O privilégio do milagre da vida, no testemunho de um bombeiro

Esta madrugada tive o privilégio de poder ajudar mais uma mãe na concretização do milagre da vida. Testemunho, na primeira pessoa, de um dos bombeiros que assistiram o nascimento do Bernardo.

Tive um professor que dizia: «A vida é como uma peça de teatro, em que cada cena se sucede agarrando-se às deixas dos momentos vividos e construindo o seu próprio argumento». Nem de propósito… Quando ainda tenho tão presente uma entrevista sobre partos em ambulâncias, que dei recentemente a uma revista especializada, a cena com que hoje fui presenteado parece ter vindo na sequência deste enredo que, ora entusiasma, ora frustra, e que é a vida num corpo de bombeiros.

Pois é, esta madrugada tive o privilégio de poder ajudar mais uma mãe na concretização do milagre da vida. Desta vez, porém, o grau de dificuldade foi acrescido – o que, reconhecidamente, também traz uma maior satisfação e sensação do dever cumprido, mas acarreta, sem sombra de dúvidas, uma muito maior responsabilidade.

Tratou-se de um bebé em apresentação pélvica (isto é, nasceu de pés), com a agravante do cordão umbilical se encontrar literalmente enrolado a um dos membros superiores e ao pescoço. O curioso, mas aterrador, deste episódio foi, à nossa chegada, o pai assustado, mas também ingenuamente orgulhoso, informar-nos que «(…) o trabalho está quase todo feito, só falta a cabeça…».

Ai… se o pobre senhor soubesse onde estava metido… A criança estava a asfixiar, pois de cada vez que a mãe tinha uma contração, o cordão apertava, fechando as vias aéreas. Felizmente, chegamos a tempo e, num quadro de paragem ventilatória e cianose nas extremidades, conseguimos reverter a situação e, alguns minutos depois, já o Bernardo repousava no colo da mãe, embevecida.

Fonte: Luís Neto (via e-mail)

Bernardo: um final feliz para o princípio da vida

Os bombeiros voluntários de Pinhal Novo assistiram um parto difícil, em que o bebé nasceu com apresentação pélvica e dificuldade em respirar. Bernardo, assim se chama, salvou-se. A sua história foi contada na televisão. [Ver Vídeo]

Madrugada de quarta-feira, 3 de março, em Pinhal Novo. Após alerta do INEM, às 03h57, dois bombeiros acorrem a uma residência, onde uma parturiente de 28 anos começara a dar à luz uma criança do sexo masculino, cujos pés se apresentavam em primeiro lugar. Quando chegaram, todo o corpo do bebé, exceto a cabeça, já se encontrava de fora, pelo que puderam verificar que tinha o cordão umbilical enrolado à volta do pescoço e, por isso, estava com dificuldade em oxigenar.

Às 04h10, Bernardo estava cá fora. “Tentámos libertar o cordão umbilical e, com a ajuda da mãe, conseguimos fazer a expulsão da cabeça, após o que reanimámos a criança”, contou Luís Neto, um dos bombeiros, ao Jornal de Notícias. “O bebé estava em paragem ventilatória; tirámos as secreções da garganta e começou a respirar”, lembra António José Oliveira (Tozé), o outro bombeiro. Quando o VMER (viatura médica do INEM) chegou ao local, “já o bebé estava lavado e ao colo da mãe”, concluiu Neto.

Ambos os elementos da corporação pinhalnovense realçam que os pais tinham conhecimento de que o parto iria ser complicado, mas foram surpreendidos pela rapidez com que o mesmo se precipitou, tendo, todavia, reagido com muita calma. Mãe e filho foram, depois, transportados para o Hospital de S. Bernardo, em Setúbal.

Os dois bombeiros já tiveram de contar a história para as câmaras da televisão. “É uma sensação espetacular”, diz Tozé, sobre o sucesso obtido, mas, à TVI, garantiu que não se sente nenhum herói e que se limitou a realizar o seu trabalho. Luís Neto corroborou, afirmando que qualquer outro dos socorristas seus colegas, confrontado com aquela situação, poderia ter feito igual, ou melhor, do que eles. [Ver Vídeo]

Fonte: Helena Rodrigues, c/ jornais e TVI (telefoto)