêzere, em declarações à Lusa.

O investigador, que integrou a equipa do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT), da Universidade de Lisboa, que elaborou a Carta de Perigosidade de Incêndio Rural, salientou que o perigo de fogos rurais “não é igual à perigosidade sísmica”, das “cheias ou dos galgamentos oceânicos” e que depende “do uso de solo”.

O também diretor do Centro de Estudos Geográficos acrescentou que, no caso dos incêndios, “se o terreno for gerido, se a carga combustível for aliviada, a perigosidade reduz”.

“Se o município acha e considera que tem vermelho [perigosidade alta] a mais”, tem “possibilidade de tirar vermelho dali”, advogou José Luís Zêzere, ao contrário do perigo sísmico, com o qual se tem que viver, ainda que reduzindo o risco e construindo melhores casas.

No caso do “fogo florestal, é diferente” pois “os municípios podem gerir isso” em “vez de desatarem aos gritos a dizer isto e aquilo, em alguns casos imprecisões, acerca da carta”, considerou.

“O país que temos instalado com o uso de solo, com a desorganização territorial, com o abandono dos territórios rurais (…) é aquele e as áreas ardidas anualmente, desde 2019 a 2024, demonstram-no cabalmente”, frisou.

A carta de perigosidade (estrutural), elaborada para o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), é uma das componentes da cartografia de risco, destinada ao “planeamento das medidas de prevenção e combate” aos incêndios, por via do ordenamento do território e florestal, bem como “o condicionamento às atividades de fruição dos espaços rurais e para a alocação de meios de vigilância e combate”.

O documento comporta cinco classes de perigosidade, designadamente muito baixa (verde), baixa (amarela), média (laranja), alta (vermelho) e muito alta (castanho), constituindo as duas últimas “áreas prioritárias de prevenção e segurança [APPS]”.

Na sequência da contestação de autarcas, por causa de restrições ao nível de edificação e de atividades culturais, desportivas ou outras, e circulação em áreas florestais públicas ou comunitárias, a carta foi suspensa, primeiro até 31 de março de 2023 e depois até 31 de dezembro deste ano.

Segundo justificou à Lusa o anterior secretário de Estado da Conservação da Natureza e Florestas, João Paulo Catarino, a suspensão destinou-se a possibilitar às comissões sub-regionais a adaptação das APPS, segundo metodologia aprovada pela Comissão Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais, vigorando até lá os planos municipais de defesa da floresta contra incêndios.

“A Direção-Geral do Território e o ICNF pretenderam retirar consequências desta realidade e perigosidade estrutural ao nível municipal e a reação negativa por parte dos autarcas terá vindo daí por causa das limitações”, reconheceu José Luís Zêzere.

Ainda assim, o geógrafo admitiu “alguma dificuldade” em aceitar que o resultado do mapa “surpreenda os autarcas do Pinhal Interior ou do Minho”, ou de outras zonas, pois “então a situação do país é muito pior” do que se pensa, porque “pior do que viver numa situação de risco é não ter consciência disso”.

Além disso, “se não acontecer nada de estrutural” a nível de ordenamento florestal e do território, o “mais certo é ter mais disto e ainda pior”, com a “alteração climática em curso”, alertou.

Para o investigador, o “diagnóstico está todo feito” e o país tem “um problema de falta de valor, falta de economia numa data de territórios que estão abandonados”, que “são os que mais ardem”, ao contrário, por exemplo, do Alentejo, que na atual cartografia está “dominantemente a verde”.

“O que significa que a sua perigosidade estrutural é mais baixa que, por exemplo, o Pinhal Interior ou a Beira Alta, ou Trás-os-Montes ou uma boa parte do Minho, para falar daquilo que é a zona mais problemática do país”, juntamente com Monchique e “uma parte da serra algarvia”, enunciou.

