O defunto, a viúva, a filha e o cão delas

Como não há duas sem três, depois da fanfarra a abrir o corso e de uma bombeira como rainha do Carnaval, foi um elemento da corporação pinhalnovense quem aqueceu a noite do “Enterro do Bacalhau”.

A noite de “quarta-feira de cinzas” estava fria, em Pinhal Novo. À volta do coreto do Largo José Maria dos Santos, uma pequena multidão já desesperava pelo início do “Enterro do Bacalhau”, a tradicional cerimónia promovida pelo Grupo Carnavalesco “Amigos de Baco” para “enterrar” as festividades do Carnaval.

Primeiro, o choro. Ainda mal se avistava o cortejo fúnebre, que percorreu algumas ruas da vila à luz de tochas, e já soavam os gritos da “viúva”. Coberta de negro, foi mais uma vez interpretada pelo mais popular ex-GNR de Pinhal Novo, cuja imagem de marca é um farto bigode grisalho. Nos braços trazia o retrato emoldurado do seu saudoso cachorro (uma paródia ao caso do cão sepultado em frente à igreja de Pinhal Novo).

Ao seu lado, a ajudar à choradeira, no papel da pobre órfã, um bombeiro pinhalnovense, quem haveria de dizer? Cabeleira aos caracóis com madeixas, saias largas fáceis de erguer para revelar quase tudo por baixo, e foi vê-lo brilhar em cima de um espaço tão nobre como o coreto da vila. “Tó-Zé” arrancou boas gargalhadas da assistência, aqueceu a noite e, nitidamente, divertiu-se a valer. Para quem lida, quase sempre, com a vida das pessoas – ele é um dos técnicos de emergência médica do corpo de bombeiros de Pinhal Novo – devem ter sabido bem aqueles minutos de desbunda. E terá valido a pena a rouquidão do dia seguinte.

O testamento propriamente dito, com que o Entrudo costuma presentear alguns ilustres da terra antes de ser incinerado em público, ficou para segundo plano. Entre os contemplados estava o presidente da Junta de Freguesia de Pinhal Novo que, como é seu hábito, primou pela presença entre a assistência para ouvir in loco uma alusão aos seus “longos discursos”.

Foi o Carnaval. Ninguém deve ter levado a mal.

Fonte: Helena Rodrigues (texto e fotos)

Bombeiros chamados a abrir escola fechada a cadeado

Por ordem da GNR, os Bombeiros de Pinhal Novo tiveram, na manhã de 5 de fevereiro, de usar uma tesoura de cortar ferro para forçar a entrada na escola da Carregueira, fechada a cadeado pelos pais dos alunos. A TVI estava lá e explicou aos telespectadores que foi “tudo por causa de alergias dos miúdos às lagartas que habitam o pinheiro da escola”.

«A culpa é das lagartas de um pinheiro, que estão a provocar alergias aos alunos da escola da Carregueira, em Palmela. Um dos alunos, depois de ter tocado com um pau num dos ninhos das lagartas, teve mesmo de receber tratamento no hospital.

Para acabar com as alergias, os pais proibiram os miúdos de irem à escola e fecharam os portões a cadeado. A GNR foi chamada ao local e com a ajuda dos bombeiros retiraram os cadeados dos portões. Mas as queixas dos pais não quebraram.

A Câmara Municipal garantiu à TVI que amanhã vai ser feita a desinfestação do pinheiro, como acontece todos os anos por esta altura. Mas, nem com essa garantia, os pais acalmaram e hoje não deixaram os filhos entrarem na escola.»