Fumo, fogo e petardos. Bombeiros cercam sede do governo e interrompem negociação de sindicato

Primeiro furaram o cordão policial, depois invadiram o espaço de segurança e cercaram a sede do governo, que agora se concentra na sede da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa. Foram lançados petardos, fumos e fogos. E o governo acabou por interromper as negociações que decorriam, obrigando o representante do sindicato dos sapadores a sair para tentar acalmar os ânimos. Veja as imagens.

Fonte: Sapo

Encerramento de fábricas da VW na Alemanha não terá impacto na Autoeuropa

A fábrica da Volkswagen Autoeuropa, localizada em Palmela, não será afetada pelos planos de encerramento de unidades e redução de postos de trabalho da marca na Alemanha. A informação foi divulgada pela agência “Lusa”, que ouviu o responsável de comunicação da Volkswagen na Alemanha.

“Os planos de cortar empregos e fechar fábricas dizem respeito apenas à Alemanha. No momento, não há impacto na nossa fábrica em Palmela”, assegurou à Lusa fonte oficial da comunicação da VW na Alemanha.

Rogério Nogueiracoordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, reforçou a tranquilidade em relação à operação em Portugal: “À data de hoje, não existe nenhum indicador que nos leve a pensar que a situação que se passa nas fábricas da VW na Alemanha tenha algum impacto, quer na produção prevista, quer também no que diz respeito ao futuro da Autoeuropa”.

A Volkswagen, que atravessa uma “situação extremamente tensa”, anunciou recentemente que poderá encerrar fábricas no seu país de origem pela primeira vez em 87 anos, como parte de um plano de contenção de custos que prevê poupar 10 mil milhões de euros até 2026.

Entretanto, em Palmela, a Autoeuropa defende que mantém a sua produção num nível estável, fabricando 1005 unidades diárias do modelo T-Roc, um dos mais populares na Europa. Além disso, a próxima geração do T-Roc continuará a ser produzida em Portugal, e ainda existe a possibilidade de a Autoeuropa receber a produção do novo modelo elétrico acessível da VW, previsto para 2027.

Este cenário reforça a importância estratégica da unidade portuguesa dentro do grupo, que enfrenta vários desafios no âmbito internacional.  

VW sobre o resultado das eleições americanas.

Fonte: Diário do Distrito

Associações de Pais de Palmela e FERSAP unem esforços em evento de cooperação pela educação

A FERSAP reuniu-se com as Associações de Pais de Palmela para debater desafios educativos, reforçando a cooperação e união no concelho.

A Federação Regional de Setúbal das Associações de Pais (FERSAP) realizou no passado sábado, 23 de novembro, uma reunião descentralizada no Centro Comunitário Monte do Francisquinho, em Pinhal Novo, marcando mais um passo no seu compromisso estratégico de proximidade com as comunidades educativas dos 13 concelhos do distrito. Este evento, que contou com formato híbrido, reuniu representantes de diversas Associações de Pais do concelho de Palmela, membros do Conselho Executivo, Conselho Fiscal e Mesa da Assembleia Geral da FERSAP, além de autoridades locais. Entre os temas debatidos, destacaram-se os desafios da educação no concelho e no distrito, assim como a necessidade de união e cooperação para melhorar a qualidade do ensino público.

Estiveram presentes representantes de 10 Associações de Pais e Encarregados de Educação das escolas EB, EB 2/3 e Secundárias do concelho de Palmela, como Bairro Alentejano, Brejos do Assa, Matos Fortuna, Aires, Salgueiro Maia, José Maria dos Santos, Hermenegildo Capelo, José Joaquim Carvalho, Secundária de Palmela e Secundária de Pinhal Novo. O evento contou ainda com a participação da Vereadora da Educação da Câmara Municipal de Palmela, Maria João Camolas Contente Caleira, que reforçou o compromisso do município com a educação, sublinhando a importância das Associações de Pais no bem-estar das crianças e na defesa de uma escola pública de qualidade. Durante a sua intervenção, destacou os projetos de requalificação das escolas Hermenegildo Capelo e José Maria dos Santos, cuja conclusão está prevista para o primeiro trimestre de 2025, e aceitou o desafio de calendarizar reuniões periódicas com todas as Associações de Pais do concelho.

A reunião abordou diversos temas fundamentais, incluindo o estado das infraestruturas e equipamentos escolares, a gestão do programa Escola a Tempo Inteiro, os desafios da descentralização de competências na educação, a necessidade de revisão urgente da legislação sobre os rácios de assistentes operacionais e o impacto das greves no funcionamento das escolas e na aprendizagem dos alunos. A importância do papel das Associações de Pais e os desafios da sua dinamização no dia a dia foram também alvo de debate.

Um dos momentos de maior destaque foi a reativação da União das Associações de Pais do Concelho de Palmela (UAP), considerada um passo decisivo para unir e fortalecer o movimento associativo parental na região. José Capelo, Presidente do Conselho Executivo da FERSAP, sublinhou a relevância destas reuniões descentralizadas, afirmando serem essenciais para fortalecer a defesa da qualidade do ensino público e valorizar o papel das Associações de Pais na construção de uma educação melhor para todos. Destacou ainda a importância da UAP de Palmela como um modelo de união e representatividade a ser seguido por outros concelhos do distrito.

