Quartel recebeu a visita de mais de cem crianças

Várias dezenas de crianças do Centro de Ocupação Infantil de Pinhal Novo passaram, na última semana de fevereiro, pelo quartel de bombeiros local. O melhor da visita e estudo terá sido mesmo a voltinha no VFCI-01.

«Eles ficam radiantes!», conta o Subchefe Vasco Marto

sobre a reação das crianças ao pequeno passeio no Veículo Florestal de Combate a Incêndios da corporação. As visitas programadas das crianças do Centro de Ocupação Infantil de Pinhal Novo, que tiveram lugar entre 21 e 25 de fevereiro, terminaram com uma pequena volta ao quartel naquela viatura: cinco pequenos passageiros de cada vez, acompanhados por uma das educadoras.

Antes, as crianças receberam uma pequena palestra no auditório da Associação, em que foram focadas questões básicas de segurança e transmitidos alertas para situações de perigo no dia-a-dia. Seguiu-se a visita à central de comunicações e ao parque das viaturas de saúde e de incêndio.

Antes do passeio no VFCI, ainda houve tempo, segundo explica Vasco Marto, para tirarem «umas fotos fardados com casaco Nomex, botas, calças e capacete». Para mais tarde recordar.

Com idades entre os 3 e os 7 anos, os ilustres visitantes do quartel pertencem às turmas do Jardim de Infância, ATL, Pré-Escolar e Ensino Básico daquele importante centro de educação infantil de Pinhal Novo.

Fonte: HR c/ Vasco Marto

Equipa de resgate treina na Arrábida

É na Serra da Arrábida que os bombeiros de Pinhal Novo encontram, sem ter de ir para muito longe, condições naturais para exercitar as técnicas de Salvamento em Grande Ângulo. O último treino decorreu em fevereiro.

A equipa de Salvamento (ou Resgate) em Grande Ângulo (SGA) dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo deslocou-se à Arrábida para o seu mais recente treino. E, a avaliar pelos registos fotográficos da jornada, percebe-se como a Serra pode também ser o ambiente ideal para um dia de convívio, entre amigos

O treino incidiu sobre as técnicas para realizar operações de salvamento em locais de difícil acesso, designadamente, em arribas, poços, pontes e em meio urbano, com evacuação de vítimas de edifícios de média e grande altura.

Neste tipo de intervenção, são utilizados equipamentos específicos (os primeiros foram adquiridos pela corporação em 1998), reunidos num veículo atrelado adquirido pela Associação em 2003. São equipamentos certificados de montanhismo e espeleologia, uma vez que o SGA recorre, com algumas adaptações, às técnicas destas modalidades.

Até à data, o CB de Pinhal Novo já foi chamado a recorrer às técnicas de SGA para realizar operações de resgate de vítimas em poços, incluindo vários salvamentos de animais. Dada a especificidade destas técnicas, os treinos são fundamentais para manter a equipa de resgate operacional. O último curso sobre esta matéria, realizado no CB, decorreu em dezembro de 2004 – Ler Notícia.

Fonte: Helena Rodrigues

Crónica de uma Assembleia emocionada

Tinham-lhe dito para vir votar na Assembleia Geral da Associação dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo. E explicaram-lhe que «não é para ele se ir embora; é só para dar um cargo a outro e ficar ele com o outro», conta Lucília Rosa Marques (na foto), 70 anos, a primeira sócia a chegar ao auditório da Associação na sexta-feira, 4 de março. Afinal, acabaria por não participar numa assembleia dolorosa, de nervos à flor da pele, onde quase tudo girou à volta da acumulação, ou confusão, de cargos. Conseguem as pessoas envergar, em simultâneo, vários tipos de fardas? Ou despir umas e enfiar outras, consoante as circunstâncias?

Ainda nem eram 20h30 (a hora para que estava convocada a Assembleia, sabendo-se que só começaria uma hora depois) e já Lucília Rosa Marques subia, com dificuldade, a escada de acesso ao 1º andar do quartel de Pinhal Novo (mais tarde, no plenário, viria a ser levantado o problema do acesso aos serviços administrativos – todos localizados no 1º andar – para os idosos e utentes com dificuldades físicas). Nos olhos, Lucília trazia a esperança de quem vem mudar o mundo. Residente na Lagoa da Palha, pagou «mil escudos» de táxi para cá chegar. «Depois têm de me ir levar», pediu, mal descansou as pernas numa cadeira. Era justo: se os bombeiros lhe tinham dito para vir votar, ela esperava que, pelo menos, a fossem levar a casa.

E foram. Mesmo antes da Assembleia ter início porque, afinal, Lucília era “apenas” familiar de um sócio (assim o provava o cartão que exibiu, orgulhosamente) e, por essa razão, não podia participar na eleição dos novos corpos gerentes para 2005. Feita a votação, bastante mais tarde, a única lista concorrente viria a ser eleita com 55 votos a favor e 23 contra (mais dois votos em branco): Fernando Pestana, Comandante do Corpo de Bombeiros, cedeu o cargo de Presidente da Direção a Victor Nascimento (vogal no executivo anterior, com obra feita na área dos investimentos em informática) e mantém-se no órgão como Vice-Presidente; a Direção fica renovada em quatro dos seus sete membros; os titulares dos restantes órgãos (Assembleia Geral e Conselho Fiscal) transitam do mandato anterior.