“A distribuição espacial das classes de perigo mostra uma diferença acentuada entre as regiões Norte/Centro de Portugal continental, com um padrão geral de risco de incêndio florestal elevado e muito elevado, em relação ao Alentejo, no Sul, onde predomina a classe muito baixa”, concluíram Sandra Oliveira, Ana Gonçalves e José Luís Zêzere num artigo na revista científica ‘Science of the Total Environment’.

Os investigadores notam que “a classe de perigo mais elevada encontra-se no topo noroeste do país, no interior da região Centro e na parte oeste do Algarve”, “2,2% dos municípios possuem pelo menos 90% do seu território” em “perigo elevado e muito elevado”, no interior do centro do país e oeste algarvio, e “há 32,4% dos concelhos em que as duas classes mais perigosas cobrem menos de 10% do território”, na zona costeira norte e no Alentejo.

Fonte oficial do ICNF confirmou à Lusa que a carta de perigosidade está suspensa para “um conjunto de efeitos” em relação a licenciamentos, mas é utilizada na definição de “prioridades e planeamento”, designadamente “na rede de postos de vigia” e outras medidas.

Fonte: Sapo 24

Palmela aprova empréstimo de 2,5 milhões de euros para obras cruciais no município

A Assembleia Municipal de  Palmela aprovou por unanimidade um empréstimo de 2,5 milhões de euros para a realização de obras cruciais no concelho.

A Assembleia Municipal de Palmela aprovou por unanimidade, no passado dia 26 de setembro, um pedido de empréstimo bancário de médio e longo prazo no valor de 2,56 milhões de euros para a realização de várias obras prioritárias no concelho. Estas intervenções incluem pavimentações de estradas municipais, finalização de obras, que estão paradas e novos projetos de infraestruturas desportivas.

O presidente da Câmara Municipal de Palmela explicou que estas obras são “compromissos de mandato”, tendo em conta a necessidade urgente de intervenção em infraestruturas que se encontram degradadas ou em atraso devido a problemas com empresas anteriormente contratadas.

Entre as obras a financiar destaca-se a pavimentação da Estrada Municipal 533, num troço entre Palmela e Lau, com uma verba de 770 mil euros. Este troço é considerado um dos mais longos e críticos da região, utilizado diariamente por muitos residentes e trabalhadores que necessitam de circular nesta importante via.

Outra obra de grande importância é a finalização do Centro de Investigação de Património Cultural, instalado no antigo edifício da GNR. A empreitada foi interrompida, uma vez que a empresa responsável abandonou a obra, deixando o projeto por concluir. Para terminar esta intervenção, o município precisa de 200 mil euros, visto que perdeu a comparticipação de fundos comunitários por não terminar a obra no prazo do POR 2020.

Esta verba é fundamental para concluir a obra e dar uma nova vida a este espaço, que será importante para a valorização do património cultural da nossa região, sublinhou o presidente.

Além disso, o financiamento permitirá a criação de uma pista de atletismo simplificada em Pinhal Novo, avaliada em 660 mil euros, que já foi apresentada à população, bem como a construção do Kate Park, um espaço multiusos no Centro de Recursos Juvenis de Quinta do Anjo, com uma alocação de 300 mil euros.

Outra intervenção prevista é a requalificação da Praceta Antero de Quental, nas colinas de Quinta do Anjo, com um custo de 230 mil euros, e a pavimentação da Rua dos Marinheiros Brejos do Asa, estimada em 250 mil euros. Estas duas obras são “compromissos de mandato”, reclamados pela Junta de Freguesia e pela população local.

O presidente reforçou ainda que, apesar de não haver obras previstas para Poceirão ou Marateca no âmbito deste empréstimo, “as intervenções nessas localidades são realizadas com fundos próprios do município e outras estão em fase de concretização, graças ao apoio do OIL (Operações Integradas Locais).

A decisão foi aprovada por unanimidade pela Assembleia Municipal, sem votos contra nem abstenções, permitindo que a Câmara avance com o financiamento necessário para honrar compromissos anteriormente assumidos com os cidadãos do concelho.

Fonte: Diário do Distrito