Cortejo das Vindimas 2024 em Palmela: Tradição e Emoção celebram o Mundo Vinícola da Região

O Cortejo das Vindimas 2024 em Palmela, apesar de um ligeiro atraso, trouxe de volta a grandiosidade das tradições vinícolas, homenageando figuras marcantes e destacando a cultura local.

No passado domingo, 1 de setembro de 2024, o tradicional Cortejo das Vindimas desceu a rua Gago Coutinho e Sacadura Cabral para subir a Avenida Juiz José Celestino Ataz em direção aos Bombeiros de Palmela, na histórica vila de Palmela, apesar de um atraso de mais de meia hora. O evento, que faz parte da 61.ª edição da Festa das Vindimas, é uma homenagem aos homens e mulheres que dedicam as suas vidas à vinicultura no concelho.

José Condeça, autor do cortejo deste ano, foi amplamente elogiado por conseguir, mais uma vez, trazer de volta a essência da tradição, num desfile que consideram muitos já superior ao do ano anterior. A temática “Renascer das Tradições” foi o mote para a composição dos 12 carros alegóricos, cada um representando diferentes aspetos da vida e cultura local.

O cortejo iniciou-se com 15 cavalos, entre montadas e charretes, embora tenha sido notada uma falha na grande distância entre os animais e os carros alegóricos, um detalhe que, contudo, não comprometeu a beleza do desfile. Palmela decidiu também apostar em culturas tradicionais do Norte, com a inclusão dos Bombos de Santa Maria da Feira, que adicionaram um toque distinto ao evento.

primeiro carro, “Adiafa”, foi uma homenagem sentida a dois grandes nomes que sempre defenderam as festas: Sacristão e Carlos Pacheco, este último falecido este ano, cuja ausência foi muito sentida na celebração. O carro contou com imagens dos dois homens da pisa da uva, simbolizando o respeito e a memória de quem tanto fez pela tradição.

Logo após, a Marcha das Vindimas desfilou ao som da banda das Vindimas, mas também com a ajuda das bandas da Sociedade Filarmónica Humanitária e da Sociedade Filarmónica Palmelense “Os Loureiros”, cujo eco dos instrumentos encheu a rua de vida e emoção.

O segundo carro, “Palmela Mãe”, prestou homenagem à terra que dá origem a vinhos de renome mundial, seguido pelo carro “Celebrar a Uva e o Vinho”, que foi acompanhado pela Marcha da Sociedade Filarmónica Palmelense “Loureiros”.

À medida que o cortejo continuava, o quinto carro, “Janela de Palmela (concurso)”, e o sexto, “Boa Boa é a Fruta Palmeloa”, mantiveram o entusiasmo do público, que continuava a expressar opiniões diversas, mas sempre com grande envolvimento.

O sétimo carro, vindo de Marateca, com o tema “Marateca, Meu Amor”, trouxe um brilho especial ao cortejo, com a atuação da cantadeira das marchas. Já o oitavo carro, “Vinho Rei”, celebrou o setor vinícola que, ao longo dos anos, transformou Palmela numa referência mundial. A influência de José Maria dos Santos, o impulsionador da maior vinha do mundo, foi lembrada com este cortejo que é o ponto alto das festividades, mas embora o destaque maior fosse para a identidade de Palmela como Terra Mãe de Vinhos.

nono carro, simbolizando o “Ciclo do Ouro”, exaltou a uva-branca que contribui para os excelentes vinhos brancos da região. Seguiu-se a marcha da Sociedade Filarmónica Humanitária, que, com o seu ritmo vibrante e a voz de Elisabete, animou ainda mais o desfile e entusiasmo a sua marcha.

O décimo primeiro carro, esperado com grande antecipação, trouxe a Rainha e as Damas de Honor, enriquecendo ainda mais o cortejo.

Para fechar com chave de ouro, o décimo segundo carro, representando a Comissão de Festas, foi acompanhado pela Fanfarra dos Bombeiros de Pinhal Novo, encerrando esplendorosamente o cortejo deste ano. O evento foi um prelúdio para a celebração que continua amanhã à noite, marcando o encerramento oficial da 61.ª edição da Festa das Vindimas.

Fonte: Diário do Distrito

Proteção civil acusa Liga de não pagar a bombeiros

António Nunes concretiza que dos valores em atraso de 2022/23 “só foram recebidos 8/12 avos. Dos quase 665 mil euros, há que descontar 15%”

ANECP escreveu aos comandantes e garante que já transferiu 3,4 milhões de euros para reembolsos de despesas. António Nunes diz que não chega.

A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) tem em atraso o pagamento dos reembolsos de despesas com creches e propinas a cerca de 1400 bombeiros voluntários e seus descendentes, do ano letivo de 2022/2023.

A situação é revelada pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) numa circular emitida na passada quinta-feira e enviada aos presidentes das direções das associações humanitárias e aos comandantes dos corpos de bombeiros.

Segundo o documento da ANEPC, as verbas em causa estão enquadradas pelo Fundo de Proteção Social dos Bombeiros (FPSB), que entre outros apoios suporta os encargos com o reembolsos de despesas com creches e propinas dos bombeiros ou seus descendentes, que são a maior fatia transferida mensalmente para a LBP.

Na circular, a ANEPC revela que desde 2022 e até à presente data transferiu para a LBP quase 3,4 milhões de euros e que até final de 2024 atingirá um valor superior a 3,7 milhões. Só entre janeiro e agosto deste ano, transferiu quase 665 mil euros.

A ANEPC sustenta que “a partir de 2023 acentuaram-se as dificuldades para obter da LBP o reporte da execução física e financeira do FPSB, do pagamento das regalias no âmbito da educação e restantes previstas na lei”.

A instituição assegura que “apesar de continuar a enviar para a LBP as listas com apuramento de montantes a reembolsar aos bombeiros, uma parte é reiteradamente devolvida por esta entidade, alegando falta de capacidade financeira para proceder ao seu pagamento”.

Instado pelo JN a comentar a circular da ANEPC, o presidente da LBP, António Nunes, tem um entendimento diferente da missiva: “Não leio que estejamos em condições para dizer que não pagámos”. O dirigente justifica que, no documento, “a autoridade dá um conjunto de informações onde não refere que, dos valores transferidos, a Liga só pode utilizar 85% para despesas com creches e propinas”.

António Nunes concretiza que dos valores em atraso de 2022/23 “só foram recebidos 8/12 avos. Dos quase 665 mil euros, há que descontar 15%”. O presidente da Liga justifica ainda o dinheiro que devolveu: “Os corpos de bombeiros mandam as listas com os valores para a ANEPC, que confere e nos envia, mas como o dinheiro que recebemos não chega, eu devolvo. É a autoridade que tem de justificar. Não podem mandar a totalidade das listas quando não há dinheiro”.

No final da circular assinada pelo presidente da ANEPC, Duarte Costa, é garantido que, por ser uma situação da maior importância, “encontra-se esta autoridade a desenvolver todos os esforços, em conjunto com a tutela, para a sua resolução”.

Numa mensagem de WhatsApp enviada a alguns bombeiros, a que o JN teve acesso, António Nunes refere que é estranho “que o senhor secretário de Estado da Proteção Civil continue de mãos nos bolsos e a não intervir a favor dos bombeiros”. E revela que em breve vai ser apresentado um estudo com a evolução do FPSB desde 2015.

Quando questionado sobre o desabafo de um bombeiro de uma corporação do Sul do país sobre a sua gestão na Liga – que disse “volta Jaime Marta Soares que estás perdoado” – , António Nunes respondeu que “nem na Coreia do Norte há unanimidade”.

Fonte: JN