Lucília Rosa Marques já devia estar a dormir à hora da eleição. Analfabeta («Comecei a trabalhar com seis anos; o que é que a gente aprende? A minha mãe abandonou-me e a gente se queria comer tinha de trabalhar», contou), sabia, contudo, que para votar «a gente faz uma cruzinha e escolhe o partido que quer». A confusão da sócia-familiar, por assim dizer, foi apenas a primeira da noite.

Sob o signo das incompatibilidades

Um minuto de silêncio, cumprido em memória dos cinco bombeiros recentemente falecidos (Mortágua; Guimarães), foi presságio para uma noite emocionalmente dura. Antes da ordem do dia abriram-se as hostilidades com questões à Direção sobre o ponto de situação dos projetos e sobre as alegadas prioridades do Corpo de Bombeiros (a falta de capacetes, de um autotanque, de atendimento permanente na central, de reuniões com os bombeiros…), e quase que se tornava desnecessária a apresentação do relatório de atividades. O Relatório e Contas acabaria por ser aprovado por maioria (era o primeiro ponto da ordem de trabalhos), sem que, por uma única vez, se tivessem suscitado questões relativamente às contas propriamente ditas.

O drama da Assembleia não foi, de facto, esse, mas sim a acumulação de cargos entre o sócio que também é comandante e diretor, os sócios que também são bombeiros e os sócios que, além de bombeiros, também são funcionários (assalariados) da Associação. O problema chega a ser estatutário. Quando um sócio-bombeiro-funcionário pede para ser lido o artigo dos Estatutos da Associação (art. 12º, parágrafo único) que, aparentemente, proíbe os bombeiros de na Assembleia Geral discutirem assuntos respeitantes à disciplina do Corpo de Bombeiros, chega a questionar-se se o Presidente da Mesa devia ter acedido ao pedido; este considerou que não havia qualquer incompatibilidade entre dirigir os trabalhos da Assembleia e aceitar ler o artigo em causa.

Na verdade, não estava em questão qualquer procedimento disciplinar propriamente dito. E se, como alguém sugeriu em privado, o Presidente se estivesse a referir à sua relação laboral com o Assalariado (estando, naquele contexto, ambos despidos das fardas de membros do Corpo de Bombeiros), ao falar aos sócios sobre a gestão de pessoal levada a cabo no mandato? Assim já aquele artigo dos Estatutos não poderia ser invocado? Afinal de contas, o que deve prevalecer: a lei do Trabalho, a “lei” dos Estatutos ou a da Ética? A relação entre os homens (que o são, antes de serem sócios, bombeiros e tudo o mais), sobreviverá a estas feridas?

Impaciente, um sócio-poeta popular (também aqui parece não haver incompatibilidade entre os dois papéis), interrompe a sessão para lembrar que, naquela altura, ainda não se tinha entrado na ordem de trabalhos definida na convocatória e que aquelas questões poderiam ter sido resolvidas internamente («entre vocês»). Até nisto a assembleia foi estranha: faltou o momento de descompressão habitualmente proporcionado pelo poeta-que-já-foi-ferroviário e que, nas sessões públicas da terra, costuma pedir a palavra para recitar umas quadras.

A recuperação lenta mas necessária

Depois da Assembleia, madrugada dentro – despidas todas as fardas e reduzidos às suas condições de homens ou mulheres –, houve quem adivinhasse uma noite sem sono; houve quem acabasse entre lombinhos e imperiais a tentar perceber porquê?” e a sarar as feridas; houve quem trocasse mensagens sobre as máscaras que caem e as lições da vida.

No ar, fica a mais recente acumulação de cargos de legitimidade duvidosa: a da autora deste texto, que já foi repórter e pediu para sair da Direção para descansar um bocado (isto é, pediu tréguas), por manifesta falta de preparação militar. Será o olhar agora mais livre de quem está “de fora” compatível com o grau de comprometimento institucional inerente ao cargo de editora de um site oficial como este? Ou não será já esta a crónica de uma despedida anunciada, mas não desejada?

Quando, antes de abandonarem o auditório da Associação (antes da Assembleia ser dada por encerrada), alguns bombeiros (já esquecidos da sua “farda de sócios”) se voltam para a ala dos sócios-só (chamemos-lhes assim) e se sentem no dever de lhes dar uma explicação para o facto de terem votado contra a lista concorrente aos órgãos sociais, parecia que queriam dizer «nós queremos o Comandante só para nós…». Os sócios talvez tenham compreendido assim (Não querem lá ver que afinal gostam todos uns dos outros?, devem ter pensado, a caminho de casa). Mas a maioria foi com a consciência tranquila por ter achado que ainda não havia alternativa viável para uma tão imensa boa vontade.

Fonte: Crónica e Fotografia de Helena Rodrigues da Silva