A FERSAP aproveitou ainda o momento para agradecer ao Município de Palmela pelo apoio na realização do evento e às Associações de Pais de Palmela pela organização e pelo espírito dinâmico e participativo demonstrado ao longo da reunião. Esta iniciativa reforça o compromisso da Federação em promover a cooperação, a troca de boas práticas e a discussão de soluções para os desafios do sistema educativo.

Fonte: Diário do Distrito

Pensar Setúbal: Os 50 anos do 25 de Abril de 1974 (Parte XXX):O Legado

Giovanni Licciardello – Professor

À medida que vamos avançando na idade e vamos cada vez mais tendo a noção de nós próprios e daquilo que nos rodeia, temos a convicção que o 25 de Abril de 1974 é como o vinho de ótima qualidade; fica cada vez melhor com a idade.
Quanto a mim, é precisamente a perceção que tenho quando procuro analisar tudo o que aconteceu e continua a acontecer, ao longo destes cinquenta anos.
Fizemos imensos progressos; a Liberdade que tenho em refletir, analisar, sintetizar e escrever, para que os leitores possam ler, concordar ou discordar, é algo de fundamental e estruturante numa sociedade democrática.
A existência de uma imprensa livre, independente e responsável, constitui um dos alicerces da democracia; permite gerar cidadãos que tenham sempre consigo a semente do espírito crítico, um dos motores do desenvolvimento das sociedades, a todos os níveis.
No tempo do Estado Novo, quando ia para a escola, para o Liceu (atual Escola Secundária de Bocage), tinha colegas que vinham de locais tais como Palmela, Azeitão, Pinhal Novo, Sesimbra, Lagameças, Lau, Poceirão, Águas de Moura, Pegões e que se tinham de levantar de madrugada, para chegaram às 8.30 da manhã.
No tempo do Estado Novo, vivia-se muito em barracas sem saneamento básico, nem qualquer tipo de salubridade. Assim se vivia em Setúbal e em muitas cidades. Eram os tempos das dificuldades, da miséria de não ter casa digna, da pobreza de quase não ter o que comer, da desgraça de ser condenado a viver excluído nas zonas limítrofes da cidade, da sociedade e da vida.
Em 1970, mais de onze mil pessoas viviam nos bairros da lata, os chamados “bairros da folha” de Setúbal ou “bairros dos índios”.
Não se vivia; sobrevivia-se. Era comum ver pessoas na rua a circularem com os pés descalços.
Não, antigamente não era melhor. Nem bom.
A Revolução dos Cravos decorreu num momento crucial na história de Portugal, assinalando um período de democracia e liberdade.
O 25 de Abril é, portanto, um dia de memória e de reflexão, mas também a celebração pelos enormes progressos conseguidos nos últimos cinquenta anos.
Não obstante os desafios e as dificuldades encontradas nos últimos anos, Portugal conquista e mantém-se uma democracia consolidada com uma economia estável e uma sociedade civil com algum dinamismo.
A herança do 25 de Abril continua a inspirar sucessivas gerações, recordando-nos em permanência a importância da Liberdade, da Democracia e dos Direitos Humanos.
Se por um lado o Portugal de hoje é claramente um país melhor relativamente ao passado, por outro lado persistem ainda diversos constrangimentos tais como baixa produtividade, precaridade no trabalho, o deterioramento dos serviços públicos e a corrupção.
Nesse sentido, Portugal posiciona-se entre os países europeus com menor produtividade per capita, o que constitui um forte condicionamento, desacelerando a economia e a competitividade; por outro lado, uma ampla fatia dos trabalhadores, sobretudo os jovens, é afetado por contratos precários e baixos salários, condicionando a atividade económica e a mobilidade social.
Muitos jovens são obrigados a sair do país.
Os serviços públicos, tais como na Saúde e na Educação, denota-se uma carência acentuada de recursos humanos, acarretando um impacto negativo na qualidade de vida dos cidadãos
Por último, temos a corrupção. Nada pior do que impunidade e prescrições, para minar a dignidade da nossa dimensão democrática; arguidos a usarem todos os truques processuais que conhecem para se safarem.
Esse é um caminho ainda muito longo a percorrer. Somente com uma revolução nas mentalidades é que lá chegaremos.
Não obstante os desafios, Portugal possui as potencialidades de ir ao seu encontro e de construir um futuro melhor.
Para isso, torna-se necessário um empenhamento concreto investir na inovação e na formação, favorecendo o crescimento de sectores basilares, aumentar a produtividade e a qualificação, promovendo um trabalho digno, com salários dignos, diminuindo a precariedade, bem como o reforço dos serviços públicos.
Esta foi a última crónica que escrevi sobre o 25 de Abril, neste contexto, de um total de trinta. Nunca deixarei de escrever ou falar sobre esta data tão simbolicamente importante.
Recordo Fernando Salgueiro Maia com muita saudade.
Gosto muito do 25 de Abril.
Para mim, como para tantos de nós, é uma data mágica, assumindo um significado especial.
VIVA O 25 DE ABRIL.

Fonte: O Setubalense